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Quem quer que saiba
o que é lógica tem a obrigação de saber
também que, se a demonstração da existência
de Deus pode ser difícil, a da Sua inexistência é absolutamente
impossível. Tanto é impossível que nenhum ateu
jamais tentou sequer formulá-la. Todos limitam-se a argumentos
periféricos e ocasionais, voltados antes a detalhes de doutrina
religiosa, perfeitamente discutíveis em si mesmos, do que ao
centro inexpugnável da questão.
Essa impossibilidade não era desconhecida dos maiores pensadores
ateus do passado, que a contornavam sem poder enfrentá-la. A
quase totalidade dos que polemizam hoje em favor do ateísmo
- e eles ultimamente se multiplicam como ratos de esgoto - não
têm o menor pressentimento dela, embora esbarrem nas suas fronteiras
a cada instante. A maioria apela em última instância ao
argumentum ad ignorantiam, declarando com patética inocência
que aquilo que desconhecem não pode existir. Esses são
invencíveis na discussão, pois nenhum argumento tem o
poder de infundir inteligência no ouvinte que uma sólida
aliança da genética com a má educação
tornou irremediavelmente estúpido. Sob esse ponto de vista,
o ateísmo parece ter um futuro brilhante.
A tese ateística não sendo logicamente defensável
até suas últimas conseqüências, os inimigos
de Deus acabaram-se distribuindo em tribos diversamente localizadas,
cada qual atacando o problema por um pedacinho da borda, não
na esperança de chegar um dia ao centro, mas na de vencer a
platéia pelo cansaço, persuadindo-a enganosamente de
que a soma infindável de argumentos relativos tem o valor e
a autoridade de uma prova absoluta.
As principais dentre
essas tribos são
as seguintes:
a) Os ateus propriamente ditos, que mesmo não sabendo disto
são campeões da fé, na medida em que apostam naquilo
que ninguém jamais poderá provar. Muitos deles, abdicando
previamente de enfrentar a dificuldade intransponível inerente à sua
tese, dispendem energias colossais em operações diversionistas
como a do dr. Richard Dawkins, apegado à esperança de
que a simples hipótese de poder o mundo ter surgido sem Deus,
se formulada com sofisticação matemática bastante,
já venha a resolver o problema inteiro, como se uma possibilidade
teórica pudesse, por si, ser prova de realidade efetiva.
b) Os deístas, que, cientes da impossibilidade de livrar-se
completamente de Deus, tratam de diluí-Lo numa noção
tão geral, tão vaga e tão abstrata que, no fim
das contas, é como se Ele não existisse. A melhor solução
para eles é a teoria do deus ocioso - muito em voga no tempo
do mecanicismo renascentista -, o qual teria criado o mundo segundo
regras tão fixas e imutáveis que toda interferência
do criador se tornou desnecessária uma vez pronto o mecanismo
do mundo. É a imagem do relojoeiro que, terminada a construção,
dá corda no relógio e vai dormir. Não precisamos
discutir essa puerilidade.
c) Os agnósticos, que professam voltar as costas ao problema
de Deus e, modestamente, lidar apenas com questões acessíveis
aos métodos da moderna ciência natural, mas, feito isso,
proíbem a investigação de qualquer objeto que
esteja fora do alcance desses métodos ou proclamam abertamente
a inexistência dele, mostrando ser ateus disfarçados que
optaram por dificultar o acesso àquilo cuja inexistência
não puderam provar.
d) Os gnósticos, que admitem a existência do criador mas
proclamam que ele é mau, que fez o mundo contra a vontade do
verdadeiro Deus, ente espiritual puríssimo que jamais sujaria
suas excelsas mãozinhas numa porcaria dessas; donde se segue
a obrigação máxima do crente gnóstico,
a qual consiste em destruir o mundo ou modificá-lo radicalmente,
de preferência destruindo-o primeiro para depois substituí-lo
por algo de totalmente diferente. Dessa proposta dupla do movimento
gnóstico nasceu uma pluralidade caótica de seitas, das
quais algumas se transformaram em movimentos de massa a partir do século
XVIII, gerando as ideologias revolucionárias do anarquismo,
do comunismo, do nazismo, do fascismo, do positivismo e da tecnocracia,
bem como, para além delas, a proliferação de ocultismos
da "Nova Era" e o plano da "Nova Ordem Mundial" ao
qual esses ocultismos não servem senão de instrumento
provisório.
