E os brasileiros foram às compras...
Evolução do varejo e do consumo de bens duráveis para o grande público só foi possível com o alongamento dos prazos de pagamento. Uma conquista que surgiu junto com o SCPC e que sofre até hoje com a instabilidade econômica
 
1980
1998
 
Folha Imagem
Consumidora atenta
em 1969

 

 
Arquivo AE
Efervescência no comércio da cidade com a inauguração do Mappin em São Paulo
no ano de 1957

Por Márcia Rodrigues


A evolução do crédito no Brasil está nitidamente ligada à criação do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). A comprovação está no crescimento do comportamento das vendas a prazo e o aumento da produção industrial de São Paulo após a sua auto-regulamentação.

"Foi o serviço que permitiu a massificação do crediário e seu acesso pela população de menor renda. O sistema simples e ágil passou a oferecer maior segurança às transações, sem acarretar os custos elevados para a obtenção dos dados que vinham com a figura do informante, que retardava e encarecia as operações de crédito", diz o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo.

A expansão do crédito ao consumidor, que chegou a representar 7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1972 – hoje sua representatividade chega a 30% – possibilitou a expansão da indústria de bens e consumo duráveis (automóveis, eletroeletrônicos, móveis) no País. Antes, esse tipo de bem só podia ser comprado pela população de poder aquisitivo alto.


ÀS COMPRAS
Com a facilitação do crédito, a grande maioria dos brasileiros, que somente poderia adquirir artigos duráveis com o financiamento em longo prazo, começou a comprar. "Antes, se uma pessoa queria uma geladeira, que era um bem de consumo importado, precisava provar que tinha condições de pagar. Caso não conseguisse cumprir o trato, o produto era retirado automaticamente de sua casa, sem uma renegociação", comenta Solimeo.

Com a explosão da inflação, as vendas a prazo e o financiamento para pessoas físicas foram afetados pela imprevisibilidade da economia. Em conseqüência, a produção industrial dos bens duráveis declinou significativamente após a explosão do Plano Cruzado (1986). Já a queda da inflação promovida pelo Plano Real (1994) permitiu o restabelecimento dos mecanismos de crédito, assegurando uma grande expansão no parcelamento dos pagamentos para o consumidor, com todos os benefícios decorrentes sobre o emprego e a renda.

No entanto, a política de juros elevados do Banco Central em resposta às crises externas acabou provocando fortes oscilações durante os últimos anos e gerando séria instabilidade na economia. A conseqüência foi o aumento do risco na concessão do crédito e o insucesso de muitas empresas varejistas que operavam com parcelamentos.

     
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