Embora
desde a Revolução Francesa o grosso da violência militante tenha
se originado sempre nas ideologias materialistas e escolhido como
vítima preferencial a população religiosa; embora a perseguição aos
católicos, ortodoxos, protestantes e judeus tenha matado mais gente
só no período de 1917 a 1990 do que todas as guerras religiosas somadas
mataram ao longo da história universal; embora nas duas últimas décadas
o morticínio de cristãos tenha voltado a ser rotina nos países comunistas
e islâmicos, chegando a fazer 150 mil vítimas por ano; embora todos
esses fatos sejam de facílima comprovação e de domínio público (v.
nota no fim deste artigo); e embora nas próprias nações democráticas
o acúmulo de legislações restritivas exponha os religiosos ao perigo
constante das perseguições judiciais, - a grande mídia e o sistema
de ensino na maior parte dos países insistem em continuar usando
uma linguagem na qual religião é sinônimo de violência fanática e
na qual a eliminação de todas as religiões é sugerida ao menos implicitamente
como a mais bela esperança de paz e liberdade para a humanidade sofrida.
A
mentira gigantesca em que se sustenta essa campanha é tão patente,
tão ostensiva, tão cínica, que combatê-la só no campo das discussões
públicas é o mesmo que querer parar um assassino, ladrão ou estuprador
mediante a alegação polida de que seus atos são ilegais. Os mentores
e autores da campanha anti-religiosa universal sabem perfeitamente
que estão mentindo. Não precisam ser avisados disso. Precisam é ser
detidos, desprovidos de seus meios de agressão, reduzidos à impotência
e tornados inofensivos como tigres empalhados.
A
eliminação de todas as religiões é sugerida
como a mais bela esperança de paz e liberdade para a
humanidade sofrida".
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A propaganda insistente
contra uma comunidade exposta a risco não é simples expressão de
opiniões: é ação criminosa, é cumplicidade ostensiva ou disfarçada
com o genocídio. Aqueles que a praticam não devem ser apenas contestados
educadamente, como se tudo não passasse de um pacífico debate de
idéias: devem ser responsabilizados judicialmente por crimes contra
a humanidade. A jurisprudência acumulada em torno das atrocidades
nazistas, unânime em condenar a cumplicidade moral mesmo retroativa,
fornece base mais que suficiente para condenar, por exemplo, um Richard
Dawkins quando sai alardeando que o judaísmo e o cristianismo são "abuso
de menores", como se a noção mesma da proteção à infância não tivesse
sido trazida ao mundo por essas religiões e como se elas não fossem,
hoje, o último obstáculo à erotização total da nfância e à subseqüente
legalização universal da pedofilia (já praticamente institucionalizada
no Canadá, um dos países mais ateus do universo).
Quando o sr. Dawkins
se diz avesso ao uso de meios violentos para extinguir as religiões,
mas propõe os mesmos objetivos ateísticos que há dois séculos buscam
realizar-se precisamente por esses meios, ele sabe perfeitamente
que a ênfase do seu discurso, e portanto seu efeito sobre a platéia,
está na promoção dos fins e não na seleção dos meios. Voltaire, quando
bradava "esmagai a infame", negava estar incitando quem quer que
fosse à violência física contra a Igreja Católica. Mas, quando os
revolucionários de 1789 saíram incendiando conventos, destripando
freiras e decapitando bispos, era esse grito que ecoava nos seus
ouvidos e saía pelas suas bocas. Se a religião é, segundo o sr. Dawkins, "o
maior de todos os crimes", a matança de todos os religiosos terá sempre
o atenuante da gravidade menor e o da sublime intenção libertadora.
Quando em 1886 Edouard Drumont publicou o tremendo panfleto antijudaico
La France Juive, ele não tinha em mente nenhuma crueldade a ser praticada
coletivamente contra os judeus. Mas é impossível ler hoje suas páginas
sem sentir o cheiro das câmaras de gás. Uma única e breve página
vagamente anti-semita escrita por Winston Churchill na juventude
precipitou-o numa tal crise de arrependimento, diante da ascensão
do nazismo, que isso decidiu o restante da sua vida de líder e combatente.
Drumont, que morreu em 1917, não poderia ter adivinhado o destino
que os leitores dos seus livros dariam aos judeus. Mas o sr. Dawkins
não precisa adivinhar o futuro para calcular o efeito de suas palavras:
ele conhece a história do século XX, ele sabe a que resultados levam
não somente as propostas explícitas como a de Lênin, "varrer o cristianismo
da face da Terra", mas também o anticristianismo mais sutil, mais
sofisticado de um Heidegger, que, pretendendo expulsar Deus para
fora da metafísica, convocou Adolf Hitler para dentro da História.
