Negócios da aldeia. E do globo.

Pontes para o comércio exterior marcam anos 90

Por Lúcia Helena de Camargo


Afif com padre Melcher e as cartas de Anchieta. E com a prefeita Marta Suplicy.

Desde o final da Segunda Guerra atenta ao cenário mundial, a ACSP acentuou seu papel de aproximar a iniciativa privada brasileira das oportunidades de negócios em diversos pontos do planeta. Em 1994, uma das iniciativas na área foi a ampliação dos contatos internacionais, com grande número de missões estrangeiras.

Em março de 1995 foi eleito Elvio Aliprandi para a presidência da ACSP. Ele cumpriria um segundo mandato, ficando até 1999. "Precisamos manter a estabilidade monetária, sem inibir o crescimento; preservar a abertura da economia, sem desestruturar a produção interna; atender às carências sociais, sem comprometer o equilíbrio fiscal; reduzir o tamanho do Estado, sem enfraquecê-lo", disse Aliprandi em sua posse.

Em 1995, medidas de restrição ao crédito e ao consumo, baixadas pelo Banco Central, provocaram forte desaceleração no crescimento do PIB. O resultado levou a recordes de falências e concordatas, acompanhadas de inadimplência dos consumidores. No mesmo ano ocorreu a insolvência do México, cujos efeitos foram combatidos pelo governo com controversas mudanças no câmbio.

Na ACSP, participaram de debates sobre questões econômicas e políticas diversas personalidades, como o então governador Mário Covas, o vice-governador Geraldo Alckmin, o deputado federal Delfim Netto, o então ministro do Planejamento José Serra, o empresário Mário Amato. A realização de debates, mantida até os dias de hoje, tem como objetivo promover a troca de idéias, contribuindo assim para o melhor entendimento da conjuntura e busca de soluções para a cidade, o Estado, o País.

Entre as novidades do período destacam-se a formação dos núcleos da Mulher Empresária e Jovens Empreendedores, além do trabalho contínuo para desenvolvimento de rodas de negócios, convênios, encontros e parcerias internacionais.

Entre as mobilizações mais significativas estão a campanha contra a aprovação da CPMF e pela implantação do Simples. No âmbito externo, a ACSP obteve bom resultado em 1996 com a pesquisa "Chega de Violência – Reage São Paulo".

Em 1998, o Brasil teria nova eleição para presidente da República, governador do Estado, um terço do Senado, Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa, no mês de outubro. No campo internacional, a instabilidade da Rússia fazia tremer as economias pouco sólidas, como a brasileira. A ACSP continuava definindo sua atuação pela participação nas missões governamentais que foram à Itália, ao Egito, aos Estados Unidos, entre outras.

Descentralização - A gestão do presidente Alencar Burti, de 1999 a 2001, distingui-se principalmente pelas realizações na descentralização dos serviços e o cuidado com a responsabilidade social, notadamente em relação aos funcionários da própria Associação Comercial. Foi adotado um plano de metas e a medida resultou na inclusão, em fevereiro de 2002, da ACSP no ranking da revista Exame "Cem Melhores Empresas para se Trabalhar."

Há resultados para se mostrar também no Movimento Degrau

A responsabilidade social está presente ainda nos projetos Empreender e o Programa de Alfabetização, que desde 2003 mobilizam 15 distritais paulistanas da ACSP. O Empreender foi criado com o intuito de aperfeiçoar o desempenho das micro e pequenas empresas e desenvolver vocações empresariais. Funciona nas distritais de São Miguel Paulista, Lapa, Santana, Centro e Santo Amaro. Já o Programa de Alfabetização de Adultos, feito em conjunto com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) beneficia populações carentes das distritais do Jabaquara, Centro, Penha e São Miguel Paulista.

110 anos - O empresário Guilherme Afif Domingos, presidente da Associação Comercial nos anos 80, voltou a presidir a entidade em 2004, ano em que ela completa 110 anos. Entre as principais medidas tomadas em sua última administração estão a implementação das comunicações, com novas mudanças gráficas e de conteúdo no jornal Diário do Comércio. Afif também vem trabalhando para ampliar o relacionamento com a Facesp, e revitalizar os conselhos tributário e jurídico, como forma de questionar e pressionar o governo a melhorar as condições para a classe produtiva.

Cartas de Anchieta - Nas comemorações dos 450 anos de São Paulo, a Associação Comercial presenteou a cidade patrocinando a vinda e a exposição das 17 cartas escritas pelo Padre José de Anchieta nos primeiros anos da existência de capital paulista. As cartas ficaram expostas na cripta do museu do Pátio do Colégio de janeiro a junho. Nos documentos, os paulistanos puderam encontrar informações sobre a primeira missa e a fundação da Vila de Piratininga. "São Paulo, enfim, tem a sua certidão de nascimento", disse Guilherme Afif Domingos, na inauguração da mostra.

Entre as campanhas de sua administração, destaca-se o Feirão do Imposto, que tem como objetivo conscientizar a população a respeito da real incidência de alíquotas sobre os produtos que adquirem.

Afif tem um histórico de liderança política e empresarial no País. Já foi candidato à presidência da República e mantém uma batalha constante em favor da micro e pequena empresa. Como deputado constituinte, conseguiu aprovar em 1988 o artigo 179, que garantiu pagamento de menos impostos pelos micro e pequeno empresários. Ferrenho defensor da desburocratização, por suas mãos nasceu em 1996 o Simples, que beneficia pequenos empresários com a diminuição da burocracia e isenção de diversos tributos.

Em maio, Guilherme Afif Domingos se reuniu com o presidente Lula e entregou o projeto Empreendedor Urbano Pessoa Física (Eupf). Como representante das entidades que dirige, Facesp e ACSP, o empresário vem se empenhando no projeto, que visa combater a informalidade, estimulando o empreendedor individual. (LHC)