Prontos para o Pan
Depois de cinco dias de provas, dezenas de tiros de partida, muito suor e lágrimas derramadas durante o Troféu Brasil, no Ibirapuera, está pronta a equipe brasileira de atletismo que vai disputar os Jogos Pan-Americanos do Rio. Serão 85 atletas, 46 homens e 39 mulheres, com o objetivo de superar o recorde brasileiro na competição, de 16 medalhas - 7 de ouro - obtidas no Pan de Winnipeg, em 1999. Se valer o pique do casal Gomes dos Santos, está no papo.
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Thomas Bohlen/Reuters |
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| Jadel Gregório |
Marilson, o marido, já tinha garantido a vaga nos 10 mil metros durante a semana. Ontem, no último dia de disputa, confirmou presença nos 5 mil. Recordista sul-americano nas duas provas, Marilson abriu mão da maratona, depois da vitória em Nova York que o deixou mundialmente famoso no ano passado, para conseguir o ouro que ficou próximo há quatro anos, em Santo Domingo: foi prata nos 10 mil e bronze nos 5 mil metros. Juliana, sua mulher, não deixou por menos e garantiu ontem a vaga nos 1.500 m, dias depois de se classificar para os 800 m. "Estou na cola dele. Ele vai a duas provas, e eu vou também", brincou Juliana.
Jadel Gregório mostrou ontem que é favoritíssimo ao ouro: saltou 17,70 metros e venceu o Troféu Brasil, embora tenha acabado de fazer uma mudança - na Inglaterra, onde vive - e de ser pai. "Achei que nem iria saltar direito porque estou muito cansado", contou. Mas descansar não está nos planos: antes do Pan, ele corre ainda em Paris e Roma, pela milionário Golden League, que distribui US$ 1 milhão em prêmios. "Isso não é problema nenhum para mim, eu adoro saltar", disse.
O símbolo do último dia, porém, foi o amazonense Sandro Viana, que chegou praticamente anônimo ao Troféu Brasil e saiu como astro, classificado para correr as duas provas mais velozes do atletismo, os 100 m e 200 m rasos, além de participar do forte revezamento 4 x 100 m, que já foi vice-campeão olímpico. Ontem, com sua vitória nos 200 m, garantiu sua vaga e a classificação do amigo Vicente Lenílson. Saiu rouco da pista, de tanto vibrar e dar entrevistas.
Sandro tem a biografia típica do atleta brasileiro: alternou o esporte com o trabalho como corretor em Manaus até os 28 anos, quando perdeu o emprego e decidiu jogar todas as fichas no atletismo. Em 2005, no dia de seu aniversário de 28 anos, viajou para São Paulo - antes, brigou com a mulher. No Ibirapuera, festejou as vitórias com a bandeira do Amazonas, para espanto de quem não conhecia as cores do Estado. "Acharam que era a bandeira dos Estados Unidos." |