ter 09 23 2014

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2014 será o ano de outra Copa no Brasil. De dominó

Sócios da Federação Paulista de Dominó disputam partidas na sede da entidade, no bairro de Cidade Patriarca, na zona leste da Capital. - Newton Santos/Hype / -

 
Cidade Patriarca fica adiante da Penha. Não tem agência de banco, nem de correio; o comércio, disperso, oferece apenas um pequeno supermercado. Mas o bairro pode se orgulhar de ter uma federação paulista, justamente a de dominó. No começo era meia dúzia de pessoas que, aos domingos, se distraíam com o jogo. Em 2000, resolveram disputar campeonatos. Fundaram o Unidos do Dominó, no ponto de encontro – o Bar do Valdeci.
 
Hoje, como antes, o Valdeci prepara pessoalmente os petiscos. Quando há reunião de diretoria da federação, ocupa seu posto de diretor financeiro. O presidente da entidade, por sua vez, perfila-se entre os que aperfeiçoam sua técnica, nas mesas do bar. É Manoel Mendes Vieira, o Nildo, um representante comercial em vias de se aposentar.
 

Muitas vezes Nildo mais atua como presidente do que joga. A luta da federação é consolidar o dominó como esporte oficial e conseguir patrocínios para disputar campeonatos pelo País – e fora dele. Tarefa complicada.
 
Heróis – No ano passado, em janeiro, foi fundada a Confederação Brasileira de Dominó, com sede em Brasília. Em novembro, teve lugar, na cidade, o 1º Torneio Oficial de Duplas. Da Cidade Patriarca partiram o que Manoel chama de “ dez heróis”. Ele e nove jogadores foram à capital do País participar do torneio. Foram “por conta própria”, conta Nildo. Ou seja, com dinheiro do próprio bolso.
 
Comerciantes do bairro, em todo caso, “entraram com alguma coisa”. Os nomes deles estão estampados nas costas da camisa oficial da Federação Paulista de Dominó, envergada pelos jogadores durante a disputa. Ela tem 13 listras pretas e gola vermelha, “as cores da bandeira paulista”. No torneio, Brasília ficou em primeiro lugar. São Paulo, em sétimo.
 
A pedida, agora, é o campeonato mundial de duplas da Jamaica, no Caribe, em junho. Os jogadores classificados em Brasília (não é o caso de São Paulo) terão recursos para ir? As experiências anteriores não recomendam nada.
 
O dominó tem dois mundiais por ano. Os brasilienses participaram nos da Costa Rica, na América Central, e na Abcácia, na ex-União Soviética, ambos no ano passado. O critério foi o “vai quem pode”. As entidades têm buscado patrocinadores, mas é tarefa inglória.
 
Idosos – As empresas não se animam porque ainda veem o dominó como um passatempo de idosos. Em maio do ano passado, entidades estaduais foram recebidas pelo então ministro interino do Esporte, Vicente Neto. O ministro prometeu apoiá-las institucionalmente.
 
Em termos práticos, o que isso significa? “Apoio moral”, diz Nildo. Orientação, por exemplo, para montar processos de acesso à Lei do Incentivo ao Esporte, caminho para atrair patrocinadores. O ministro não se comprometeu com o reconhecimento oficial do esporte. “Disse que, para ser reconhecido, basta jogá-lo.”
 
Entre os dominoístas, como chamam a si próprios, estava o presidente da Federação Internacional de Dominó, FID, Lucas Guittard. Citou Nildo, por ter sido o primeiro brasileiro a fazer contato com a federação, hoje sediada nos Estados Unidos. “Dei o pontapé inicial”, diz o indicado, na mesa da diretoria, no Bar do Valdeci. Em janeiro último, os representantes dos Estados estiveram com o ministro dos Esportes Aldo Rebelo. Tratou-se do campeonato mundial de 2014 no Brasil. Rebelo elogiou a iniciativa, e prometeu apoio institucional.
 

Enquanto isso, os dias passam tranquilos no Bar do Valdeci, há dezessete anos na mesma rua. “Este bairro parece uma cidadezinha do interior, todos se conhecem”, diz o proprietário, de trás do balcão. Os que jogam dominó ocupam as mesmas mesas que a freguesia comum, entre as que ficam nos fundos da casa. O lugar é adornado por troféus, alguns grandes, conquistados nas partidas de dominó na região.
 
Prevenção – A federação ocupa o andar de cima. Nesse espaço, desimpedido, são jogadas as partidas dos campeonatos. Perto da janela, há uma mesa maciça, guarnecida pelas bandeiras brasileira e paulista. Nela a diretoria despacha. 
 
