Morar sozinho sem estourar a conta
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- Publicado em Segunda, 13 Junho 2011 15:47
- Escrito por Rejane Tamoto
A vontade de sair da casa dos pais para morar só – ou mesmo para formar uma nova família – pode ser irresistível para muitos jovens nesses tempos de ampla oferta de emprego e de crédito. Mas antes de assinar um contrato, seja de aluguel, financiamento ou consórcio, é preciso pensar bem, planejar as finanças e pesquisar o mercado, principalmente em um cenário de alta expressiva das casas e apartamentos.
No último ano, na cidade de São Paulo, os aluguéis de imóveis residenciais aumentaram entre 10% e 20% e os preços para compra subiram de 20% a 40%, segundo o Secovi-SP (sindicato paulista da habitação) e a tendência é de manutenção dos aumentos. Antes de bater o martelo, é preciso conhecer o "fôlego" financeiro para arcar com as novas despesas fixas e decidir o que é mais adequado – alugar ou comprar um imóvel.
De qualquer maneira, independentemente da decisão, quem quiser sair da casa dos pais tende a comprometer cerca de 35% da renda mensal com o aluguel ou a prestação, de acordo com o superintendente-executivo de empréstimos para pessoa física do banco Santander, Rogério Estevão. O restante deve ser suficiente para gastos com condomínio, água, luz, gás, telefone e manutenção (inclusive emergencial, como com um encanamento que estoure, por exemplo).
Devem também ser consideradas outras despesas já existentes – transporte, alimentação dentro e fora de casa e lazer. Quem não tem tempo ou não sabe cozinhar deve lembrar desse detalhe e colocá-lo na planilha; o mesmo vale para a limpeza do novo lar.
Imprevistos
É preciso, ainda, considerar possíveis reajustes das despesas fixas. "Quem quer sair da casa dos pais deve saber que vai gastar mais tempo e dinheiro e ter mais trabalho, além de muitas vezes abrir mão de consumo e de alguns investimentos, como pós-graduação ou viagem ao exterior", afirma Estevão.
Para ter certeza de que é possível morar sozinho com a renda mensal atual, o executivo recomenda um exercício: a reserva de 35% do salário durante seis meses; assim, dá para saber se é possível levar a empreitada adiante. Esse teste mostra a viabilidade de se viver com 65% da renda. O especialista em educação financeira Álvaro Modernell vai mais longe.
Na opinião dele, quem mora com os pais deve aproveitar que tem poucas despesas e poupar mensalmente 30% do salário durante três anos para ter uma boa reserva financeira. A ideia é acumular um montante equivalente a dez vezes a renda mensal. A metade desse recurso pode ser usada para comprar toda a mobília e os eletrodomésticos. E o restante pode ser guardado para emergências.
O gasto para montar o lar vai depender do gosto e, como diz, o especialista, da "cara de pau" do morador. "Visite a tia, a mãe para ver se existem talheres, móveis ou eletrodomésticos sobrando. Quem começa agora não precisa de tudo novo. Também pode optar por comprar de segunda mão", afirma.
Alugar?
A decisão de alugar ou comprar merece muita reflexão: vai depender do perfil de cada um e, principalmente, de seu horizonte de tempo. A melhor opção para quem tem urgência de sair da casa dos pais, seja para casar ou morar só, é alugar. "Não recomendo comprar com pressa e sem estar bem informado", diz Modernell. Para Estevão, do Santander, é importante lembrar que os desejos em relação aos imóveis mudam ao longo da vida. Para quem vai começar agora, o aluguel pode ser uma forma de saber se o bairro escolhido é o que realmente atende às expectativas e de poder mudar os planos. "Um emprego novo em outra cidade, a decisão de casar e ter filhos são situações que podem mudar a visão sobre aquele imóvel que parecia ideal em outra situação", afirma. Considerando esse aspecto, quem aluga, pode rapidamente mudar de ideia sobre onde e como quer morar.
É preciso lembrar que o aluguel normalmente exige garantias – a mais tradicional é o fiador (dono de um ou mais imóveis que possa arcar com eventual inadimplência do locatário). Quem não tem fiador pode recorrer ao seguro-fiança, que custa um percentual do aluguel. Outros detalhes: possíveis gastos com reparos, pintura, ou reforma do imóvel – antes, durante e depois de encerrado o período de locação. Além de condomínio, o morador precisará arcar com os gastos relacionados à mudança, com os móveis se o apartamento não for mobiliado, além de todas as despesas fixas mensais de energia elétrica, água, gás e telefone.
A desvantagem da locação é o fato de reduzir o valor da renda mensal que poderia ser poupado para comprar um imóvel. Há ainda a possibilidade de o proprietário pedir a casa ou o apartamento de volta e o inquilino ter de procurar outro rapidamente. De acordo com Estevão, do Santander, o aluguel, em geral, corresponde a 0,5% a 0,6% do valor do imóvel, custo menor ao ano do que o do financiamento imobiliário, sobre o qual incidem juros de 12% ao ano mais Taxa Referencial (TR).
Comprar?
Na avaliação do professor do Laboratório de Finanças (Labfin) da Fundação Instituto de Administração (FIA), Keyler Carvalho Rocha, o aluguel também é uma opção para quem não tem muitos anos de emprego, nem uma quantia acumulada no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou na caderneta de poupança. Mas quem tem tudo isso pode considerar usar o recurso guardado e formar a entrada de 25% para o financiamento da casa própria.
Estevão, do Santander, diz que quem está pagando aluguel também pode consultar as linhas de financiamento das instituições para fazer uma troca imediata ou mesmo optar por comprar na planta e deixar as parcelas maiores para o final. "O mercado financia por até 30 anos, mas é preciso lembrar que, quanto maior o prazo, mais juros serão pagos, mesmo que o valor de parcela seja menor", alerta.
Antes de comprar, é recomendável visitar muitos imóveis para entender como o mercado imobiliário funciona e, também, para aprender a comparar um com o outro e negociar com o corretor e o proprietário. "Quem visitou 20 imóveis, por exemplo, pode descobrir que, em um mesmo bairro, o metro quadrado tem preço maior em uma rua e menor em outra. É importante fazer o seu sonho custar menos", afirma Estevão.
Quem compra um imóvel deve reservar 5% do valor total do bem para despesas com escritura e o pagamento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) para a prefeitura. É preciso, ainda, registrar a escritura no Cartório de Registro de Imóveis. Há também as despesas fixas que são as mesmas do aluguel – condomínio, móveis, eletrodomésticos, manutenção, reformas, água, luz, gás, telefone, alimentação e limpeza




