Sacolas retornáveis conquistam mais espaço
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- Publicado em Segunda, 06 Fevereiro 2012 21:15
- Escrito por Rejane Tamoto
Fabricantes apostam em design, praticidade e custo-benefício para atrair consumidor. Vale usar materiais ecológicos como o algodão orgânico e garrafa PET, e reutilizáveis, como náilon e TNT. - Ofim da distribuição de sacolas plásticas nos supermercados aumentou de 15% a 40% o número de encomendas dos fabricantes de embalagens retornáveis e as vendas no varejo.
Agora, eles estão de olho no design, praticidade e custo-benefício para atrair o consumidor. E para isso vale usar materiais ecológicos como o algodão orgânico e a garrafa PET, além de outros apenas reutilizáveis, como náilon, TNT (tecido não-tecido) e até banner. Os fabricantes lamentam a competição com as sacolas chinesas de ráfia que os supermercados passaram a revender.
A proprietária do Zeffiro Restaurante e Rotisseria, Vera Damaso, disse que começou a vender sacolas de banner em outubro, por R$ 30, e já vendeu 30 unidades. O valor é repassado para a ONG Comunidade Brasil, que faz a coleta de banners no Teatro Municipal, elabora um projeto de design e, depois, encaminha para a produção em comunidades carentes. O trabalho é reconhecido pela Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco). "Quando o acordo das sacolinhas entrou em vigor tivemos um aumento de 15% nas encomendas. Mas agora só compra quem gosta de moda ligada ao meio ambiente", disse a gestora sócio-ambiental da ONG Comunidade Brasil, Annabella Andrade. Por isso, ela disse que desenvolveu um modelo de sacola que cabe dentro da bolsa e é feito do poliéster que sobra do guarda-chuva quebrado.
Quem também desenvolve novidades para apresentar ao consumidor é a Gatto de Rua, empresa de São Vicente, no litoral de São Paulo. Desde 2007, a empresa desenvolve sacolas retornáveis e a última novidade é a sacola-flor, que tem um design mais atrativo para ser pendurada no ombro.
Segundo a diretora comercial da Gatto de Rua, Elaine Guapo, desde o dia 25 de janeiro houve aumento nos pedidos de cotações de produtos. "Se forem aprovados, a demanda pode aumentar em 30% na próxima semana", disse Elaine.
Ela diz que ainda há uma resistência por parte dos supermercados em adquirir uma variedade de embalagens retornáveis para vender. E quando fala isso, refere-se às sacolas da linha BagMarket, feitas em TNT, com alças de velcro e que podem ser ajustadas ao carrinho de supermercado. Por terem um custo alto, de R$ 60 para o kit de 210 litros, e de R$ 40 para o de 130 litros, elas são vendidas, por enquanto, apenas pela internet.
De acordo com Elaine, lojas como a Etna e a unidade de Piracicaba do Carrefour vendem a sacola-chaveiro da Gatto de Rua, que mede 7 cm x 10 cm. Por ser feita de náilon, pode ser amassada até virar um chaveiro e também tem um preço mais atrativo: R$ 4 para o consumidor. Elaine gosta de lembrar que suas sacolas não são de material reciclável, mas têm boa durabilidade. A diretora da Gatto de Rua diz que há dificuldade em concorrer com os produtos chineses. "A sacola de ráfia é vendida por R$ 1,90 porque não é artesanal. É feita em uma máquina. Não conseguimos chegar neste preço", explica.
O diretor de vendas da confecção mineira EcologicPack, Fernando Mascarenhas, tem a mesma opinião. Segundo ele, o aumento nas vendas desde o início da lei que proibia as sacolinhas em Belo Horizonte, em 2010, foi de 40%. "Na época, a confecção estava prejudicada por causa da importação de tecidos chineses e foi salva pelas sacolas, que agora começam a disputar espaço com modelos da China", afirmou.
O proprietário da Disque-Camisetas, César Beda, que vende sacolas de algodão orgânico e de fibra de garrafa PET, diz acreditar que há espaço para o mercado de sacolas retornáveis crescer. "Nossa projeção é de 30% neste ano. Desde 25 de janeiro a produção aumentou de 25% a 30%", disse Beda, otimista.




