Acabo de ler a entrevista
do sr. Rubens Requeijão na revista Caros Umbigos, e lá vem
de novo esse personagem de comédia da Atlântida tentando
assustar criancinhas com o fantasma do "neoliberalismo" -
o culpado de todos os males.
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Mas é só um exemplo entre infinitos. A facilidade, a
desenvoltura, a segurança com que no Brasil se usa esse termo,
como se designasse uma entidade patente e arquiconhecida, é para
mim o sinal mais evidente da psicose nacional, do completo divórcio
brasileiro entre linguagem e realidade.
É
deprimente observar como os autoproclamados representantes do "pensamento
crítico", incapazes da mais elementar análise crítica
de seu próprio discurso, se deixam hipnotizar pelas palavras
que empregam. Não existe nenhum "pensamento crítico" se
você continua preso numa malha de compactados verbais, impotente
para descascar suas várias camadas de significado e confrontá-las
com os dados de realidade que presumidamente elas designam. Só o
que existe, nessas condições, é pensamento mágico, é automacumba
semântica.
"Neoliberalismo", no vocabulário usual da esquerda - que
no Brasil de hoje é o da mídia e da intelectualidade
inteiras -, é uma corrente de opinião que favorece
(a) a livre-empresa contra a intervenção estatal na
economia, (b) o globalismo em detrimento dos interesses nacionais
e (c) a moral
judaico-cristã tradicional em oposição aos princípios "politicamente
corretos", buscando, por esses três meios, (d) ampliar
a hegemonia norte-americana no mundo em prejuízo dos interesses
das nações pobres. Com essas características,
o neoliberalismo aparece como (e) sinônimo da "direita",
dando-se por pressuposto que (f) é a ideologia dominante no
mundo dos negócios e entre os políticos antipetistas
e anti-esquerdistas em geral.
O
termo “neolibe-ralismo” foi inventado para enganar
os nacionalistas, camuflando a aliança discreta entre
a esquerda latino-americana e os poderes globais.
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Dado o objeto, só resta tomar posição diante dele:
a primeira coisa que no Brasil se espera de um político, de
um jornalista, de um formador de opinião, é que se defina
- ou consinta em ser definido pelos outros - a favor ou contra o neoliberalismo.
Tal seria a questão fundamental, o supremo divisor de águas
que separa não apenas duas correntes políticas, mas dois
sistemas de valores, duas concepções da existência.
A síntese dos elementos designados pela junção
das camadas de significado forma um desenho apto a despertar o ódio
dos nacionalistas, terceiromundistas e progressistas em geral. Como
slogan político criado para reunir forças num vasto front
anti-americano, o termo é perfeitamente apropriado.
Só resta perguntar se o objeto assim concebido pode existir
efetivamente ou se, ao contrário, o impacto persuasivo da palavra
não reside precisamente no fato de que ela junta numa síntese
ideal elementos que, na realidade, só podem existir como entidades
separadas, heterogêneas ou antagônicas. Um breve exame
tirará isso a limpo:
1) Globalismo
não é simples abertura de mercados: é introdução
de regulamentações em escala mundial que transferem a
soberania das nações para organismos internacionais.
Nenhum apóstolo da economia de mercado é sonso o bastante
para não perceber, hoje em dia, que a abertura das fronteiras
arrisca não produzir um paraíso de liberdade econômica,
e sim a proliferação de legislações e controles
em escala global - o Leviatã dos leviatãs. A incompatibilidade
lógica traduz-se, no plano da ação política,
como briga de foice entre os liberais clássicos e os planejadores-legisladores
econômicos globais. Nos EUA, isso é um fato do dia-a-dia.
Mas, como no Brasil e em outros países da América Latina
a mídia intoxicada de lendas esquerdistas jamais menciona esse
fato, a união harmônica e indissolúvel de liberalismo
clássico e globalismo pressuposta no conceito de "neoliberalismo" parece
não só viável como realmente existente. Rarissimamente
encontrei entre brasileiros um colunista de mídia, cientista
social, empresário, analista econômico ou estrategista
militar que tivesse alguma consciência desse engano monumental.
