Tue05222012

Atualizado em:12:45:51 AM GMT

Você sabe cuidar do seu patrimônio?

Quase todo mundo já ouviu dos pais ou avós o conselho "é melhor prevenir do que remediar", válido para as mais diversas situações. Essa frase da sabedoria popular também pode ajudar as pessoas a garantirem o patrimônio que conquistaram, geralmente com muito esforço: ela sugere que não se pode deixar de lado a administração do bem, seja um carro, uma casa ou até um negócio próprio.

 

Dá trabalho, mas prestar atenção a alguns detalhes é essencial para garantir valorização ou evitar depreciação. Em geral não é muito agradável participar de reunião de condomínio em uma segunda-feira à noite ou perder horas no fim de semana para arrumar papéis de uma empresa, mas ignorar essas atitudes pode criar problemas no futuro.

Usar de forma indevida o crédito, consumir com base na expectativa de terceiros e evitar ter contato com detalhes desagradáveis para fugir de chateações são atitudes que acabam desvalorizando o patrimônio, afirma o consultor do programa de educação financeira Consumidor Consciente da Mastercard, Conrado Navarro.

Segundo ele, dois grupos têm esses costumes. O primeiro é o dos que sempre consomem usando crédito, formado principalmente por jovens – muito atraídos pela compra financiada de carros. "Eles não cuidam do bem como deveriam. A facilidade do crédito os afasta da sensação de valor, de esforço", diz. O outro grupo, mais homogêneo, é formado por pessoas que adquirem bens e mudam de prioridade ao longo dos anos, afirma Navarro. Após comprar e usufruir da aquisição durante um tempo, esses consumidores criam uma certa "antipatia" pelo que têm, por quererem algo melhor. "É um comportamento muito ligado à ansiedade de consumir em relação à expectativa dos outros. E, sem perceber, as pessoas deixam de lado a manutenção desses bens."

O custo do descaso

Ir ao mecânico só quando o carro faz barulho, assinar contratos longos de financiamento sem ler as cláusulas e até deixar de ir ao Poupatempo "porque o despachante resolve": atitudes como essas levam as pessoas a pagar muito caro pela displicência com seu patrimônio, alerta Rogério Nakata, planejador financeiro da consultoria Economia Comportamental.

Segundo ele, essa é uma questão cultural do brasileiro. Pela falta de educação financeira no currículo escolar, dinheiro ainda é tabu, conversa de adulto. "Isso mudou um pouco, mas os programas de educação financeira que existem hoje ainda são tímidos. Por isso incentivamos as pessoas a sempre usarem bem os recursos, enxugar despesas desnecessárias e diminuir ralos, fazendo coisas que nós mesmos podemos resolver - e usando esse tempo a nosso favor. Mesmo que seja chato ou trabalhoso."

Há quem já tenha percebido a importância da administração de bens e orçamento familiar. Planejar, poupar para emergências e levar a sério a recomendação de "não dar um passo maior que a perna" são as atitudes do casal Solange Cristina Veiga de Brito e Ericsson Genuíno de Brito, pais do pequeno Érico.

Controlados com os gastos, atuantes nas reuniões do condomínio onde moram e atentos à necessidade de fazer melhorias em seu imóvel sempre que possível, os dois se consideram metódicos quando se fala em orçamentos pessoal e familiar.

Solange, que acaba de ser contratada como gerente de planejamento e controle de produção, conta que, mesmo durante o curto período de desemprego, conseguiu manter sua parte das contas em dia. "Sempre faço planilha, onde anoto tudo o que foi gasto, para saber se algo mudou em relação ao mês anterior – desde compras para o bebê até gasolina."

Já o representante comercial Ericsson, que faz questão de participar das reuniões de condomínio para "saber onde está pisando", também acredita que é fundamental ser ativo para valorizar o apartamento em que sua família vive. "O imóvel não foi barato. Temos que prezar pelo que é nosso para não jogar dinheiro no lixo. Isso é valorizar o patrimônio", afirma.

Cuidar bem do que se conquistou, como fazem Solange e Ericsson, passa pela educação financeira. Navarro, da Mastercard, cita o aspecto cultural, tão comum ao brasileiro, de enfrentar os acontecimentos sempre pela ótica positiva, com "esperança de que tudo se resolve". Um caso típico é o da empresa aberta por um ou mais sócios, mas que tempos depois terá que encerrar atividades por algum motivo. Segundo Navarro, o comum é a pessoa pensar que tudo se arranja, sem parar para organizar as pendências. Até que chega um dia em que será necessário regularizar a situação. "Para manter o patrimônio em dia, é fundamental assumir responsabilidades, ter noção de que aquele problema é só nosso", destaca.

Nakata, da Economia Comportamental, acrescenta a importância de se pensar na preservação do bem enquanto está em uso – por exemplo, com manutenção adequada de um veículo ou a contratação de um seguro residencial. "Essas ações evitam transtornos e podem garantir vantagens se for necessário negociar o bem. Costumamos gastar mais com a correção de eventos que poderiam ser previstos", afirma.

Mais um conselho do especialista da Mastercard: as pessoas devem sempre evitar usar exageradamente o crédito, valorizando o dinheiro que vem do trabalho. "Respeitar o dinheiro é respeitar o que ele pode te oferecer", completa Navarro.

Reunião de condomínio: é chato e inevitável

A casa própria ainda é o sonho número 1 dos brasileiros quando se fala em patrimônio. Apesar de todo o esforço que a conquista desse sonho envolve, muita gente ainda tende a não cuidar de maneira adequada do bem ao longo do tempo. Não falta quem deixe de lado investimento em melhorias no imóvel ou a participação em reuniões de condomínio em que assuntos importantes são tratados. Esses comportamentos podem acelerar a depreciação do bem ou gerar gastos imprevistos com decisões tomadas pelos vizinhos.

A gerente da Lello Condomínios, Angélica Arbex, lembra que, quando se compara, por exemplo, imóveis localizados na mesma rua, se um tem 15 anos de construção valerá 30% menos que um novo. Por isso a importância de se cuidar da valorização constante desse patrimônio, incluindo a manutenção do edifício. O trabalho, normalmente discutido em assembleias de proprietários, envolve manter a pintura em dia e o mobiliário das áreas comuns atualizado, fazer manutenção e modernização de elevadores, entre outros itens. Para garantir o valor de mercado de seu bem, o dono deve sempre participar das assembleias.

"Nos condomínios, a grande maioria dos moradores tem um só imóvel, um único bem. A participação ativa em decisões de planejamento e orçamento ajuda a garantir a valorização."

Ela recomenda aos proprietários priorizar reuniões em que se discutem pagamento da prestação de serviços de limpeza, segurança e benfeitorias. "Não dá para deixar todas as decisões para o síndico ou a administradora.".

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