As lições da Associação, segundo ex-presidentes

Ex-dirigentes falam de suas experiências à frente da centenária instituição


Por Kátia Azevedo


Pátio do Colégio, berço da cidade. E, ao fundo, o prédio da Associação Comercial.

Associação Comercial é uma entidade secular e só isso já justificaria a importância de sua existência. Mas a Associação é muito mais do que isso: a grande mãe de todas as entidades representativas de classe hoje existentes”, afirma Alencar Burti, hoje presidente do Sebrae, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.que esteve à frente da ACSP antes de Guilherme Afif Domingos. assumir, o titular do cargo era Alencar Burti,

O ecletismo, segundo Burti, é um dos mais positivos diferenciais da ACSP, que comporta empreendedores do comércio, indústria, agricultura, serviços, finanças e profissionais liberais. “O Comércio está envolvido em todas as atividades e a reunião de vários gêneros aumenta a expressão política”, acredita. Durante sua gestão, o que mais empolgou Burti foi constatar a união nas distritais e a ampliação da rede de crediário, com o desenvolvimento do processamento de dados. “A Associação Comercial foi minha grande escola, onde aprendi o que é uma empresa. A experiência me enche de orgulho. Em termos de conhecimento ou mais recebi do que contribuí.”

Reforma tributária - Já Elvio Aliprandi, que atuou de 1995 a 1999, orgulha-se de ter participado da luta pela implantação do sistema simples de cobrança de impostos para as empresas de pequeno porte, e espera conferir o sucesso da nova campanha pela reforma tributária que continua sufocando os empreendedores. “Torço muito para que isso aconteça, mas acho que primeiro será necessária uma reforma política, que obrigue os congressistas a terem compromissos com o partido e com o povo que o elegeu”, dispara.
O empresário também relembra o papel da Associação no estímulo ao comércio do Brasil com outros países. “Houve uma época em que o País se contentava apenas com a participação em eventos no exterior. A associação se empenhou muito e conseguiu, por exemplo, convencer os portugueses a investirem mais no Brasil.”

Contra a corrupção - Antes de Aliprandi, Lincoln da Cunha Pereira centrou as energias no processo de informatização do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e na instalação do antigo TeleCheque (hoje substituído pelo UseCheque). Foi na época também, que as sedes da distritais tiveram uma grande ampliação e que a ACSP participou pela primeira vez de uma campanha pública, contra a corrupção e em defesa da democracia no País.

“A Associação sempre esteve presente em momentos históricos do País. Alguns dirigentes chegaram até mesmo a serem exilados por conta disso”, conta. “Tenho um enorme orgulho de ter sido eleito para presidir a entidade que considero a mais representativa desse País. Foi um período de realizações de engrandecimento.”

Já Romeu Trussardi ocupou o cargo mais importante da Associação entre os anos de 1987 e 1991 a alegria é constatar que apesar de ser a primeira entidade empresarial de São Paulo, a ACSP continua sempre se renovando. “É uma característica que deve ser mantida sempre. É preciso estar atento e agir de acordo com as necessidades do momento”, diz.
Trussardi é outro defensor ferrenho da redução dacarga tributária, para ele uma solução contra alguns dos piores males que afligem o Brasil. “Com menos impostos teríamos condições de criar mais empregos e promover uma estrutura social mais equilibrada e democrática”

Na gestão de Mário Jorge da Cunha Germanos, a Associação procurou reaproximar velhos companheiros e intensificar a atuação conjunta entre as associações comerciais de vários estados e municípios. “Essa aproximação culminou com um encontro nacional em Ribeirão Preto. Era um período de muita agitação política e um dos assuntos centrais foi a realidade nacional”, relembra. É uma vocação que Germanos acredita estar sendo retomada sob a direção de Afif Domingos.

“Há muitas mudanças que precisam ser implementadas no País e a Associação já mostrou que tem força suficiente para acelerar esse processo.” O antecessor de Germanos foi Paulo Maluf. O ex-governador e ex-prefeito da capital entrou na Associação quando tinha apenas 28 anos, em 1960, e chegou ao cargo máximo no ano de 1976. “Freqüentava todas as reuniões. A vantagem é que havia não só comerciantes, mas industriais, agricultores, banqueiros. Eu aprendi muito. A associação é como uma família, uma escola de vida.” Maluf atribui a essa experiência o fato de ter saído da Associação direto para o Palácio dos Bandeirantes, como governador do Estado. “Fui o único dirigente da Associação a ter esse privilégio. É um orgulho muito grande.”

Antes de deixar a direção da Associação para assumir o Governo, Maluf deu início ao processo de informatizaçãp do SCPC. Eram 4 milhões de fichas. A demora nas consultas chegava a até 3 horas.”