2) Um
dos temas mais discutidos nos EUA é a contradição
aparentemente insolúvel entre abertura econômica e segurança
nacional. Os chineses, por exemplo, têm alguma chance de vencer
a Chevron na concorrência para a compra da Unocal (a nona maior
companhia americana de petróleo), mas, se isso acontecer, as
conseqüências estratégico-militares podem ser desastrosas.
A maior parte dos poços da Unocal está na Ásia,
mais perto da China que dos EUA. Se os chineses cumprirem sua ameaça
de invadir Taiwan, a quem a Unocal chinesa vai fornecer combustível?
A eles ou às tropas americanas, comprometidas a defender a ilha
custe o que custar? E não são só as empresas privadas
que, na sua ânsia de livremercadismo absoluto, colocam o país
em risco. O próprio governo americano, semanas atrás,
estava quase fechando um negócio bilionário de venda
de reaores nucleares à China, quando a Câmara dos Deputados,
no último instante, vetou a brincadeira. Afinal, só um
doido canta vitória comercial quando consegue bom preço
na venda de armas ao inimigo que jurou matá-lo. Diante de fatos
dessa envergadura - e eles são milhares -, como acreditar nos
tagarelas brasileiros quando proclamam que a "idolatria do mercado" é um
instrumento do poderio americano? Aqui, quem grita contra essa idolatria
são precisamente os conservadores. Há pelo menos dez
anos eles estrilam contra a orgia de investimentos na China, que os
economicistas de plantão justificavam sob a desculpa da liberdade
econômica, dotada, segundo eles, do poder miraculoso de gerar
a liberdade política. Hoje as conseqüências dessa
ilusão são tão evidentes que há mesmo quem
suspeite que ela foi plantada na mente dos investidores americanos
com o propósito consciente de esvaziar a ideologia capitalista
dos valores morais e culturais que a sustentam, reduzi-la a um triunfalismo
econômico suicida e usá-la como instrumento de liquidação
das defesas nacionais americanas. Se essa hipótese lhes parece
demasiado assustadora para ser verdade, lembrem-se de que a abertura
econômica acoplada à destruição sistemática
das bases morais do americanismo foi a marca registrada da era Clinton
- e ninguém aqui ignora a intensa troca de favores entre os
Clintons e a espionagem chinesa. Como lembrou o colunista Terence P.
Jeffrey no semanário Human Events - de muita influência
nos círculos republicanos -, os chineses leram Clausewitz e
chegaram à conclusão de que comprar certos bens de capital é também "fazer
política por outros meios", isto é, guerra por
outros meios.
Não
existe "pensa-mento crítico" se você está preso
numa malha de compactados verbais, sem confrontá-la
com
a realidade.
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3) Se
identificar o globalismo com a ambição nacional americana
já é maluquice bastante, ainda mais insano é associá-lo
ao conservadorismo religioso que, nos EUA, vem crescendo ano após
ano. Para o automatismo mental brasileiro, nada mais óbvio e
autoprobante do que essa associação. O cérebro
nacional acostumou-se a saltar direto das palavras às reações
emocionais que elas evocam, sem a menor necesside de referência
a alguma realidade do mundo exterior. Assim, a associação
verbal é infalível: religião = reacionarismo;
reacionarismo = capitalismo; capitalismo = imperialismo ianque; imperialismo
ianque = globalismo; globalismo = neoliberalismo; logo, a moral religiosa
tradicional é um instrumento do neoliberalismo. Esse método
puramente galináceo de raciocínio é hoje obrigatório
em todas as universidades brasileiras, e tamanha é a sua autoridade
que a simples tentação de corrigi-lo já desapareceu
do fundo das almas. Deve portanto soar como um escândalo intolerável
a informação que vou dar a seguir: todos os conservadores
religiosos americanos - cristãos ou judeus - são, em
maior ou menor medida, contra o globalismo. E são contra por
um motivo muito simples: o projeto de cultura mundial administrada,
que vem junto com a uniformização econômica do
planeta, traz no seu bojo as sementes de uma neo-religião híbrida,
meio ecológica, meio ocultista, criada em laboratório
por engenheiros comportamentais da ONU (procurem saber quem é Robert
Müller), e cuja implantação resultaria pura e simplesmente
na destruição completa do cristianismo e do judaísmo.
