Thiago Pereira nadou mais de 3 mil metros para conquistar seis
medalhas de ouro, uma de prata e uma bronze e bater cinco
recordes dos Jogos Pan-Americanos e sete recordes sul-americanos. "Acho justo dizer que esse foi o Pan da natação", festeja César Cielo,
ouro nos 50 e nos 100 metros livre.
 

Se fosse um país, o brasileiro Thiago Pereira teria fechado o domingo em nono lugar nos Jogos Pan-Americanos, com seis medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, resultado que o coloca à frente de 33 delegações enviadas ao Rio.

Thiago Pereira foi o grande destaque da natação brasileira, que encerrou sua participação no Pan do Rio com o recorde de 29 medalhas, superando as 21 que havia conquistado em Santo Domingo em 2003. Foram 12 de ouro, sete de prata e dez de bronze, deixando o Brasil em segundo lugar na classificação geral do esporte - os Estados Unidos, mesmo com um time B, foi o melhor, com 41 medalhas (21 de ouro, 15 de prata e cinco de bronze).

Rodrigo Clemente/AE

O Pan do Rio marcou também a conquista da primeira medalha de ouro da natação feminina do Brasil. Foram duas, aliás, ambas conquistadas por Rebeca Gusmão - nos 50 e 100 metros livre. Rebeca ganhou ainda prata com a equipe do revezamento 4x100 metros livre e bronze no 4x100 metros medley.

"Sei que o Pan ainda não acabou, mas é justo dizer que esse foi o Pan da natação", festeja o velocista César Cielo, outro dos destaques da competição, com vitórias nas nobres provas dos 50 e 100 metros livre. Kaio Márcio, ouro nos 100 e nos 200 metros borboleta, concorda: "Tínhamos a melhor seleção de todos os tempos antes do Pan, mas faltava nadar. Conseguimos nadar e superar as nossas expectativas."

Os resultados da natação brasileira no Pan chamaram a atenção do ex-nadador Fernando Scherer, o Xuxa, dono de duas medalhas olímpicas: "É preciso ter apoio, patrocínio, investimento, competições internacionais, treinamento em altitude, tudo o que essa garotada necessita para fazer resultado. O resultado está aí. Investiram no Pan e deu certo." Xuxa lembra, porém, que o Brasil não se pode enganar com os resultados do Pan ao pensar na Olimpíada. "Aqui é uma coisa e lá é outra, com Michael Phelps, Ryan Lochte (dois astros da natação dos EUA). Mas se o Thiago continuar nesse ritmo, com certeza pode ganhar uma medalha olímpica. Não vou falar em ouro porque vencer Michael Phelps é algo que não se imagina que alguém possa fazer. O Cielo tem a prova aberta, nos 100 e nos 50 metros. E fazendo 21 segundos como fez nos 50 metros pode estar numa final olímpica e até ganhar o ouro."

A semana de glórias terminou neste domingo para Thiago Pereira, com uma medalha de bronze, nos 100 metros costas, e outra de prata, no revezamento 4x100 metros medley. Ao todo, o fenômeno da natação brasileira disputou oito provas nos Jogos Pan-Americanos do Rio - mais de 3 mil metros competindo - e não poderia ter balanço mais positivo. Deixou o Pan exausto, mas com a sensação de missão cumprida: além das oito medalhas, sendo seis de ouro, bateu cinco recordes pan-americanos e sete sul-americanos.

Jonne Roriz/AE

Ele faz um balanço do desempenho no Rio: "Não poderia ser melhor. Era um sonho antes de vir para cá. Sabia que seria difícil, que eu teria uma semana longa. Foi um pouco até além do esperado". Thiago aponta a vitória nos 200 metros medley como seu melhor resultado. "Acabei melhorando meu tempo e nadando na casa do 1m57, mesmo cansado de outras provas."

Ontem, depois das provas, ele visitou a Praça das Medalhas em Copacabana e jantou com a equipe de natação do Brasil. Hoje, Thiago deixa a Vila do Pan e ainda não sabe como vai dar conta dos pedidos de entrevistas que tem de agendar para a semana.

Enquanto curte a fama, pensa no futuro: "Sei que Pan é Pan e Olimpíada é Olimpíada. É começar tudo de novo, focar em mais um ciclo até Pequim. Treinar e fazer igual ao que eu fiz para esse Pan. Comecei a pensar nele em outubro. Vou dar uma descansada e voltar a treinar para Pequim", avisa o brasileiro. Com índices olímpicos em seis provas, Thiago deverá nadar em Pequim apenas naquelas em que tem mais chances de medalha, como os 200 e os 400 metros medley, os 200 metros peito e os revezamentos.

Ele sabe que vai enfrentar cobranças após os seus resultados no Pan, mas acha que está preparado. "Vou ter de saber lidar com isso e quem sabe eu vou estar em Pequim brigando com o Phelps", sonha o garoto que, depois da campanha no Pan do Rio, se transformou num grande ídolo do esporte brasileiro. "Não tenho noção de como está lá fora, mas sei da cobrança que haverá para a Olimpíada. Tenho mais um ano para me preparar e esse Pan foi uma prova de que estou bem psicologicamente", festeja o nadador de ouro.

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