Olhos na economia. E na política.


Associação dá sugestões para o crescimento do País e pressiona por liberdade


Por Lúcia Helena de Camargo


Candangos em Brasília. E discurso de Goulart na Candelária: crise política e golpe.

No início da década de 50, a ACSP manteve a tradição liberal e participou da campanha contra o monopólio estatal da exploração do petróleo, movimento antiestatizante encabeçado pela UDN. Apesar disso, em outubro de 1953 nascia a Petrobras. No mesmo ano, João Di Pietro assumiu a presidência da ACSP.

Enquanto a capital paulista vivia a festa de seus 400 anos, o Brasil enfrentava uma crise política. Ao anunciar o aumento de 100% dos salários, o presidente Getúlio Vargas despertou as críticas das classes produtoras. João Di Pietro alertou para os riscos da medida, que viria a sobrecarregar os empresários.

Suicídio - O udenista Carlos Lacerda liderava a oposição e denunciou casos de corrupção do governo. No mesmo ano, foi vítima de uma tentativa de assassinato, na rua Tonelero. A crise contaminava a economia e acabou levando ao suicídio de Getúlio, no dia 24 de agosto de 1954.

Em São Paulo, a ACSP criou o Serviço de Proteção do Crédito e continuava a sugerir medidas de âmbito nacional, como a atração de capitais externos, elevação do nível de poupança e estímulo aos investimentos.

Com a eleição de Juscelino Kubitschek (PSD-PTB), deu-se início a um programa desenvolvimentista. O chamado Plano de Metas, cujo slogan era "50 anos em 5", exigia gastos volumosos. O presidente da ACSP, Eduardo Saigh, eleito para o biênio 1956-58, alertava para a necessidade de se combater a inflação com medidas simultâneas, que atuassem sobre salários, preços, crédito e finanças públicas.

Na administração seguinte, Emílio Lang promovia reuniões de esclarecimentos sobre impostos, e reelegeu-se à presidência da ACSP, tendo se destacado por esforços na preservação do patrimônio histórico de São Paulo e implantação do Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp).

Jânio - O discurso nacionalista e a pregação contra a carestia deram 48% dos votos a Jânio Quadros nas eleições presidenciais. Polêmico, renunciou 206 dias após a posse, em 25 de agosto de 1961, levando o Brasil a uma década de graves crises institucionais. O vice, João Goulart, assumiu, ainda que desacreditado pelos militares, empresários e boa parte da classe média.

Na Associação Comercial, Paulo de Almeida Barbosa vence uma disputada eleição em março de 1962. A moeda se deteriorava e os entraves políticos travavam os esforços da produção. O início de 1964 foi marcado por confronto entre o governo Goulart e as classes produtoras. No dia 13 de março, o presidente defendeu seu programa de reformas de base em um comício no Rio. A resposta dos empresários viria dias depois, com a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, apoiada por comerciantes paulistas e santistas. Ele seria deposto 12 dias depois. "Queremos evoluir para uma ordem social mais justa, em que o desenvolvimento econômico do País, urgente e necessário, se realize sem o sacrifício da liberdade", disse Paulo de Almeida Barbosa, ao ser reeleito para a presidência da Associação Comercial, em 30 de março de 1964, véspera da operação militar que depôs João Goulart.

No dia 15 de abril, o marechal Castelo Branco assumiu a presidência prometendo combater a corrupção, retomar o crescimento e impulsionar o capitalismo. A aproximação com os Estados Unidos rendeu um empréstimo de US$ 887 bilhões, destinados a programas de recuperação econômica e financiamento de pequenas e médias empresas.

Ao final de 1964 a economia brasileira dava sinais de melhora. Em 1965, foi anunciada a implantação do cruzeiro novo, como solução para dar estabilidade à moeda. Em março de 1966, era eleito na ACSP Daniel Machado de Campos. No mesmo ano, foi promulgada a nova Constituição, e no dia 15 de março tomou posse o general Arthur da Costa e Silva.
Embora economicamente mais seguro, o País ainda vivia uma clima político tenso. O AI-5 fechava o Congresso e restringia ainda mais as liberdades individuais, gerando protestos. Reeleito para a presidência da ACSP em 1968, Machado de Campos participou da criação do Instituto Jurídico, órgão vital para a orientação e defesa da classe.

Milagre - De 1968 a 1972 foram registrados crescimentos médios anuais de 10% no PIB do País, o "milagre econômico". Desde essa época empenhada em valorizar o empresário de menor porte, a ACSP promoveu seminários de apoio às pequenas e médias empresas. Passado o "milagre", começaram a aparecer os problemas. O nível de produção industrial e de emprego foram afetados por uma combinação perversa: o crescimento da dívida externa (contraída para a construção das grandes obras estatais), que se juntou à primeira crise internacional do petróleo e à inflação ascendente, cuja taxa anual saltou de 15,4% em 1973 para 34,5% em 1974. O general Ernesto Geisel assumiu a presidência em março, propondo uma redemocratização "lenta, gradual e segura."

Em 1973, Boaventura Farina passa a presidir a ACSP. No ano seguinte, Farina apoiou as idéias e sugestões do empresariado relativas ao ICM, previdência social, comércio exterior, formação de mão-de-obra, transportes e tecnologia.

Para o triênio de 1976 a 1979, Paulo Maluf foi eleito presidente da ACSP. Ele ajudou a estreitar relações entre o setor produtivo e o meio político. Em 1978, renunciaria à ACSP para tornar-se governador do Estado. A situação econômica do Brasil voltou a alarmar. O crescimento do PIB, que chegara a 9,2% em 1980, despencou para 4,5% negativos em 1981. (LHC)