Sun05192013

Atualizado em:02:50:35 PM GMT

Conflitos da terra

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Na primeira das 12 cenas curtas que compõem o espetáculo Invasor(es), um homem e uma mulher, de quem não iremos conhecer sequer os nomes, conversam sobre um episódio até então nebuloso ocorrido na noite passada. Algo que tem a ver com uma picape dirigida em alta velocidade, a possibilidade de alguém ter anotado a placa do veículo após um hipotético acidente e a presença, já de antemão ameaçadora, de um sujeito misterioso, que pode ser lido como o invasor do título. Mas, nesta cena inicial, nada ainda é muito explícito na peça escrita pela jornalista e dramaturga Beatriz Carolina Gonçalves que chega nesta sexta (17) ao Espaço Cênico do Sesc Pompeia pelas mãos do diretor Roberto Alvim. E pouca coisa vai mudar nas sequências seguintes: para administrar o clima enigmático da história, que pode às vezes atingir a temperatura de um thriller, a autora lança mão de diálogos curtos, narrativa entrecortada e informações que alcançam o público com a economia de um conta-gotas.

Invasor(es) conduz para o palco um tema pouco abordado pelo teatro contemporâneo: as idiossincrasias e os conflitos de terra de um Brasil rural. A autora afirma que, há pouco mais de dois anos, leu em um blog a notícia sobre a intenção de diversos moradores do interior do País de abrir as comportas de um reservatório na região, que operava com a capacidade máxima em função das fortes chuvas registradas naquele período. As águas, caso as comportas fossem abertas, riscariam do mapa casas, lavouras e vilarejos que estivessem em seu caminho. Este episódio forneceu o argumento inicial para a trama e é ele também que, aos poucos, irá desenhar as relações entre o homem e a mulher da peça. O grande acerto do texto é a distância que ele mantém do tom político e da natureza realista dos conflitos rurais. Em seu lugar, surgem em cena relações pessoais marcadas por uma indisfarçável energia sexual e fatos obscuros que remetem ao passado dos protagonistas.

Viva Paris!

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Charles Trenet (1913-2001) é patrimônio francês. Um símbolo. Compositor, artista plástico, poeta. Foi guru de Charles Aznavour e inspirou Yves Montand (1921-1991). Cantor intimista, Trenet encarava a plateia com jeito discreto. Até meio tímido. Montand fazia o contrário. Gostava de ser showman, à moda americana, mais ou menos como o crooner Sammy Davis Jr (1925-1990), um mestre do sapateado e  cômico versátil, além de ótimo imitador (a caricatura que criou de Jerry é impagável). Trenet parou Paris no dia de sua morte (18 de maio); ouvia-se Douce France  por todos os cantos da cidade. É o selo de sua arte: "...Cher pays de mon enfance/Bercée de tendre insoucience/Oui je t´aime/Et je donne ce poème..."  Na década de 1940, essa canção virou hino da Resistência, durante a ocupação nazista.

Montand, cosmopolita, dividia-se entre os shows e o cinema. Atuou em dois filmes emblemáticos, ambos de 1986: Jean de Florete e A Vingança de Manon. E marcou presença como galã em Adorável Pecadora, com Marilyn Monroe (1960). São clássicos de Trenet: La Mer, Que Rest-il de Nos Amours, Revoir Paris, Vous Qui Passez Sans Me voir; En Avril à Paris... Clássicos de Montand: A Paris, Fleur de Seine, La Vie en Rose, Sous Le Ciel de Paris, L´âme de Poètes, Les Feuilles Mortes, Ne Me Quitte Pas...

Trenet e Montand celebraram Paris com alma de poetas. Cada um à sua maneira. Não poderia ser diferente. E Sammy? "Clown" do groupie Sinatra/Dean Martin/Peter Lawford/Joe Bishop, formou com eles o antológico Rat Pack. Nesse clube, atuaram em alguns momentos as atrizes Shirley MacLaine, Lauren Bacall e Judy Garland. Sucesso do crooner Sammy Davis Jr., cuja data de nascimento se comemora hoje: Chicago!, o seu prefixo.