| Márcia Rodrigues
Corbis
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No ano em que o pioneiro Serviço Central de
Proteção ao Crédito (SCPC) de São Paulo
completa seu cinqüentenário, o Brasil ganha mais uma
revolução no varejo. É a Rede Nacional de Informações
Comerciais (Renic), que atinge a centralização do
cadastro de proteção ao crédito dos consumidores
de todo o País.
Além dos bancos de dados de São Paulo, Rio Grande
do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso
do Sul, Bahia, Rio Grande do Norte, Pará e Minas Gerais –
que já faziam parte da rede –, foram integrados os
demais estados brasileiros a um sistema concentrado na Associação
Comercial de São Paulo (ACSP). A entidade ficou responsável
pela unificação do serviço de proteção
ao crédito nacional.
O PROCESSO
A centralização das informações dos
27 estados brasileiros vem sendo estudada pelas associações
comerciais, câmaras e comissões de dirigentes lojistas
(CDLs) há muito tempo. Em uma primeira tentativa, as seis
idealizadoras do projeto – CDL Porto Alegre, FCDL de Santa
Catarina, Associação Comercial do Paraná, ACSP,
CDL-Rio e CDL-Salvador – criaram a Rede de Informação
e de Proteção ao Crédito (RIPC), que ficou
ativa por quatro anos.
Mas a troca de informações nesse sistema causava problemas.
Como uma entidade dependia da outra para fornecer as informações
ao usuário, muitas vezes, acabava não obtendo a resposta
de forma rápida por falhas no banco de dados de origem. "O
caminho para se chegar a informação era muito longo.
Se um banco de dados falhava, o outro não conseguia passar
a informação. Isso não atendia os anseios dos
usuários, por isso desativamos a RIPC", afirma o superintendente
de Tecnologia da Informação e Processos da ACSP, Nelson
Castilho.
A expansão cada vez maior da rede bancária e de grandes
lojas por todo o País, porém, exigia que o sistema
de proteção ao crédito fosse integrado. Por
isso, depois de várias reuniões, as entidades decidiram
que o melhor seria concentrar os dados em um só local: a
ACSP.
"O pioneirismo e a preparação antecipada do sistema
utilizado em São Paulo contribuíram para que fôssemos
escolhidos para centralizar todas as informações.
Além disso, como já mantínhamos o maior banco
de dados de inadimplentes do Brasil, não seria difícil
assumir a centralização", conta Castilho. Ele
lembra que, mesmo antes de se falar em unificação
do sistema, as maiores empresas que atuam nacionalmente –
Fininvest, Casas Bahia, Bradesco e Banco do Brasil – já
estavam centralizadas em São Paulo.
De acordo com o superintendente, a Renic não espera aumentar
o volume de consultas por causa da centralização total
dos dados – foram 79 milhões até março
de 2005. "Com a integração total do banco de
dados, estimamos manter a média de 2 milhões de consultas
por dia", diz. Isso porque muitos clientes já mantinham
um computador em suas lojas conectado automaticamente com banco
de dados do SCPC.
CADASTRO POSITIVO
Com a consolidação da Renic, o próximo é
a aprovação do cadastro positivo, que consiste em
um armazenamento amplo de informações não apenas
dos consumidores inadimplentes, mas um histórico do ponto
de vista do bom pagador. Nele estarão informações
de quem cumpre os compromissos financeiros assumidos no mercado,
seja por meio de empréstimo ou apenas em uma compra parcelada
no varejo. Com isso, o usuário da rede terá um perfil
completo do consumidor e poderá avaliar o grau de risco que
ele representaria caso a empresa lhe concedesse crédito.
Com base nas informações positivas que o cadastro
fornecerá aos credores (que podem ser bancos ou lojas), o
bom pagador poderá ser premiado com juros menores. "O
cadastro atual do SCPC é negativo. Ou seja, ele apenas informa
se a pessoa tem débito pendente ou não. O cadastro
positivo permitirá acumular informações do
comprador que diferenciarão o risco e, em conseqüência,
trarão taxas de juros também diferenciadas",
comenta o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal
da Associação Comercial de São Paulo (ACSP),
Marcel Solimeo.
Segundo ele, nos Estados Unidos, é o próprio consumidor
que procura abrir um cadastro desse tipo para apresentar sempre
que deseja pedir crédito. "A pessoa que nunca comprou
a crédito nos EUA, quando vai fazer a sua primeira aquisição,
tem muita dificuldade porque o histórico é muito importante.
Se implantássemos este sistema no Brasil, com certeza poderíamos
reduzir juros para diferentes consumidores", diz.
Embora não haja nenhuma legislação que proíba
a operação, o projeto para a criação
do cadastro – elaborado pela ACSP, Serasa e outras entidades
– está parado no Ministério da Fazenda porque
o Ministério Público entende diferente e já
questionou na justiça o sistema. "Estamos aguardando
o envio do projeto para o Congresso Nacional", conta Solimeo.
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