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Para analistas,
segurança no Pan favoreceu
Olimpíada em 2016
RIO
DE JANEIRO - Os Jogos Pan-americanos
de 2007 confirmaram a tradição
de que o Rio de Janeiro, apesar
dos seus índices altos de
criminalidade e corriqueiras ondas
de violência, consegue realizar
eventos internacionais de grande
porte em ambiente de relativa tranqüilidade.
No quesito segurança, a experiência
com o Pan deve contribuir com pontos
positivos para o projeto Rio 2016,
que pretende levar os Jogos Olímpicos
para a cidade.
"Não surpreende que
uma cidade, que desde janeiro está em
crise de segurança, se acalme
durante um grande evento. Os próprios
réveillons em Copacabana mostram
essa tendência", diz Silvia
Ramos, coordenadora do Centro de
Estudos de Segurança e Cidadania
da Universidade Cândido Mendes.
A Conferência Rio-92 é outro
exemplo bastante lembrado de um Rio
calmo e seguro durante uma grande
ocasião.
Para Ramos,
no entanto, essa segurança
não tem como se manter quando
a cidade volta a sua rotina. "No
Pan, há operações
ostensivas em várias áreas
da cidade. Essas operações
não são sustentáveis.
Todo o efetivo da PM foi colocado
na rua, e isso é insustentável
a longo prazo. Também não
se sustenta o contingente da Força
Nacional atualmente no Rio."
Para a cientista
social, o Pan prova que o Rio de
Janeiro tem condição
de garantir a segurança para
a realização das Olimpíadas.
"E isso não é patriotada,
não. Acho que o Pan é mais
uma experiência em que uma
grande operação articulada,
que não existe no dia-a-dia,
produz uma ordem real. A cidade acaba
criando uma espécie de experiência
acumulada nesse tipo de evento."
O pesquisador
Ignácio Kano
concorda que a segurança propiciada
ao Pan não é novidade
no Rio de Janeiro. "A cidade
recebe corriqueiramente milhares
de turistas e lhes garante segurança.
As áreas nobres da cidade
têm razoável segurança.
Quem não costuma ter segurança
no Rio continuou sem segurança
durante o Pan", diz Kano, em
referência aos moradores das
favelas e periferias da cidade.
"O problema das Olimpíadas
no Rio é mais infra-estrutura
do que segurança. Acredito
que seja possível organizar
Olimpíadas com segurança
no Rio, mas elas não serão
na Maré ou no Alemão.
A cidade continua partida",
complementa.
Para o educador
e pesquisador Marcelo Paula de
Melo, a mensagem que o Pan
deixa para a população
carioca sobre segurança não é das
melhores: "Para os turistas
tudo, para vocês que viverão
aqui todo o restante do ano o de
sempre".
A cientista
social Silvia Ramos diz ver de
forma diferente a situação
e não lamenta o fato de a
cidade só ficar tranqüila
em épocas como a do Pan. "O
Rio tem tido tantas tragédias,
tantas frustrações
nessa área de segurança,
que esse período do Pan fez
bem."
Fonte:
BBC/AE
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