Tue05222012

Atualizado em:01:49:38 AM GMT

Aprendendo a se destacar

 

Wellington quer crescer na profissão. Leonardo pretende se destacar no mercado. Luan, por sua vez, quer ganhar experiência. O que faz um pequeno grupo se reunir, em plena manhã de quarta-feira, para assistir atentamente a uma palestra sobre Marketing Pessoal? As mudanças no mercado de trabalho, que atualmente fazem empreendedores de visão priorizarem qualificação e perfil adequado do colaborador ao negócio. Características que, na maioria dos casos, vêm antes até da bagagem profissional.
 
A iniciativa em questão, realizado no Centro de Apoio ao Trabalho da Prefeitura de São Paulo (CAT-Luz), procura facilitar o encontro entre candidatos e empresas e mostra que, em uma época em que "sobra emprego, mas falta empregado", de acordo com o gerente de intermediação de mão de obra dos CATs, Nelson Miguel Júnior, a qualificação – ou no caso, a falta dela – continua a ser um dos principais entraves quando é preciso contratar.  
  
 
Mas o que dá para aprender, em apenas uma hora, que pode fazer tanta diferença para candidatos e empresas? De acordo com a orientadora e selecionadora para o trabalho do CAT, Mariana Donisete, a ideia, nesse caso, é motivar o candidato a se mostrar, expor o "melhor produto que a empresa vai conseguir". Para isso, dicas sobre apresentação adequada, como falar com clareza, além de ser objetivo e ter atitude para criar uma imagem positiva. 
 
Leonardo Melo Rossini Theodoro, de 19 anos, era um dos participantes do curso. Ex-jogador de futebol na categoria juvenil, iniciou a faculdade de análise de sistemas e optou por outra profissão para ganhar mais experiência e ajudar a família. "Não estou desanimado com o mercado. Tenho pouca qualificação, mas acho que isso (o curso de marketing pessoal) vai facilitar bastante." 
 
Luan Pereira Campos, 18, nunca trabalhou, e agora procura vagas como repositor ou ajudante geral para ganhar experiência. Ele aprovou o curso do CAT. "Pensei que era coisa de mãe dizer que a gente tem que se apresentar bem e falar direito para procurar emprego. Mas aprendi isso e muito mais. Vai ajudar bastante nas minhas entrevistas", acredita o jovem.  
 
Já o motoboy Wellington Paulino dos Santos, 24, entrou na faculdade de logística. Com experiência em estoque e distribuição e vários cursos no currículo, ele almeja progredir na profissão. "Quero continuar a estudar sempre. Agora vou colocar em prática tudo o que aprendi hoje, é um ponto a mais para melhorar", finaliza.   
 
Olho no futuro – A mudança de paradigmas no mercado de trabalho e a especialização exigida por alguns setores da economia fazem com que a procura seja por profissionais diferenciados, diz Miguel Jr. "O mercado amadureceu, a economia vive uma fase de alta. Se antes o problema era falta de vagas, hoje é difícil encontrar quem tem condições de ocupá-las. Por isso, boa parte das empresas prefere contratar e treinar quem mostra potencial e vontade de atuar em seu ramo."  
 
Como exemplo, ele cita dois  grandes grupos, parceiros do CAT, do ramo de construção civil e de alimentação, que oferecem programas de treinamento de dois meses para quem vai aos postos à procura de trabalho. Quem se encaixa no perfil da empresa, é absorvido, ou então é reencaminhado para outras oportunidades pelo CAT. "(O treinamento) não garante a vaga, mas a qualificação. Além de abrir portas para os candidatos, oferece mão de obra já qualificada." 
 
Ao identificar um interesse maior das empresas em investir em formação profissional desde o ano passado, Miguel Jr., do CAT, dá uma dica para os empreendedores: não esperar que os profissionais cheguem prontos. "É preciso se preparar o quanto antes para essa mudança no mercado. Investir em mão de obra e treinar um colaborador em sua própria filosofia representa ganhos muito grandes no futuro", conclui.
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