Tue05222012

Atualizado em:01:00:11 AM GMT

Será que a bolsa volta a subir neste ano?

 

O ano de 2011 foi muito ruim para o investidor em ações, mas exatamente por causa da baixa expressiva de 18,11% registrada nos últimos 12 meses existe a expectativa de recuperação ao longo de 2012, afirmam analistas de mercado. A bolsa brasileira teve a terceira maior queda anual desde o início do Plano Real. 
 
Entre as principais aplicações financeiras, o Ibovespa foi o único a perder para a inflação de 2011, ficando atrás até da caderneta de poupança.
 
O administrador de investimentos Fabio Colombo não descarta, no entanto, a manutenção da volatilidade, em especial nos primeiros seis meses do ano. Há diversas projeções para a alta do índice, mas parte do mercado aposta em um número em torno de 70.000 pontos, o que representa uma valorização de pouco mais de 20% em relação ao fechamento de 2011.
 
A melhora do Ibovespa, observa Colombo, depende de alguns fatores fundamentais. "Entre eles está a solução para a crise fiscal e a dívida soberana dos países europeus, as projeções sobre desaceleração da economia europeia e suas consequências, dados reais sobre crescimento das economias da China, dos Estados Unidos, da Europa e do Japão e o preço das commodities agrícolas e minerais para países emergentes", enumera 
o especialista.
 
O economista-chefe da Corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, tem opinião semelhante. Para ele, mesmo com perspectivas boas de retomada da economia mundial no segundo semestre, os primeiros seis meses serão difíceis e "de muitos ajustes" para os mercados financeiros. Isso porque a situação europeia não está bem resolvida – principalmente na zona do euro.
 
"Mas para que a retomada no segundo semestre aconteça, as autoridades deveriam tomar algumas atitudes o quanto antes, como criar um fundo especial voltado para a Europa, fazer um pacto fiscal com governantes locais e aumentar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a região. O que temos visto são intenções de fazer algo. Só que de intenções o investidor está cheio", afirma.
 
Mercado interno em destaque
 
No caso do Brasil, o nível de crescimento, a política de redução de juros do governo e o aumento da inflação também serão determinantes para o desempenho do mercado, destaca Colombo. "Mas as aplicações deverão proporcionar juro real na faixa de 3% a 5% ao ano, considerados bem baixos para o padrão histórico do País."
 
Mesmo assim, o investidor brasileiro que se voltar para a economia interna pode ter bons rendimentos em 2012, lembra Vieira. "Os estrangeiros estão de olho no Brasil desde 2008, época do auge da crise financeira. Mas nós saímos do risco. Como este ano é de eleições, a presidente Dilma Rousseff vai fazer de tudo para aquecer a economia e não deixar a peteca cair", diz.
 
O ano de 2011 começou com um otimismo que levou os analistas a estimarem Ibovespa de 85 mil pontos no fim do ano (o indicador terminou o período em 56.754 pontos), mas o agravamento da crise europeia pegou muitos de surpresa. "A bolsa brasileira apresentava alta probabilidade de mau resultado, em função da fortíssima alta em 2009 (82,66%) e da estabilidade em 2010 (1,04%), como de fato ocorreu", observa Colombo.  "As projeções estavam muito elevadas. Duvido que alguém tenha acertado", diz.
 
De qualquer maneira, 2011 foi um ano difícil para as previsões econômicas. Os analistas erraram prognósticos para muitas variáveis – casos da taxa básica de juros (projetada em 12,2% ao ano para dezembro, ficou em 11%), do dólar (de R$ 1,76 para R$ 1,87), entre outras.
 
Mas nem todos perderem dinheiro na bolsa no ano passado. Segundo Vieira, quem comprou ações de empresas que são boas pagadoras de dividendos – como Eletrobras, Cielo, Redecard e Ambev, por exemplo – tiveram excelentes retornos. "Em vista do cenário, o mercado interno foi o melhor para investir."
 
 
EM ANO TURBULENTO, OURO FOI O DESTAQUE.
 
A bolsa decepcionou, mas os outros investimentos tiveram resultados bastante positivos no ano passado, gerando boas expectativas para 2012, afirma o administrador de investimentos Fabio Colombo. O ouro, que fechou em alta de 16,46%, variação próxima às do dólar (12,62%) e do euro (9,59%), pode ser, em alguns casos, uma opção conservadora atraente para diversificação de carteira em 2012. "Como é usual em momentos de crise, a cotação do metal tende a se valorizar no exterior", diz.
 
Os fundos cambiais (de dólar e de euro), segundo ele, podem ser boas opções para variar as aplicações, pois funcionam como seguro de parte do patrimônio caso a crise volte e o pessimismo se instale, diz. "Dependendo do perfil do investidor, manter de 10% a 20% nesses investimentos é perfeitamente aceitável", destaca.
 
Já os fundos DI terão desempenho mediano, com juro real bruto entre 3% e 5% dependendo do conservadorismo da política econômica do governo, avalia Colombo. "Assim como os fundos de Renda Fixa, que dependem da política de juros do Banco Central e participação de títulos prefixados nas carteiras", afirma Colombo.
 
A poupança, que fechou o ano de 2011 com rendimento líquido de 7,45%, ficará cada vez mais competitiva em 2012 em relação aos fundos DI, com a continuidade da política de redução da taxa básica de juros (Selic).
 
Títulos indexados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou ao Índice Geral de  Preços - Mercado (IGP-M) também continuarão sendo opções interessantes de longo prazo, pois rendem entre 4% e 6% ao ano. "Já os investimentos em imóveis comerciais para locação, com a queda da taxa de juros, ainda se tornam atrativos como alternativa para aplicadores conservadores e moderados", acrescenta o administrador. 
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