Há uma
década e meia a Heritage Foundation de Washington e
o Wall Street Journal publicam anualmente o Index of Economic
Freedom, volumoso estudo comparativo dos controles estatizantes
e da liberdade de mercado nas várias nações.
Os critérios diferenciais abrangem a propriedade governamental
dos meios de produção, a participação
acionária do Estado nas empresas de economia mista,
a incidência de impostos sobre a iniciativa privada e
a dose maior ou menor de legislações restritivas.
É
, de longe, a publicação econômica mais importante
do mundo, a única que permite, numa visão abrangente,
avaliar sem muita dificuldade os méritos respectivos do
capitalismo e do socialismo, não segundo os argumentos
concebidos para justificá-los, mas segundo o seu desempenho
real no esforço para dar uma vida melhor ao conjunto da
população dos países ao seu alcance.
O
socialismo é uma doença do espírito,
uma deformidade moral hedionda, dificilmente curável.
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Ano após ano, a realidade desse desempenho é ali
mostrada com uma profusão de dados e com uma integridade
metodológica que nenhum estudioso da área ousou
jamais contestar. Essa realidade pode ser formulada em termos
simples e inequívocos: quanto maior a dose de controle
estatal, mais miséria, mais opressão, mais sofrimento;
quanto maior o índice de liberdade econômica, mais
prosperidade, mais respeito aos direitos humanos, mais oportunidades
para uma vida digna oferecidas a faixas mais extensas da população.
Qualquer esquerdista intelectualmente capacitado a ler uma
publicação
desse tipo tem, diante dela, no mínimo a obrigação
de ficar em dúvida quanto à superioridade moral
excelsa que a propaganda política atribui ao socialismo
e de moderar um pouco aquele tom de certeza absoluta e inquestionável
com que sempre atribui ao adversário, pelo simples fato
de ser pró-capitalista, as piores e mais baixas intenções.
Na mais modesta das hipóteses, uma consciência moral
tão elevada quanto aquela que se arrogam os esquerdistas
deveria ter ao menos um pouquinho de senso da verdade, ao menos
um pouquinho da humildade necessária para admitir os fatos
e tirar alguma conseqüência deles.
Mas isso está infinitamente acima do que se pode esperar
dessas criaturas. Quanto mais deploráveis os resultados
econômicos do socialismo, quanto maior a dose de crimes
e violências necessários para produzi-los, tanto
mais enfática a alegação de superioridade,
tanto mais inabalável o sentimento de possuir monopólio
da bondade humana, tanto mais virulento o discurso esquerdista
contra o capitalismo e seus defensores. Quanto mais extensas
as provas do seu erro, tanto mais arraigada e intolerante a sua
certeza, tanto menor a sua disposição de conceder
ao adversário o benefício da dúvida ou até mesmo
o direito à palavra, que com a maior desenvoltura lhe
cassam ao mesmo tempo que, numa apoteose de cinismo, o rotulam
de dogmático e intolerante.
Observar esse contraste, repetidamente, ao longo dos anos, é ser
arrastado a uma conclusão que a alma rejeita, mas que
a consciência impõe inexoravelmente: o socialismo
não é uma opinião política como qualquer
outra, é uma doença do espírito, uma deformidade
moral hedionda, pertinaz e dificilmente curável.
A observação pessoal é confirmada por estudos
consistentes como La Fausse Conscience, Joseph Gabel, Intellectuals,
de Paul Johnson, Modernity Without Restraint, de Eric Voegelin,
Fire in the Minds of Men, de James Billington e outros inumeráveis.
Quanto
mais deploráveis os resultados econômicos
do socialismo, tanto mais virulento o discurso esquerdista
contra o capitalismo e os seus defensores.
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Não há nada de estranho em que o mesmo diagnóstico
se aplique ipsis litteris ao nazifascismo, já que este
não passa de uma variante interna do socialismo - obviedade
histórica que na época dos fatos era universalmente
conhecida e que só a propaganda maciça pode ter
apagado da memória pública ao menos em alguns países.
Nem é de espantar que, observados de perto, na escala
de suas atitudes pessoais, os mais destacados expoentes da ideologia
socialista se revelem invariavelmente personalidades cruéis,
sem moral, sem amor ao próximo, sem o mínimo de
sentimentos humanos nem mesmo por seus familiares e amigos. Estudem
as biografias de Karl Marx, de Lênin, de Stalin, de Mao-Tsé-Tung,
de Pol-Pot, de Fidel Castro - sobretudo os depoimentos do médico
pessoal de Mao e os das filhas de Stalin e Castro - e vejam se
há algum exagero em chamar esses indivíduos
de monstros, ou de perversos os que os admiram.
Quem quer que, conhecendo esses fatos, ainda julgue que o
oceano de crueldade e sofrimento produzido por esses personagens
e
pelos movimentos que lideraram é preferível aos "males
do capitalismo", decididamente não tem senso de proporções,
não tem maturidade intelectual ou humana bastante para
ser admitido como interlocutor respeitável num debate
de idéias.
Desgraçadamente, é justamente esse o tipo de indivíduo
que hoje dá o tom das discussões nacionais e se
arroga, com sucesso, o papel de medida-padrão das virtudes
humanas, à luz da qual devem ser julgados todos os atos,
seres e situações. A covardia e o despreparo gerais
da classe dominante no Brasil fizeram dela a cúmplice
ao menos passiva da ascensão desses celerados ao primeiro
escalão da hierarquia social, de onde hoje é quase
impossível removê-los.
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