O varejo paulistano mantém, neste início de ano, a recuperação gradual das vendas a prazo. O balanço da movimentação do comércio local na primeira quinzena de fevereiro, divulgado ontem pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), mostrou que essa modalidade de compra cresceu 3,7%, ante igual período do ano passado.
Na mesma base de comparação, as transações à vista avançaram 2,2%. "Os resultados das vendas em fevereiro na Capital já eram esperados. Acreditamos que nos próximos meses os juros continuarão caindo, o que deve contribuir para estimular mais o movimento do varejo", declarou o presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rogério Amato.
O balanço da ACSP se baseia em uma amostra de dados de clientes da Boa Vista Serviços (BVS), responsável pela administração do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Os números refletem a movimentação das consultas do comércio à BVS, consolidadas no Indicador de Movimentação de Comércio a Prazo (IMC – antes denominado SCPC) e no Indicador de Movimento de Cheques (ICH – antigo SCPCCheque), parâmetro para aquisições à vista.
O economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, Emilio Alfieri, observou que as vendas a prazo crescem desde outubro último. Naquele mês, o indicador ficou em 0,5%, seguido de 1,1% em novembro; 1,7% em dezembro; e 2,7% no mês passado (sempre na comparação com igual período do ano anterior). Pesou a favor, segundo ele, o aumento do salário mínimo (14,1%), medidas de estímulo ao crédito e redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Já as vendas à vista foram impulsionadas pela aquisição de itens do setor de variedades, como os associados ao Carnaval, acrescentou.
Ressalva – A continuidade de crescimento na quinzena não assegura, ressalva Alfieri, que o resultado se sustentará até o final do mês. "Neste ano, o Carnaval acontece em fevereiro", reforça o economista, a propósito do impacto que ele provoca no comércio local. Mas o ano bissexto, com um dia a mais em fevereiro, poderá atenuar o impacto.
O balanço divulgado ontem mostra, ao comparar a primeira quinzena de fevereiro com igual período do mês anterior, recuo de 0,5% no IMC (vendas a prazo) e crescimento de 6,5% no ICH (compras à vista). Alfieri explicou que o recuo da movimentação, na passagem de janeiro para fevereiro, é histórico, ainda que sujeito a variáveis como a data de realização do Carnaval, que pode determinar o início das liquidações de verão, por exemplo.
"As vendas a prazo, da quinzena, (ante igual período do mês anterior) já acompanham a sazonalidade histórica", observou Alfieri. O crescimento das transações à vista (6,5%), acrescentou, se beneficiou da base fraca de comparação. "Nos primeiros dias de janeiro ainda não havia liquidações".
Inadimplência – Os dados do Indicador de Registro de Inadimplência (IRI) do período sugerem, segundo o economista Alfieri, que o índice de não pagamentos feitos se mantém equilibrado e que se estabilizará em patamar mais alto. Na comparação com igual período de 2011, o IRI cresceu 8,2% e o Indicador de Recuperação de Crédito (RC) teve elevação de 8,3%.