Os
ateus são campeões da fé, na medida em
que apostam naquilo que ninguém jamais poderá provar
(...)
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O gnosticismo é a ideologia suprema do nosso tempo, destinada
a reinar soberana sobre uma humanidade idiotizada tão logo as
religiões tradicionais se tornem incompreensíveis para
as multidões e possam ser sintetizadas num culto biônico
sob a administração da ONU ou órgão equivalente
auto-incumbido das funções de governo do mundo. A proposta é tão
virulenta, absurda e infame que, embora já esteja em fase avançada
de implementação (v. o livro de Lee Penn já várias
vezes citado aqui, False Dawn), jamais é apresentada em público
com franqueza, apenas difundida indiretamente através de eufemismos
anestésicos.
Na verdade, o ateísmo, o deísmo e o agnosticismo já não
têm qualquer energia própria. Propugnados por saudosistas
do iluminismo voltaireano e do cientificismo positivista, tornaram-se
instrumentos auxiliares que concorrem para criar a confusão
necessária à implantação da nova religião
universal, sendo por isso fomentados e subsidiados pelas mesmas fontes
que a originam, entidades perfeitamente respeitáveis em aparência
que são também as forças propulsoras de movimentos
revolucionários e subversivos em várias partes do mundo.
Até há algum tempo, tudo isso era apenas uma suspeita,
e a investigação dos fatos por trás dela se misturava
inevitavelmente a doses maciças de especulação
imaginária, preconceitos monstruosos, desinformação
proposital e um bocado de pseudociência. Foi a época das "teorias
da conspiração".
Hoje, os mesmos avanços tecnológicos que deram a esse
movimento o impulso formidável da organização
em "redes" tornaram fácil identificar essas redes
e todas as suas conexões internas e externas, apreendendo a
unidade por trás de uma multiplicidade que de outro modo seria
desnorteante. O simples estudo da circulação de dinheiro
entre fundações, governos, ONGs, movimentos terroristas
e quadrilhas de narcotraficantes basta para tornar a realidade da subversão
gnóstica mundial demasiado visível para que se possa
continuar a ocultá-la mediante o apelo a evasivas difamatórias
destinadas a intimidar o investigador. Um exame acurado dos sites http://www.activistcash.com e http://www.discoverthenetwork.org dará ao leitor uma idéia
precisa do que estou dizendo. Estudos como The Marketing of Evil, de
David Kupelian (Nashville, Tennessee, WND books, 2005), Machiavel Pedagogue,
de Pascal Bernardin (Cannes, Édition Notre-Dame das Graces,
1995), Good Bye, Good Men, de Michael S. Rose (Washington DC, Regnery,
2002), The Deliberate Dumbing Down of America, de Charlotte Thomson
Iserbit (Ravenna, Ohio, The Conscience Press, 1999) e The ACLU vs.
America, de Alan Sears e Craig Osten (Nashville, Tennessee, Broadman & Holman,
2005), tirarão o restante da dúvida. Os nomes das mesmas
organizações - a "Ford Foundation", o "Open
Society Institute" de George Soros, a "John D. & Catherine
T. MacArthur Foundation", a "Carnegie Corporation of New
York" e o "Council on Foundations", entre uma centena
de outras - aparecem com tão obsessiva freqüência
entre os inanciadores de movimentos subversivos e os do governo mundial,
que já não é possível deixar de enxergar
a ligação entre essas duas forças aparentemente
díspares, uma voltada para a disseminação do caos,
outra para a construção da Nova Ordem, tão articuladas
entre si quanto as duas operações alquímicas da
dissolução e da coagulação.
Contra esse assalto geral às bases da civilização,
os pontos de resistência são hoje as religiões
tradicionais, o Estado constitucional americano, o Estado de Israel
e alguns países do Leste Europeu egressos do comunismo.
Para
os deístas, Deus é como o relojoeiro que,
terminada a obra, dá corda no relógio e vai dormir.
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Das religiões, cada uma está mais corroída que
a outra. O cristianismo, ainda forte nos EUA e no Leste Europeu e em
plena expansão na Ásia e na África, está praticamente
destruído na Europa ocidental e dominado pelo esquerdismo na
América Latina. O Islã tradicional, evaporado, tornou-se
apenas uma figura de retórica no discurso radical que a mídia
do Ocidente, confundindo propositadamente as coisas, rotula de "fundamentalista".
