Moto automática. Adeus preconceito
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- Publicado em Quinta, 02 Fevereiro 2012 19:29
- Escrito por Mário Tonocchi
No meu primeiro contato com a VFR 1200F gostei do painel bonito e funcional, girei a chave para On e, automaticamente, a mão esquerda procurou o manete de embreagem sem encontrar nada. Moto automática... resmunguei. Uma semana depois descobri que meu preconceito com a automatização dos câmbios em motocicletas não tinha fundamento.
A sport touring automática da japonesa Honda é realmente surpreendente. E, apesar de ser uma moto para turismo, carrega algumas semelhanças com as motos esportivas que não a deixam tão distante da proposta Super-Sport.
A VFR 1200F tem diversas características impressionantes. A principal delas é o câmbio, isento de manete e de pedal. O piloto opta por três tipos de transmissão no punho direito. O modo "D", de "Drive", é suave e voltado para a economia. Acelerando ela troca marchas lisa e rapidamente mantendo a rotação que se estabiliza entre 2.000 a 3.000 rpm. A moto fica solta e a impressão é que ela está com giro muito baixo para subidas mais íngremes, mas ela vai firme, sem redução de marchas. Nesse modo não aparece o freio motor e isso exige bastante dos potentes freios com ABS.
No mesmo botão do "D" pode-se optar pelo modo automático Sport. O "S" oferece um comportamento interessante. Parece que ela tem uma programação de um piloto experiente. O motor enche e as marchas encurtam acompanhando as reduções. Mesmo mais esperta, como em praticamente todos os câmbios automáticos, perde um pouco nas arrancadas, mas o motor da 1200 fala alto assim que "acorda" muito rápido.
O modo manual é o mais divertido. A seleção é feita no botão também do punho direito AT/MT (automatic transmission/manual transmission) ou quando é acionado um dos botões de avançar ou reduzir marchas. Aqui, em uma reta, você sai em primeira, sobe o giro e vai trocando as marchas em duas borboletas na mão direita sem deixar de torcer o cabo. Mesmo no automático ela continua lisa, sem os trancos em trocas com giros altos com embreagem.
As linhas da sport touring, segundo a Honda, foram inspiradas na moto conceito V4 com carenagem de dupla camada. Isso, além de esconder os parafusos, cria um fluxo de ar interno que contribui para o desempenho aerodinâmico e ajuda no arrefecimento do motor. Mas esquenta bastante as pernas tanto do piloto quanto do garupa na cidade, como é normal em motos carenadas.
Estilo - Lançada no início do ano passado, não existe motocicleta melhor para se exibir nas ruas e nas estradas que a VFR 1200F. Em um passeio de São Paulo a Campinas a moto torceu o pescoço de muita gente. De uma moradora de rua que pedia dinheiro em um dos cruzamentos da Lapa ao funcionário da AutoBan que sinalizava reparos na pista da rodovia Anhanguera, muita gente elogiou o modelo ainda praticamente desconhecido por aqui.
Números - A moto avaliada foi 2011/2011. A potência declarada do motor é de 172,7cv a 10.000 rpm e o torque máximo em 13,2kgf.m a 8.750 rpm. O preço sugerido é de R$ 69,9 mil sem frete e seguro. A VFR 1200F tem freio de mão! Segundo a Honda é para maior segurança no estacionamento, já que não há como desligar a moto e deixá-la engatada quando estacionada em um declive. O sistema de suspensão é agradável para o piloto, mas minha garupa reclamou dos saltos atrás.
O banco é liso. Nas frenagens mais intensas, o garupa escorrega sobre o piloto. A transmissão é por cardã. Robusto, o sistema geralmente interfere na potência o que não acontece com a transmissão por corrente. Mas esse efeito cardã na VFR é mínimo. O tanque tem capacidade para 18,5 litros. No modelo 2012, redesenhado, passou para 19 e ganhou controle de tração. Ainda sem previsão para chegar ao Brasil. Pesa 264 kg e mede 2.244x740x1.222mm.




