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O mês de férias escolares já está na sua
segunda metade e só agora chega às telas um lançamento
com o luxo e riqueza que a petizada merece. Piratas do Caribe – o
Baú da Morte, continuação de um grande sucesso
de 2003, não economiza dinheiro nem tempo de projeção
(dura mais de duas horas) para reviver os tempos muito antigos dos
bandoleiros do mar, com sua festiva indumentária de pernas de
pau, olhos de vidro e caras de maus, além de ganchos de ferro
no lugar de antebraços, turbantes e argolas dependuradas nas
orelhas.
| Fotos: Buena Vista/Divulgação |

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O vilão Davy Jones |
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Sparrow, de ar blasé (no
topo);
a mocinha Elizabeth (Knightley), Bloom (acima)
como Will Turner |
Piratas, com o selo do eterno campeão do gênero,
o estúdio Walt Disney, chegou arrasando no mundo e no Brasil
circula com 450 cópias. Foi a maior bilheteria americana de
todos os tempos num único dia, e em dois encheu seu baú com
cem milhões de dólares, deixando para trás grandes
saqueadores de moedas infantis como o bruxo Harry Pottter e várias
geringonças do grande imperador Steven Spielberg. É uma
proeza e tanto para personagens tão antigos, além de
andrajosos, sem nada dos raios high-tec dos modernos ou futuristas
piratas das galáxias.
Parte da aclamação talvez se explique porque o filme
torna real o sonho nem sempre secreto de tantas crianças, a
começar pela falta de banho dos personagens. Os navios em que
eles viajam são tão imundos e bagunçados como
a meninada deseja que assim deveriam ser seus próprios quartos
de dormir. Há um desfile de desdentados e gente de aspecto repulsivo
em variados graus. Claro que tudo é tratado em tom de comédia,
para não incentivar maus hábitos de higiene, e a atração
fatal corre por conta do grande atrativo deste tipo de filme, que é o
apelo ao sobrenatural e a nomes cabalísticos como Pérola
Negra.
Segredo - Há também uma história do arco da velha
para ser contada. O capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) e
seus companheiros Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann
(Keira Knightley)
procuram alguma coisa secreta e muito cobiçada, enfrentando
o grotesco vilão Davy Jones (Bill Knight), o comandante das
profundezas do mar, que é pegajoso-esverdeado e tem dedos que
parecem serpentes. Nativos selvagens daquelas ilhas onde vão
parar os atormentam. Pior do que tudo, há um monstro em forma
de polvo cujo hálito é tão ruim, numa outra nojeira
apreciada pelas platéias mirins, que dizem lembrar o fedor de
corpos em decomposição. Enfim, brilha um cachorro simpático
e esperto, outro brinquedo muito apropriado ao gênero, a quem
os roteiristas Ted Elliott e Terry Russo reservam um destino surpreendente.
Mas isto só pode ser visto depois que o filme acaba, num adendo
que se segue à projeção dos créditos (para
saber do que se trata, é preciso esperar o quilométrico
desfile dos nomes de técnicos que trabalham em
superproduções deste porte).
O filme não chega a valer todo o ouro que vem sendo surripiado
dos bolsos dos papais, mas uma certa graça se mantém
nas roupas extravagantes e no meio a tantos tombos, lutas de espada
e tiros de canhão. Assina a direção Gore Verbinski,
que é uma espécie de Spielberg que passou do ponto. Levam-no
muito a sério como publicitário, tanto que já arrebatou
alguns dos cobiçados Leões em que festivais recompensam
os melhores criadores de reclames (anúncios) de todo o mundo.
No cinema, não é para ser levado a sério como
vendedor de produtos pois seu único compromisso é com
os folguedos e fantasia próprias da primeiríssima idade.
Não é à toa que seus filmes anteriores se chamam
O Ratinho Encrenqueiro e A Máquina do Tempo.
| Piratas
do Caribe: O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean:
Dead Man`s Chest, Estados Unidos, 2006, 150 minutos). Direção:
Gore Verbinski. Com Johnny Depp, Bill Nighy, Geoffrey Rush, Jack
Davenport, Keira Knightley, Keith Richards, Mackenzie Crook,
Naomie Harris, Orlando Bloom, Stellan Skarsgard, Tom Hollander. |
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Peter Pan e o feroz
Capitão Gancho
O escritor escocês James Matthew Barrie (1869-1937)
criou Peter Pan ao contar histórias mirabolantes aos filhos
de uma grande amiga, Sylvia Davies. Antes de aventurar-se na literatura,
Barrie trabalhou duro como repórter do Nottingham Journal,
em Forfarshire, onde nasceu. Repórter? Para Barrie, era um sacrifício
o dever de ater-se ao factual. Sua vida, ao contrário, comparava-se
ao cotidiano daquele menino chamado Peter Pan, habitante da Terra do
Nunca. Peter Pan, forte em sua doce fragilidade, virava gigante à frente
do Capitão Gancho, um sujeito de maus bofes, pirata-bufão,
incapaz de compreender que o poder é também uma armadilha.
Entre ambos, flutuava Wendy (a fada Sininho, sempre a favor de Peter
Pan, é lógico). O personagem de Barrie inspirou, primeiro,
uma peça de teatro (1904), depois um livro. Em 1953, Walt Disney
encantou-se com a história e a transformou em filme um clássico
da animação (à esq). Em 1991, Steven Spielberg
("Sou
eternamente criança", costuma dizer) embalou a obra-prima
de Disney em fita com atores de carne e osso. Dustin Hoffman no papel-título,
Hook (Capitão Gancho); Julia Roberts, Wendy; Robin Williams,
Peter Pan (crescido!). No Brasil, Monteiro Lobato também não
resistiu ao feitiço de Barrie. E incumbiu Dona Benta, lá no
Sítio do Pica-Pau Amarelo, de contar a Narizinho e Cia. as proezas
de Peter Pan, o herói da Terra do Nunca. Que, por isso mesmo,
jamais será a nossa. (MMJ) |
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