Registros de inadimplentes tiveram queda de 4% em julho
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- Publicado em Terça, 14 Agosto 2012 20:31
- Escrito por DC/Folhapress

O número de registros novos de inadimplentes em todo o País teve queda de 4% em julho na comparação com o mês anterior, desconsiderando fatores sazonais. O dado foi divulgado ontem pela Boa Vista Serviços, empresa que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). O resultado foi influenciado principalmente pelo varejo, que apresentou forte retração nos registros de inadimplentes.
Nos 12 meses encerrados em julho, houve avanço de 12,6% na quantidade de registros na comparação com os 12 meses anteriores a julho de 2011. Em relação a igual mês do ano passado, o indicador apresentou recuo de 4,7%, evidenciando a significativa desaceleração da falta de pagamento quando são consideradas as informações de médio e longo prazos.
A expectativa é de que a melhora nas condições do crédito – influenciada por quedas da taxa básica de juros (Selic) e do spread bancário (diferença entre o custo do banco na captação e o juro repassado ao cliente) e pelo aumento da população com emprego formal nos últimos 12 meses – persista. Assim, o crescimento do número de inadimplentes deve continuar desacelerando ao longo de 2012.
De acordo com a Boa Vista Serviços, o valor médio das dívidas incluídas em julho foi de R$ 1.203, um crescimento de 8,6% em relação a julho de 2011 (dado ajustado por sazonalidade e inflação).
O recuo de 4% ante junho no indicador nacional é resultado da retração observada nas quatro maiores regiões do Brasil. A única que apresentou um comportamento distinto foi a Norte, com aumento de 1,1%. A maior queda registrada ocorreu no Centro-Oeste, onde o indicador se retraiu 5,1%. Sudeste apresentou a queda mais suave, de 3,8%.
Ao considerar apenas o setor de varejo, observa-se uma queda ainda mais elevada no mês de julho na quantidade de novos registros, com variação negativa de 9%.
Débitos consomem 42% da renda
Com três dívidas ativas para pagar, as famílias brasileiras comprometem, em média, 42% da renda para quitar débitos. Um dos principais responsáveis por esse endividamento é o uso do cartão de crédito sem o pagamento integral da fatura. Os resultados são de um estudo realizado pela Proteste Associação de Consumidores.
De acordo com a entidade, a facilidade de obtenção de crédito, a falta de planejamento familiar e as altas taxas de juros impulsionam o endividamento. Para o levantamento, foram ouvidos 200 famílias que se reconheceram como devedoras, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Foram considerados financiamentos, empréstimos pessoais, compras parceladas em cartão de crédito, em lojas e por carnês. As famílias que participaram do estudo têm renda média de
R$ 2.401 e declararam pagar R$ 1.009,45 – o que equivale a comprometer 42% da renda para pagar os compromissos. Na avaliação da entidade, as instituições financeiras têm grande parte da responsabilidade nesse cenário, por estimular o uso do cartão de crédito, cujas taxas de juros ainda são muito elevadas.
O percentual da renda usado para pagar os débitos é ainda maior na classe C – chega 46,36%. Nesse segmento, as dívidas mais comuns são o parcelamento de compras no cartão de crédito, o pagamento dividido de faturas e saques no cartão de crédito.
Credores – Entre os dez maiores credores, estão cinco lojas – o que mostra que o crédito para o consumo é ainda um dos mais difundidos – e quatro bancos. No ranking estão os bancos Itaú, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal; e as redes varejistas Casas Bahia, C&A, Lojas Renner, Leader e Marisa. Pessoas físicas também foram citadas, o que indica que crédito informal também é uma fonte importante de recursos.
Segundo o estudo, as famílias com dívidas de maior valor normalmente contratam novos empréstimos de valor menor para tentar quitar o débito principal.




