| Por Márcia
Rodrigues
Não é fácil completar meio século de
vida. Ainda mais cheio de realizações, aprimoramento
e comprometimento ético com uma rede de empresários,
comerciantes, bancos e, principalmente, com o consumidor. Mas a
evolução do Serviço Central de Proteção
ao Crédito (SCPC), ao longo dos últimos 50 anos, vai
ainda muito além disso. Ela tem o peso da responsabilidade
de quem revolucionou a história do crédito no País.
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| Criação
do serviço foi manchete no DC |
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Do processo inicial, com as informações
registradas em fichas armazenadas em gigantescos armários
aos mais modernos mainframes da IBM até chegar às
atuais plataformas AS/400, o caminho foi longo. O SCPC foi criado
em uma reunião no dia 14 de julho de 1955 pela Associação
Comercial de São Paulo (ACSP), em uma época de turbulências
políticas e eleitorais e de grandes dificuldades para o varejo
conceder crédito ao consumidor.
Os comerciantes dependiam de informantes – nome dos funcionários
contratados para verificar se as informações prestadas
pelo interessado em conseguir o parcelamento estavam corretas –
para validar a operação. O processo todo podia durar
de sete a dez dias.
As informações eram trocadas na praça –
daí o nome sujo na praça – e quem tinha uma
dívida, quando saldava, precisava fazer uma declaração
de que havia quitado a pendência. Só que nem sempre
era possível para os comerciantes fazerem o cruzamento completo
das informações.
O MOVIMENTO
Foi aí que um grupo de empresários percebeu a necessidade
de se facilitar e agilizar a troca dos dados sobre os consumidores.
Começou a surgir um movimento para que uma entidade concentrasse
todos os dados de crédito do comércio.
Em abril de 1955, o proprietário da "Casas Minerva Roupas
Ltda.", Vicente Botacini, associado da ACSP, pediu à
entidade que se responsabilizasse pela centralização
de todos os dados do comércio.
O então presidente, Emílio Lang Júnior, convocou
os lojistas para tratar do assunto e, em 14 de julho, o primeiro
serviço de proteção ao crédito foi criado.
"A discussão envolveu os principais dirigentes lojistas
da cidade e até de outros estados. Mas foi São Paulo
que tomou a iniciativa de buscar uma solução que evitasse
que o comerciante tivesse prejuízo", conta José
Carlos Pinto dos Santos, de 72 anos, que acompanhou toda a criação
do SCPC e ficou à sua frente durante 45 anos.
EVOLUÇÃO
Desde então o sistema passou por várias alterações.
As consultas, que no início demoravam até três
dias, ficaram cada vez mais rápidas. E, dos dez minutos antes
da informatização – por causa do manuseio das
fichas por atendentes – foram para dois ou três minutos
com a implantação dos primeiros terminais.
O processo de informatização teve início em
1977 e durou seis anos. Na época, a tecnologia era acessível
a poucos, pois só existiam os grandes computadores e esses
eram muito caros. Todas as informações constantes
nas fichas foram transferidas para os terminais. "Quando acabamos
a transferência dos dados, reunimos as fichas e levamos ao
clube de campo da entidade, no Horto Florestal, para queimar tudo",
lembra Nelson Castilho, superintendente de informática da
ACSP.
Com a informatização completa, surge
uma nova etapa. A associação começou a estudar
uma forma de interligar as informações dos consumidores
não apenas de São Paulo, mas de todo País.
E assim nasceu a Rede de Informação e de Proteção
ao Crédito (RIPC), que uniu os dados de alguns estados. Depois
veio a Rede Nacional de Informações Comerciais (Renic),
que passa a cobrir todo o território nacional justamente
no ano do cinqüentenário do SCPC.
Para manter a infra-estrutura de tecnologia da entidade, Castilho
afirma que a ACSP investiu cerca de US$ 1 milhão, em média,
entre 2002 e 2005. "Nossa intenção agora é
a informatização total da Associação
Comercial, ou seja, cada funcionário terá o seu computador
e o sistema ficará totalmente integrado", diz.
Só para se ter uma idéia da imensidade do banco de
dados do SCPC, considerado o maior da América Latina, até
março de 2005, foram processadas 79 milhões de consultas.
Em um único mês, mais de 38 milhões foram realizadas
por associados. "Nosso recorde de consultas aconteceu no dia
5 de janeiro de 1985, quando foram feitas 4,5 milhões de
chamadas. A média diária é de 2 milhões",
comenta o superintendente.
Uma vida
dedicada aos serviços de crédito
Leonardo Rodrigues/
Digma Imagem

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Iniciei minha carreira na entidade
justamente quando estava sendo gestado o Serviço Central
de Proteção ao Crédito (SCPC). Eu coordenava
os trabalhos de preparação dos arquivos enviados pelas
empresas com os nomes dos maus pagadores. Entrei em 1955, como encarregado
dos serviços de informações de pessoas jurídicas
e saí em 2000, como gerente geral dos serviços de
informação.
Naquele tempo, o volume de trabalho era muito grande e o SCPC chegou
a ter cerca de 500 funcionários, metade do efetivo da entidade.
Eu destacaria, como uma das características da ACSP, o fato
de as pessoas trabalharem por muitos anos nela. Durante esse tempo
cheguei a receber algumas propostas de emprego, mas não aceitei.
Antes do SCPC, a concessão de crédito era muito difícil
e demorada. Com a centralização das informações
sobre os maus pagadores, gerou-se uma outra dinâmica nos serviços
e o pagamento parcelado passou a ser aprovado praticamente na hora.
Por isso, considero que o SCPC trouxe benefícios tanto para
os tomadores de crédito, oferecendo mais agilidade e menos
constrangimentos, como para as empresas, que passaram a ter mais
segurança e tranqüilidade para vender a prazo.
José Carlos Pinto dos Santos, que trabalhou por 45 anos
na ACSP.
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