O homem que, sabendo de tudo isso, se oferece para gravar programas
de TV que apresentam a religião como a raiz de todos os males, como
se os mais amplos morticínios da História não fossem males de maneira
alguma, esse homem é simplesmente um apologista do genocídio, um
criminoso vulgar como qualquer neonazista de arrabalde.
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O sr. Dawkins
já ultrapassou aquele limi-te da truculência mental e do desprezo à verdade,
para além do qual toda a discussão de idéias se torna inútil. Não
se trata de provar nada para o sr. Dawkins. Trata-se de provar seu
crime perante os tribunais. O dele e o de inumeráveis organizações
militantes, subsidiadas por fundações bilionárias, dedicadas a fomentar
por todos os meios o ódio às religiões.
Todas as organizações religiosas que não se mobilizarem para a defesa comum não
só no campo midiático, mas no judicial, devem ser consideradas traidoras, colaboracionistas
e vendidas ao inimigo. E não espanta que usem para legitimar sua covardia abominável
o pretexto do perdão e da caridade, prostituindo o sentido da mensagem evangélica
que manda cada um de nós perdoar as ofensas feitas a ele próprio, nunca pavonear-se
de cristão mediante o expediente fácil de perdoar crimes cometidos contra terceiros,
que aliás nunca lhe deram procuração para isso. Não é um discípulo de Jesus aquele
que, vendo seu irmão ser esbofeteado, se apressa em cortejar o agressor ofecendo-lhe
a outra face da vítima.
Fundamentalismo?
O mais extraordinário é que as forças
anticristãs e antijudaicas, mal escondendo
seu apoio à ocupação islâmica do mundo ocidental, se prevalecem da própria imagem
sangrenta do radicalismo islâmico para projetá-la sobre as demais comunidades
religiosas, sobretudo aquelas que são vítimas usuais da violência muçulmana,
e transmitir ao mundo a noção de que todas são, no fundo, terroristas. O manejo
astuto do termo "fundamentalismo" tem servido para esse ardil, que desonra qualquer
língua culta. Esse termo designava originariamente certas seitas protestantes
afeitas a uma leitura literal da Bíblia ou, mais genericamente, qualquer comunidade
religiosa decidida a conservar o apego às suas tradições (um direito que hoje
se reserva para muçulmanos, índios, africanos e seus descendentes, negando-o
a todo o restante da espécie humana). Ao transferir o uso desse qualificativo
para os terroristas islâmicos, a grande mídia e os intelectuais ativistas que
a freqüentam cometeram uma impropriedade proposital. De um lado, esse uso camuflava
o fato de que esses radicais não eram de maneira alguma tradicionalistas: eram
revolucionários profundamente influenciados pelas ideologias de massa ocidentais
- comunismo e nazifascismo -, bem como pelo pensamento "vanguardista" de Heidegger,
Foucault, Derrida e tutti quanti. De outro lado, e por isso mesmo, o termo assim
empregado ia-se imantando de conotações repugnantes, preparando seu uso futuro
como arma de guerra psicológica contra as mesmas comunidades religiosas que o
radicalismo islâmico tomava e toma como suas vítimas preferenciais: os cristãos
e os judeus. Numa terceira fase, o qualificativo passou a ser usado ostensivamente
contra essas comunidades, ao mesmo tempo que se espalhava pelo mundo a campanha
de difamação anti-religiosa da qual
o sr. Richard Dawkins é agora o mais espalhafatoso garoto-propaganda. Durante
a
invasão do Iraque, rotular como "fundamentalistas" o presidente Bush (cristão)
e o secretário Rumsfeld (judeu) tornou-se repentinamente obrigatório em toda
a mídia chique, com uma uniformidade que comprova, uma vez mais, a presteza da
classe jornalística em colaborar com a reforma orwelliana do vocabulário.
Realizando
um sonho de infância
Desde pequenos, os membros da futura Comissão de Desconstituição e Injustiça
da Câmara Federal nutriam profunda revolta contra as palmadas que levavam de
seus progenitores em represália ao exercício de direitos humanos fundamentais,
como o de tentar furar os olhos de seus irmãozinhos, atear fogo à casa, esganar
o papagaio da vizinha, esticar um barbante entre os degraus da escada só para
ver a vovó rolando ou praticar qualquer outra daquelas truculências encantadoras
que prenunciam uma brilhante maturidade de discípulos de Che Guevara.
Na adolescência,
ainda parcialmente oprimidos sob a autoridade familiar, comoviam-se
até às lágrimas com a perspectiva de tornar-se, à imagem do mestre, "eficientes
e frias máquinas de matar" e sair massacrando padres, burgueses, pais, mães e
demais autoridades, "pero sín perder la ternura jamás".
