Tue05222012

Atualizado em:01:49:38 AM GMT

Crianças já dominam o bê-a-bá financeiro

 

Marcella não quer depender financeiramente de ninguém quando entrar na faculdade. Gustavo aprendeu desde pequeno que, para ter dinheiro, é preciso se esforçar. Já Gabriela conseguiu comprar uma câmera digital por ter o costume de poupar até as moedinhas que ganha. Para quem acha que educação financeira não é coisa para crianças, três entrevistados , com idades entre 12 e 14 anos, mostram que quanto mais cedo aprender a lidar com dinheiro, melhor. 
 
Com percepções distintas, cada um apontou, a seu modo, que entendem um pouco do que é economia – e muito do que é ser um consumidor consciente. Mesmo sempre "ouvindo falar" em economia e crise, Gustavo Patricio Sena Santos, 14 anos, diz não se aprofundar muito no assunto. "Mas meus pais me ensinaram o que significa 'guardar dinheiro para estudar e se dar bem lá na frente'. E eu concordo", disse.  
 
Já as garotas Gabriela Ribeiro, 12 anos, e Marcella Novaes Ferreira de Carvalho, 14 anos, arriscaram opiniões sobre cenário econômico no País. "O Brasil não sabe gastar, por isso sempre existe crise", acredita Gabriela, que aprendeu com os pais a dar valor ao dinheiro e não esbanjar com "bobeiras". 
 
Da mesma opinião, Marcella diz que o País poderia ser mais econômico. "O Brasil poderia gastar com coisas mais necessárias como saúde ou alimentação, em vez de aumentar tanto os impostos", frisou.  
 

Para Ricardo Pereira, consultor do projeto Consumidor Consciente, da Mastercard, a informação acessível tem ajudado a quebrar o tabu que ainda existe em algumas famílias de "falar sobre dinheiro". A mudança é positiva para novas gerações, ao transformar a rotina e criar responsabilidade.  
 
"É preciso instruir desde cedo que todo dinheiro tem valor, que custou para os pais conseguirem. Por isso é importante que saibam reconhecer o esforço, ver que servirá para realizações futuras. Mas tudo depende da orientação dos pais antes, e do acompanhamento depois", ensina. 
 
Independência – Mesmo sem nunca terem passado "em branco" por datas como Dia da Criança, Natal ou aniversário, a turma de entrevistados aprendeu direitinho com os pais lições para evitar apertos financeiros. 
 
Marcella, que sempre ganhou mesada, conta que a mãe vive alertando-a a não querer tudo o que vê.  "Sou 'gastona', e meu pai fala para eu guardar, comprar  roupas, viajar... Sempre procurei escolher presente nas possibilidades deles. Se der para comprar o que eu quero, eles compram. Se não, paciência."
 
Outra prática de Marcella é guardar parte da mesada na poupança. O objetivo? Financiar seus estudos no futuro. "Não gosto de depender dos outros. Quero pagar a faculdade com meu dinheiro", diz ela, que pensa estudar Nutrição.  
 
Já a precoce Gabriela, que sonha em ser veterinária, junta inclusive moedinhas que sobram do troco do pai. Ela explica que continua poupando, já que pode surgir outra coisa interessante para comprar.   
 
"Como sempre fui bem na escola, escolho o que quero ganhar. Mas quando não dá, meus pais explicam o porquê. Procuro não pedir coisas caras. É importante economizar para fazer uma boa faculdade."
 
Gustavo, que começou a ganhar mesada com sete anos, aprendeu desde cedo também que, para ter o montante garantido todo mês, ir bem na escola ou deixar o quarto organizado eram fundamentais. 
 
"Compro o que quero, mas meus pais sempre avisam: gaste só o necessário", diz ele, que estuda inglês, não descarta ser engenheiro e aprendeu a valorizar mais o dinheiro aos dez anos, quando passou a jogar futebol em categorias de base e era remunerado por jogo. 
 
De acordo com Ricardo Pereira, é preciso prestar atenção nos exemplos que se passa para os filhos para despertar o entendimento sobre educação financeira. Ou seja: não adianta criá-los com discursos sobre  poupar, mas ser esbanjador. 
 
"É importante deixar claro que nem sempre é possível ter tudo o que se quer, mas sim fazer planos ou objetivos, guardando dinheiro e pesquisando oportunidades. Tudo isso tem resultados positivos, que serão colocados em prática por eles pelo resto da vida", explica.
 
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