Lula confessa ter ficado triste com vaias na abertura do Pan

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter ficado triste com as vaias que recebeu na abertura dos Jogos Pan-Americanos, na sexta-feira, 13, no Rio. Em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, Lula disse que foi preparado para um festa, 'mas não interessa o que aconteceu". "É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá".

Otimista, Lula já está de olho nos próximos grandes eventos esportivos. "O que nós precisamos torcer é para que as pessoas saiam daqui com uma imagem altamente positiva da capacidade de organização que o Brasil tem para fazer eventos internacionais dessa magnitude. Aí sim, nós poderemos começar a pensar concretamente na Copa do Mundo 2014 e pensar na organização de uma Olimpíada, quem sabe, em 2016".

O presidente disse que, antes da festa, visitou a Vila Olímpica e que os atletas foram "unânimes" para dizer que nunca tinham visto nada com a qualidade como que o Brasil está oferecendo.

O governo federal investiu R$ 2 bilhões no Pan. Lula disse que o Rio foi beneficiado com a parceria entre os governos municipal, estadual e federal. "Quando há disputa política a coisa fica mais encrencada".

O ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, opinou que as vaias que o presidente Lula recebeu no Estádio do Maracanã seriam o resultado de uma "armação" relacionada à batalha política.

"O presidente Lula foi para o Maracanã com o espírito aberto, desarmado; foi para um congraçamento do esporte das Américas e não foi para nenhum ato político", alfinetou o ministro durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes. "A minha impressão é de que houve algum tipo de armação", frisou Orlando Silva.

Oposição

A oposição comemorou as vaias. "É bom para ele não se achar dono da opinião pública e saber que há súditos que vaiam", comentou no domingo o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB. "Essa ação no Maracanã foi fruto de irreverência, um gesto de meninada que quer fazer barulho", rebateu o senador Romero Jucá (RR), líder do governo. Ele lembrou que o escritor Nelson Rodrigues dizia que no Maracanã as pessoas vaiam até minuto de silêncio.

Os oposicionistas entenderam que a vaia no Maracanã adveio de um conjunto de pessoas que não formam no público que aprova o presidente. "Ficou claro que uma parcela da população o rejeita", disse ACM Neto.

'Molecagem'

Lula foi vaiado ao menos cinco vezes quando seu nome foi anunciado. Na cerimônia, um microfone havia sido preparado para o presidente declarar os jogos abertos- mas a idéia acabou abandonada, sem mais explicações.

Segundo um assessor de Lula, ele teria classificado a manifestação como "molecagem", e , muito irritado, teria dito: "Eu não tenho medo de vaia."
O presidente estava acompanhado de da primeira-dama, Marisa Letícia.

Fonte:Reuters/AE