O judaísmo está assolado daqueles tipos que Don Feder
chama de "judeus Seinfeld", para os quais as três solenidades
judaicas fundamentais são o Bar-Mitzvah, o Rosh-Hashaná e
o aniversário da Barbara Streisand.
A América está ameaçada desde dentro pela potente
simbiose das fundações milionárias com o esquerdismo
revolucionário, solidificada pela mídia chique e
hoje mentora inconteste do Partido Democrata.
Israel, cercadao de três dezenas de países hostis, e talvez
recordista mundial de traidores e muristas per capita, sobrevive não
se sabe como. Voltado à sua destruição urgente,
o anti-semitismo adquire novos contornos, mais sutis e enganadores,
que não podem talvez ser compreendidos senão à luz
do estudo empreendido pelo rabino Marvin S. Antelman, To Eliminate
the Opiate (Jerusalem, Zionist Book Club, 2 vols., 1988 e 2002),
que um dia comentarei aqui em detalhe.
Minar esses três pontos de resistência é obviamente
prioritário para a Nova Ordem Mundial. Daí fenômenos
estranhos como a súbita revivescência do cientificismo,
já totalmente demolido pelos maiores filósofos da primeira
metade do século XX - Husserl, Jaspers, Lavelle, Berdiaev, entre
outros -- mas facílimo de impingir a novas gerações
que não tiveram acesso universitário às obras
desses pensadores ou que foram preventivamente imunizadas contra eles
por injeções maciças de desconstrucionismo, chomskismo,
multiculturalismo e outros estupefacientes. Na esteira desse fenômeno
vem o crescente anticristianismo da mídia e do show business,
cada vez mais brutal e descarado, atuando sobretudo através
do expediente orwelliano da "reforma do vocabulário",
na qual antigos rótulos pejorativos reservados a extremismos
insanos são repentinamente ampliados para atingir a massa inteira
dos fiéis, bastando, por exemplo, um cidadão de hoje
em dia ser contrário ao aborto para receber o epíteto
de "fundamentalista" ou "fanático teocrata".
Acompanha esse cerco a escalada judicial, impondo cada vez mais restrições à liberdade
de culto, estrangulando organizações religiosas mediante
proibição de contribuições e criminalizando
a simples expressão da fé em lugares públicos.
Na mesma linha vem a súbita proliferação de pretensas
obras de arte que se notabilizam exclusivamente pela astúcia
da blasfêmia proposital destinada a dessensibilizar a população
mediante o truque sórdido do escândalo rotinizado. Não é necessário
dizer que esses empreendimentos vêm geralmente subsidiados
pelas mesmas fontes acima citadas.
A onda antiamericanista e anti-israelense, a mais vasta campanha
de ódio
que já se viu no mundo, subindo no tom até a perda completa
do senso das proporções, abriu as portas da grande mídia
a um tipo de jornalismo porco que décadas atrás só se
via na imprensa partidária comunista. O desinformante profissional
e o agente de influência são hoje aceitos como modelos
de jornalismo, dominando não só as redações
como também os órgãos sindicais da classe, donde
exercem sobre o conjunto da profissão um controle monopolístico
que torna a censura desnecessária.
Nesse panorama, não é de espantar que ateus de velho
estilo, reencarnações de Haeckel e Renan, reapareçam
brandindo os mesmos velhos argumentos já mil vezes desmoralizados,
mas agora reencorajados em suas pretensões "científicas" pela
produção editorial de lixo gnóstico e ocultista
em doses avassaladoras, sufocando a oposição pela força
da gritaria ricamente subsidiada, facilmente ecoada pelo trabalho voluntário
de uma multidão de chimpanzés no Terceiro Mundo.
Que o pretenso materialismo científico apareça tão
intimamente aliado à onda ocultista e satanista não deveria
surpreender a ninguém. Hoje sabe-se que a fonte mesma do cientificismo
- a rebelião iluminista - não brotou senão da
mesma fonte gnóstica de onde nasceram o teosofismo e a Nova
Era.
Fenômenos como "
O Código da Vinci" e "
O Evangelho de Judas", tão manifestamente subsidiários
da pseudo-religião mundial em preparação, não
têm nenhum significado intelectual em si mesmos e não
podem ser discutidos exceto como dados sociológicos de uma época
que dá testemunho contra a inteligência humana. Os velhos
ateísmos cientificistas que emergem das tumbas não são
senão um detalhe patético a mais na chacota geral.
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