Fórmulas femininas para a mudança

Conselho da Mulher Empreendedora nasceu em 95


Diva Furlan: campanha pela consciência do voto feminino.

O reconhecimento do valor da mulher nunca veio fácil. Só depois de muita luta, por exemplo, o sexo feminino obteve o direito ao voto. A conquista teve datas diferentes nos vários países e no Brasil só se deu em meados dos anos 30. Desde então a mulher iria acelerar o passo para atingir objetivos mais mais ambiciosos, como a conquista de cargos de chefia nas empresas e no poder público, chegando a dirigir cidades e estados.

No entanto, ainda há muito preconceito no mercado de trabalho. As mulheres são preteridas em seleções devido à possibilidade de se ausentar do trabalho por conta da maternidade e ganham salários inferiores aos dos homens, mesmo desenvolvendo tarefas idênticas.

Esses e outros problemas despertaram a atenção da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e estimularam a criação, em 1995, do Conselho da Mulher Empreendedora (CME), com a convicção de que o talento e a criatividade femininos são eficazes aceleradores das mudanças sociais ainda necessárias.

O CME tem o objetivo de unir e promover o fortalecimento da mulher empreendedora, incentivar a participação feminina em atividades empresariais, cuidar da capacitação e o aperfeiçoamento por meio de parcerias e convênios, inclusive no exterior.

Atualmente, a empresária Diva Helena Furlan, que atua no ramo de importação, dirige essa estrutura, formada por até cem membros, dos quais pelos menos 50% são mulheres empresárias. O resto do grupo é composto por profissionais liberais e colaboradores. “O papel da mulher no País é muito importante. Somos a maioria votante, decidimos uma eleição. O poder é enorme e muitas sequer têm consciência disso”, constata a presidente do CME.

E o Conselho vem se empenhando em despertar “essa consciência”, pulverizando ações pelas distritais, aproximando a comunidade, promovendo cursos de capacitação, abrindo o caminho para a formação, principalmente, de micro e pequenas empresas. São alternativas eficientes contra o desemprego e fonte de geração de outros posto de trabalho. “A idéia é estimular o desenvolvimento do potencial, de cada indivíduo, ou grupo”, explica ela. “A habilidade com o bordado, por exemplo, pode ser a origem de uma microempresa, que vai levar trabalho e renda à região. Além de capacitar pretendemos reduzir a informalidade.”

O interesse pelo empreendedorismo surge às vezes a partir de um impulso simples. Pode ser uma palestra sobre a valorização no mercado de trabalho ou o resgate da auto-estima e incentivo ao exercício da cidadania, como a Campanha do Voto Consciente que precedeu as eleições municipais e levou os integrantes do Conselho a peregrinar não apenas pelas distritais, mas por todo o interior. “Parte do nosso plano de trabalho é implantar CMEs por todo o Estado. O resultado será o aumento da participação feminina na economia de São Paulo e a melhora de todo o País.”

A confiança de Diva baseia-se na mudança já ocorrida em boa parte das grandes empresas, relacionada à forma da mulher posicionar-se diante de questões administrativas. “Antes as mulheres eram discriminadas nos negócios por usar a emoção. Hoje ocorre o contrário, elas estão sendo valorizadas porque sabem usar a emoção junto com a razão”, afirma ela.

“A mulher consegue dosar bem os dois sentimentos, tem uma visão mais humana e por isso gerencia melhor o ambiente empresarial. São qualidades cada vez mais valorizadas, pois há um consenso de que o mundo dos negócios tem que se ocupar também do lado social”, avalia. (KA)