Não foi por coincidência que uma onda de anti-semitismo
e anticristianismo se espalhou pelo planeta nas últimas décadas:
ela veio por intermédio da rede global de ONGs subsidiadas pela
ONU e por fundações milionárias, empenhadas na "guerra
cultural" pela criação de uma civilização
biônica inaceitável para toda mentalidade religiosa tradicional.
Mais especialmente, o ataque cultural globalista se volta contra a
cultura americana, tentando criminalizar e destruir as suas raízes
judaico-cristãs e substituí-las por uma nova moral abortista
e hedonista adornada pelo culto de Gaia ou fetiches similares. Nos
EUA não há quem não esteja consciente de que esse é o
verdadeiro divisor de águas, o verdadeiro campo de combate pelo
domínio dos corações e mentes no século
XXI. Os debates brasileiros passam a anos-luz de distância
do centro dos acontecimentos.
4) Por
fim, é absolutamente falso que a esquerda, no Brasil ou
em qualquer outro país do continente, oponha alguma resistência
ao globalismo, exceto o mínimo indispensável para fins
de camuflagem. Nenhuma corrente política existe para se opor àqueles
que a subsidiam. As fontes de dinheiro para a esquerda, tanto na América
Latina quanto nos EUA e na Europa, são hoje bem conhecidas,
e elas são precisamente as mesmas que, a pretexto de livre mercado,
financiam o estabelecimento da Nova Ordem Global: as fundações
Ford, Rockefeller, MacArthur e sobretudo a rede tentacular de agentes
do multibilionário golpista George Soros - eis aí os
grandes financiadores e protetores do chavismo, do lulismo, do fidelismo
e de todas as demais patologias políticas que, numa atmosfera
geral de loucuras e mentiras, tem se apossado velozmente do poder em
várias nações do continente. A essas fontes capitalistas
devem somar-se os agentes políticos (Partido Democrata, Diálogo
Interamericano, os Clintons, os Kennedys e uma multidão de Carters)
que ajudam a drenar para os mesmos destinatários o dinheiro
do governo americano, principalmente as verbas da USAID. O leitor encontrará nos
sites www.discoverthenetwork.org e www.activistcash.com um mapeamento
bem minucioso da circulação de dinheiro entre os potentados
do globalismo e as organizações que, na América
Latina e em outras partes do Terceiro Mundo, fingem combatê-los.
Essa elite invariavelmente toma partido da burocracia mundial quando
esta fere o interesse nacional dos EUA, tal como aconteceu na guerra
do Iraque, nas discussões sobre o Tratado da Lei do Mar, na
introdução da moral "politicamente correta" na
educação americana, etc. Financiando a esquerda do Terceiro
Mundo, ela tem a seu serviço um útil instrumento para
enfraquecer a resistência americana, facilitando a implantação
do governo mundial que a ONU já declarou ser seu objetivo prioritário
para as próximas décadas.
É insano
associar o globalismo a ambição nacional americana
e ao conservadorismo religioso que cresce ano após ano.
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Para isso, precisamente, serve o termo "neoliberalismo":
para ludibriar nacionalistas sonsos nos países pobres, desviando
suas pretensões de resistência antiglobalista para canalizá-las
no sentido de um anti-americanismo despropositado que, hoje, é um
dos instrumentos essenciais da ascensão da burocracia mundial.
Intelectuais esquerdistas tagarelas do Terceiro Mundo são os
tipos mais caricatos e desprezíveis que a humanidade já conheceu.
Estão sempre dispostos a inventar belas desculpas para servir
a tudo o que não presta.
Quem quer que use o termo "neoliberalismo" com ares de falar
a sério só pode ser um manipulador de idiotas ou um idiota
manipulado. Não creio que algum dia terei interesse em saber
em qual dessas duas classes se incluem o sr. Requeijão e
os redatores de Caros Umbigos. |