Tue05222012

Atualizado em:01:00:11 AM GMT

Ajuda extra para reformar e decorar

Até o fim deste mês, os bancos devem lançar novas linhas de financiamento para a compra de materiais para construção, reforma e ampliação de imóveis residenciais. Os recursos para esses empréstimos, no valor de R$ 300 milhões, virão do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Especialistas em finanças dizem que os bancos terão um custo menor para conceder financiamentos, já que o juro cobrado pelo FGTS é de 3% ao ano – menor do que as taxas de captação para as instituições, que seguem o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e se aproximam da taxa Selic, hoje em 10,5% ao ano. Portanto, o consumidor também deve ter acesso a juros menores nesses casos.
 
As linhas de financiamento existentes têm taxas mensais de 0,84% a 3,95% (veja quadro).
 
Em geral, essas modalidades oferecem crédito não só para a reforma e construção do imóvel: algumas também permitem a compra de móveis e até objetos de decoração. As taxas cobradas pelas instituições financeiras também dependem do relacionamento do cliente com o banco e de garantias – em alguns casos é preciso dispor do próprio imóvel.
 
Especialistas em finanças recomendam a quem pretende financiar a compra de materiais de construção uma boa pesquisa nos bancos, a partir do lançamento da nova linha. Segundo o professor de finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) Mário Amigo, para valer a pena, o consumidor deverá buscar juros bem baixos, próximos dos cobrados em financiamentos imobiliários. "A linha que será lançada com recursos do FGTS é subsidiada e o juro terá de ser bem baixo. Pesquise e faça as contas", recomenda.
 
Detalhes das linhas
 
Segundo a Caixa Econômica Federal, a nova linha deverá ter juros parecidos com os de uma que já existe, praticamente nos mesmos moldes. A Carta de Crédito FGTS da Caixa oferece taxas anuais que variam de 5% a 8,16% para a compra de materiais para construção, reforma ou ampliação. Neste produto, as taxas dependem da renda do consumidor – quanto menor, mais baixo será o juro. De acordo com a renda também há de taxa de administração. O único detalhe é que se destina apenas a quem tem renda de até R$ 5,4 mil. 
 
A linha oferece crédito mínimo de R$ 1,25 mil e máximo de R$ 25 mil, apenas para imóveis com valor venal de até R$ 80 mil. Pode haver um acréscimo de até 15% do valor para o pagamento de mão de obra, desde que não extrapole o limite da operação. O período de construção deve durar até seis meses e o prazo de pagamento é de até 120 meses. 
De acordo com a Caixa, a linha que será lançada neste mês deverá ter uma taxa parecida, mas algumas regras são diferentes. Segundo a resolução do Conselho Curador do FGTS, ela será voltada para imóveis regularizados e possibilita a instalação de hidrômetros de medição individual e a implantação de sistemas de aquecimento solar. Um detalhe importante: não é permitido o uso do FGTS pelo consumidor, mas ele precisa ser cotista, ou seja, ter carteira assinada. Outra diferença é que esta nova linha não estabelecerá limite de renda. De acordo com a resolução, o juro não pode passar de 12% ao ano. Além da Caixa, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Santander informaram que estão estudando esse novo produto. 
Cuidado com
os exageros
O especialista em finanças pessoais do Money Fit, André Massaro, diz que as regras para o lançamento da nova linha são interessantes,  mas o consumidor deve ficar atento a exageros. "Uma taxa de juro menor não deve ser motivo para o consumidor comprar mais do que precisa." Além disso, o especialista alerta que "as obras, em geral, têm muitos imprevistos e é preciso ter uma reserva financeira para isso".
Vale também
para decoração
Para quem vai mobiliar e decorar a casa, as linhas de crédito podem ser uma boa alternativa. Esta foi a conclusão a que chegou o jornalista Marcelo Cury, de 45 anos, que tomou R$ 16,5 mil para decorar seu apartamento, uma quitinete. Ele vai pagar o empréstimo em 60 meses. "O interessante é que o banco me deu uma carência de seis meses para que começasse a pagar as prestações, de 
R$ 470. Tinha acabado de comprar o apartamento e não teria como mobiliar se não fosse o financiamento."
Com a ajuda de uma arquiteta, ele comprou móveis em diversas lojas, e na medida certa, para fazer uma sala de leitura e um quarto na quitinete, além de aproveitar melhor o espaço do banheiro. Como está pagando as prestações do financiamento imobiliário, ele agora está com 40% da renda comprometida. "Gostei muito do resultado, porque valorizou o apartamento. Se eu o alugasse mobiliado hoje, poderia cobrar mais", observa.
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