Nildo mostra ao visitante um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona, na Espanha, sobre a relação entre o dominó e o mal de Alzheimer. O trabalho acadêmico diz que a atividade intelectual e a sociabilidade, proporcionadas por esse jogo, podem reduzir o risco de se contrair a doença.
 
Mundial será em Brasília
 
O Campeonato Mundial de Dominó de 2014, a ser disputado em Brasília, no mês de setembro, deverá contar com mais de 300 duplas de esportistas, vindos de 37 países. O Brasil deve concorrer com duas duplas. Quem serão esses nossos craques? Não há nomes de destaque ou favoritos.
 
As duas duplas vão surgir das disputas em campeonatos estaduais e nacionais. O próximo nacional está previsto para ocorrer em São Paulo, ainda este mês. 
 
Com estas disputas, a Confederação Brasileira de Dominó, Conbrad, está criando um ranking de jogadores, ainda inexistente. Tudo é muito novo, no esporte. A Conbrad foi criada em janeiro do ano passado.
 
Em junho agora, o campeonato mundial será disputado em Montego Bay, na caribenha Jamaica (depois haverá outro na Venezuela; há dois campeonatos por ano). Os brasileiros que nos representarão certamente são craques, mas isso não basta. Sem patrocínio ou outro apoio financeiro, o jogador tem que custear viagem e estadia. Para o mundial de Brasília, espera-se que este problema esteja resolvido.
 
A decisão sobre o mundial no Brasil foi tomada em junho do ano passado, na Costa Rica, na América Central, que sediou um mundial daquele ano. A Federação Nacional de Dominó, FND, com sede na Flórida, Estados Unidos, nomeou o Brasil como integrante, e deu-nos a missão de sediar o campeonato. 
 
Regras preveem até a expulsão do jogador
 
E Não pode falar, claro. Muito menos usar o celular. As mãos têm que estar sobre as pernas, imóveis. Quando a mão se mover para pegar uma pedra, e colocá-la em jogo, o gesto tem que ser direto e determinante. “Pedra pegada, pedra jogada”, diz a tradição, apoiando a regra. Se a mão vacilar, o juiz pune. O faltoso perde pontos.
 

Nos campeonatos de dominó, os jogadores comparecem com a camisa do clube. Vistosa, como as do futebol. E, como neste, o juiz tem à mão o cartão amarelo e o vermelho. E mais um, o negro. 
 
No jogo de duplas, o palco da disputa são uma mesa e quatro cadeiras. Os parceiros, agora como um jogo de buraco, sentam-se frente à frente.
 
Duas duplas, 28 peças de dominó, com seus pontinhos desenhados, de um a seis (algumas sem pontinho, valor zero). Sete peças por jogador. No geral, as partidas duram 300 pontos ou 55 minutos. Mas podem ser menores, de trinta a oitenta pontos, por exemplo. Em grandes eventos, com quarenta mesas, há cinco ou seis juízes de olho. E pessoal da organização do torneio.
 
Pensada – A única concessão ao rigor é a “pensada”. Na sua vez, o jogador demora alguns momentos para agir. Isto funciona como um sinal para seu parceiro. Ele tem que entender o que o autor da “pensada” está justamente pensando, o que está querendo. A experiência e a concentração fazem com que isso seja possível. O parceiro, então, joga de forma a favorecer o pensador.
 
Os juízes e fiscais ficam atentos a outra possibilidade, esta proibida: o trampo. O jogador pode erguer sutilmente um ombro (por exemplo) e assim dar ao parceiro o sinal da jogada a ser feita. No Maranhão, diz Manoel Mendes Vieira, da federação paulista, o trampo é tolerado. Isso, afinal, pode tornar as partidas mais divertidas. Mas está descartado em campeonatos nacionais.
 
No comum, se o juiz perceber alguma irregularidade levanta o cartão amarelo, como advertência. Na reincidência ou caso mais grave, ergue o vermelho. O infrator perde de 10% a 20% do total de pontos da partida (em uma de 300 pontos, pode ficar sem 60 – 20%). O cartão negro expulsa o jogador, em caso de indisciplina. Discutir com o adversário ou o próprio parceiro, por exemplo.
 
Se o jogador pega a pedra e a deixar cair, terá que colocá-la sobre a mesa, à vista de todos. Na sua vez de jogar, é obrigado a usá-la assim que for possível. Se a pedra se encaixa em uma jogada, não pode deixar de fazê-la, mesmo que isso lhe seja desinteressante.
 
No dominó não há drible, gol de placa, exibição de boa forma física. A grande virtude está na concentração. Se Ronaldo jogasse dominó, com qualidades excepcionais, provavelmente ainda seria o Fenômeno. 

alexandre paz silva
gostaria muito de participar.
Segunda, 10 Fevereiro 2014 13:45


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