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O sonho kitsch do morticínio
meigo encantou sua juventude e tornou-se o ideal
orientador de sua formação moral. Infelizmente, durante todo esse longo período,
nada puderam fazer de substantivo contra a autoridade opressora, da qual dependiam
para seu sustento, vestuário, educação, lazer e outras maldades a que se submetiam
com paciência de verdadeiros mártires do socialismo. Em segredo, juravam que
um dia iam acabar com toda aquela injustiça capitalista.
Agora, crescidinhos,
tiveram finalmente uma oportunidade da vingança redentora contra papai & mamãe.
Ainda não puderam mandá-los para a cadeia, mas já quebraram a espinha dorsal
da sua autoridade. Aprovaram, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 2654/03,
que proíbe qualquer forma de castigo físico em crianças e adolescentes. O projeto
será encaminhado ao Senado, sem precisar ser votado pelo Plenário da Câmara.
O
incentivo direto e indireto à delinqüência infanto-juvenil tem sido, há quase
um século, um dos instrumentos fundamentais usados pelos ativistas de esquerda
para minar a ordem social capitalista, gerando dentro dela um caos infernal para
em seguida poder acusá-la de ser precisamente isso e propor a salvação geral
mediante o acréscimo de controles estatais e burocráticos, exercidos, é claro,
por eles mesmos. Intimamente associada a essa estratégia, a transferência progressiva
de todas as formas de controle social para o grupo politicamente ativo é também
um objetivo constante da subversão comunista. Todos os meios são usados para
isso, sempre sob pretextos edificantes que colocam o eventual adversário na posição
incômoda de parecer um defensor do mal. As mães que derem uma palmada no bumbum
de seus filhos, por exemplo, serão agora encaminhadas compulsoriamente a um "programa
comunitário de proteção à família". Quem pode ser contra a proteção à família?
Na URSS, os dissidentes eram encaminhados à "assistência psiquiátrica gratuita".
Quem pode ser contra o tratamento gratuito dos doentes mentais?
Todas
as organiza-ções religiosas
que não se mobilizarem para a defesa comum devem ser consideradas
traidoras".
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Nos EUA, já se
tornou impossível ignorar o vínculo de causa e efeito entre as
reformas educacionais "progressistas" adotadas desde John Dewey (1859-1952) e
o crescimento avassalador da delinqüência infanto-juvenil, um problema que o
Estado já desistiu
de eliminar, contentando-se agora em dedicar-se ao "gerenciamento de danos",
isto é, em adestrar a sociedade para que aceite o estado de coisas como fatalidade
inevitável. (Sugiro, quanto a esse ponto, a leitura de Joel Turtel, Public Schools,
Public Menace : How Public Schools lie to Parents and Betray our Children, Charlotte
T. Iserbyt, The Deliberate Dumbing Down of America, Berit Kjos, Brave New Schools:
Guiding Your Child Through the Dangers of the Changing School System, Brenda
Scott, Children No More: How We Lost a Generation, Bob Whitaker, Why Johnny Can't
Think e John Taylor Gatto, Dumbing Us Down: The Hidden Curriculum of Compulsory
Schooling. Todos esses livros podem ser encontrados pelo site www.bookfinder.com.)
Simultaneamente, a intelectualidade ativista tira proveito da situação que ela
própria criou, imputando a violência adolescente, por exemplo, às fábricas de
armas, que já existiam no tempo em que as crianças se contentavam com traquinagens
domésticas inofensivas.
A relatora do projeto na Comissão, Sandra Rosado (PSB-RN),
justificou a nova
lei afirmando que "educar pela violência é uma abominação, incompatível com o
atual estágio de evolução da sociedade". Decerto: quando um país governado pelos
gangsters do Mensalão intimamente associados aos narcotraficantes das Farc chega
aos 50 mil homicídios por ano e ainda se preocupa mais em amarrar as mãos dos
policiais do que em deter os criminosos, isso é um estágio de evolução incompatível
com palmadas educativas nos bumbuns das crianças travessas. O tempo de tentar
educar as safadinhas já passou: elas já estão todas na Câmara Federal.
Somada às demais medidas concomitantes tomadas pelo Estado-babá para a proteção
dos delinqüentes e a criminalização de todas as formas tradicionais de autoridade,
a nova lei promete ter efeitos culturais que farão Antonio Gramsci e os fundadores
da Escola de Frankfurt ter orgasmos no túmulo. Deve ser - por fim! - a liberação
sexual dos mortos. |