Wed05222013

Atualizado em:03:11:26 AM GMT

"Apenas fiz meu trabalho", diz condutor. Metrô troca controles de velocidade.

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Um dia depois do choque de duas composições do metrô na Linha 3 - Vermelha do metrô de São Paulo, o condutor que evitou um acidente com consequências ainda maiores mostrou seu rosto e rejeitou a condição de herói que lhe foi atribuída pelo Sindicato dos Metroviários e até mesmo por policiais que o ouviram em depoimento depois do choque na zona leste.
 
Rogério Fornaza, de 29 anos, cursa o segundo ano de  física na Universidade de São Paulo (USP), começou a trabalhar no Metrô em 2008, mas que só assumiu a função de condutor há pouco mais de um ano. Ao mesmo tempo em que Fornaza dava sua primeira entrevista (ao SPTV, da Globo), a Companhia do Metrô anunciava a troca das placas de controle de velocidade dos trens da Linha 3 - Vermelha.
 
Recusa – Em sua entrevista, Fornaza mostrou-se uma pessoa tímida, de fala curta e, aparentemente, nada impressionado com a fama repentina que adquiriu após o choque dos trens. Sorriu poucas vezes e recusou o rótulo de herói. "Apenas fiz o meu trabalho", disse, profissionalmente.
 
Com o uniforme que usa no dia-a-dia, o condutor lembrou detalhes do choque entre os trens, ocorrido às 9h50 de quarta-feira. Segundo Fornaza, cerca de 20 minutos antes do acidente, o Centro de Controle Operacional (CCO) comunicou, via rádio, um problema técnico no sistema. No entanto, não foi possível identificar o trecho exato onde ele estava ocorrendo. Fornaza seguiu viagem.
 
Não parou – Como tudo funcionava normalmente no piloto automático, coube ao condutor monitorar o desempenho do trem. Na estação Penha, o primeiro sinal de que algo não estava bem. A composição pilotada por Fornaza parou atrás de outra, mantendo a distância de segurança de 150 metros. Logo em seguida, o trem que ia à frente, vazio, avançou alguns metros e logo parou. Ocorre que  trem de Fornaza, lotado de passageiros, não parou, como deveria.
 
"Quando era para ele iniciar a frenagem, pegou um código (de velocidade permitida) mais alto e acelerou sozinho. Nesse momento eu me assustei, apliquei o freio de emergência e houve o deslizamento (da composição sobre os trilhos)", lembrou Fornaza, desta vez ao site G1, também da Globo.
 
Feridos – Aos poucos, a composição começou a perder velocidade, o que levou o condutor a acreditar que conseguiria pará-la sem maiores problemas. "Num certo momento, eu achei que o trem iria parar, mas quando chegou bem perto, estava a uma velocidade de 10 km/h, e eu vi que não (conseguiria parar)", afirmou Fornaza.
 
Vendo que o impacto era iminente, o condutor se preparou para o choque e não se feriu. Contudo, no interior da composição 49 passageiros ficaram feridos. Ao todo, 103 pessoas procuraram unidades de saude do município e do Estado, muitos por conta própria. Herói ou não, Fornaza evitou o pior ao usar o freio mecânico (uma alavanca que é acionada para frente).
 
Emergência – "Naquele momento, depois do impacto, minha maior preocupação foi informar o CCO e chamar a segurança. Fiz o meu serviço. Numa emergência, a gente está ali para atuar", disse o condutor. 
 
Após comunicar o Metrô e a segurança, Fornaza prestou depoimento à polícia, deu explicações sobre o acidente ao Metrô e foi para casa. A partir daí, seu telefone não parou mais de tocar. "Não me deram sossego. Então, fui para a faculdade", afirmou.
 
Outro caso – Fornaza disse que nada mudou em sua rotina e que sua ação foi consequência do treinamento que recebeu. Essa não foi a primeira vez que ele salvou a vida de um usuário do metrô. O condutor contou que há algum tempo um homem tentou se matar, atirando-se nos trilhos, bem à frente de sua composição. Atento, ele conseguiu frear o trem e evitar o atropelamento. (* com agências)
 
Alckmin afirma que sistema é seguro
 
O Metrô anunciou ontem a substituição das placas de controle de velocidade na Linha 3 - Vermelha. A falha nesses componentes é apontada como uma das prováveis causas da repentina aceleração e o consequente choque entre duas composições, ocorrido anteontem, próximo à estação da Vila Carrão, na zona leste.
 
Também ontem, o governador Geraldo Alckmin disse que o metrô paulistano é seguro e prometeu mais investimentos no sistema.
 
A Companhia do Metrô possui cerca de 20 placas de controle de velocidade, instaladas nas salas de controle das principais estações. Cada aparelho controla um trecho da linha.
 
No dia do acidente, a placa que teve defeito ficava na estação Tatuapé e, por algum motivo, ela não identificou que havia um trem parado nos trilhos. Mais: o sistema de controle teria emitido uma ordem de aceleração quando, na verdade, deveria frear o trem.
 
Especialistas - Especialistas e engenheiros mantêm cautela sobre as possíveis causas do choque das composições. É o caso, por exemplo, do engenheiro francês Peter Alouche, um dos responsáveis pela implantação da Linha 1 - Azul, a Norte-Sul.
 
Ele comparou a falha a um acidente vascular cerebral (AVC). "Qualquer sistema de automação, por mais perfeito e seguro que seja, tem o seu momento de AVC. Uma hora entra em colapso", afirmou Alouche. (I.V, com agências)

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