Tue05212013

Atualizado em:02:32:42 AM GMT

Solo de clarinete

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Procurando um lugar para ouvir música brasileira ao vivo há alguns meses, descobri o Dizzy's Club Coca-Cola, no Time Warner Center de Nova York, onde Duduka Da Fonseca liderava seu quinteto. Não conhecia bem o percussionista antes de ouvi-lo naquela noite. E uma de várias outras coisas que eu também não sabia era que quem tocava os instrumentos de sopro em sua banda era uma israelense de 38 anos chamada Anat Cohen, que morava em Nova York desde 1999.

Nas primeiras músicas da seleção - aquele tipo de jazz acelerado mesclado com ritmos brasileiros que sempre adorei - Cohen tocou o instrumento geralmente mais associado ao jazz pós-guerra: o sax tenor. Para mim ficou claro na hora que ela era uma instrumentista de primeira, fluida, vital, com a capacidade de criar solos intrincados e eloquentes; porém, depois disso, o grupo começou a tocar Chorinho pra Ele, uma peça contagiante de Hermeto Pascoal. E foi aí que Cohen fez uma coisa que poucos instrumentistas de sopro de jazz fazem hoje em dia. Sacou do clarinete.

Se no sax ela era boa, no clarinete, revelou-se. Usando o registro mais agudo, evocava uma alegria singular; no grave, seu estilo refletia uma melancolia profunda. Nas músicas de tempo acelerado, seus improvisos não eram só rápidos como tinham uma clareza e inteligência raras. E tocava de um jeito que parecia ser a coisa mais fácil do mundo, mesmo sendo aquele o instrumento de sopro tecnicamente mais complexo de todos. Ela usou o clarinete em apenas algumas músicas naquela noite, mas me deixou literalmente de queixo caído.

O porta-voz da turma

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Em São Paulo, devagarinho, assim como quem não quer nada, mas querendo tudo a que tem direito, uma nova geração de músicos vem comendo o mingau pelas beiradas. São compositores, cantores e instrumentistas que conhecem e sabem música, e que interagem entre si, numa solidária mescla de competências.

Dá gosto ouvi-los. Ouvir o que têm a dizer sobre coisas que para a minha geração já estão cristalizadas, por isso até então não havíamos atentado para outras variantes. A harmonia com o passado musical resulta num presente carregado de modernidade e brasilidade, e projeta um futuro onde o talento haverá de prevalecer sobre a banalidade.

A turma deles é da verdade (assim como já cantamos que foi a nossa), e a verdade vai vencer. Embora não saibamos ao certo que "verdade" seja essa, pode-se suspeitar que ela é feita de sabedorias post as em pentagramas e versos e que nos permite crer que a emoção com qualidade é o que importa em nossa fugaz passagem pela vida.

Tudo isso para falar de um representante dessa nova geração musical: Pedro Viáfora. Compositor, instrumentista e cantor, ele integra o bom grupo 5 a seco, um fenômeno de sucesso a partir das redes sociais.