A história da revolução do crédito no Brasil
Da necessidade de agilizar a concessão de crédito, que levava até 10 dias, às modernas consultas de dois segundos ao SCPC, foram 50 anos de conquistas para varejo e consumidor
 
1960
1970
 
Patrícia Cruz/AgLuz
Reunião do Conselho do SCPC na véspera do cinqüentenário
 
Arquivo pessoal
José Carlos (acima, o primeiro à direita) em reunião do Conselho de 1955 e atualmente (a direita)

 

 

Por Márcia Rodrigues


Não é fácil completar meio século de vida. Ainda mais cheio de realizações, aprimoramento e comprometimento ético com uma rede de empresários, comerciantes, bancos e, principalmente, com o consumidor. Mas a evolução do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), ao longo dos últimos 50 anos, vai ainda muito além disso. Ela tem o peso da responsabilidade de quem revolucionou a história do crédito no País.

Criação do serviço foi manchete no DC

Do processo inicial, com as informações registradas em fichas armazenadas em gigantescos armários aos mais modernos mainframes da IBM até chegar às atuais plataformas AS/400, o caminho foi longo. O SCPC foi criado em uma reunião no dia 14 de julho de 1955 pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em uma época de turbulências políticas e eleitorais e de grandes dificuldades para o varejo conceder crédito ao consumidor.

Os comerciantes dependiam de informantes – nome dos funcionários contratados para verificar se as informações prestadas pelo interessado em conseguir o parcelamento estavam corretas – para validar a operação. O processo todo podia durar de sete a dez dias.

As informações eram trocadas na praça – daí o nome sujo na praça – e quem tinha uma dívida, quando saldava, precisava fazer uma declaração de que havia quitado a pendência. Só que nem sempre era possível para os comerciantes fazerem o cruzamento completo das informações.


O MOVIMENTO

Foi aí que um grupo de empresários percebeu a necessidade de se facilitar e agilizar a troca dos dados sobre os consumidores. Começou a surgir um movimento para que uma entidade concentrasse todos os dados de crédito do comércio. Em abril de 1955, o proprietário da "Casas Minerva Roupas Ltda.", Vicente Botacini, associado da ACSP, pediu à entidade que se responsabilizasse pela centralização de todos os dados do comércio.

O então presidente, Emílio Lang Júnior, convocou os lojistas para tratar do assunto e, em 14 de julho, o primeiro serviço de proteção ao crédito foi criado. "A discussão envolveu os principais dirigentes lojistas da cidade e até de outros estados. Mas foi São Paulo que tomou a iniciativa de buscar uma solução que evitasse que o comerciante tivesse prejuízo", conta José Carlos Pinto dos Santos, de 72 anos, que acompanhou toda a criação do SCPC e ficou à sua frente durante 45 anos.

EVOLUÇÃO
Desde então o sistema passou por várias alterações. As consultas, que no início demoravam até três dias, ficaram cada vez mais rápidas. E, dos dez minutos antes da informatização – por causa do manuseio das fichas por atendentes – foram para dois ou três minutos com a implantação dos primeiros terminais.

O processo de informatização teve início em 1977 e durou seis anos. Na época, a tecnologia era acessível a poucos, pois só existiam os grandes computadores e esses eram muito caros. Todas as informações constantes nas fichas foram transferidas para os terminais. "Quando acabamos a transferência dos dados, reunimos as fichas e levamos ao clube de campo da entidade, no Horto Florestal, para queimar tudo", lembra Nelson Castilho, superintendente de informática da ACSP.

Com a informatização completa, surge uma nova etapa. A associação começou a estudar uma forma de interligar as informações dos consumidores não apenas de São Paulo, mas de todo País. E assim nasceu a Rede de Informação e de Proteção ao Crédito (RIPC), que uniu os dados de alguns estados. Depois veio a Rede Nacional de Informações Comerciais (Renic), que passa a cobrir todo o território nacional justamente no ano do cinqüentenário do SCPC.

Para manter a infra-estrutura de tecnologia da entidade, Castilho afirma que a ACSP investiu cerca de US$ 1 milhão, em média, entre 2002 e 2005. "Nossa intenção agora é a informatização total da Associação Comercial, ou seja, cada funcionário terá o seu computador e o sistema ficará totalmente integrado", diz.

Só para se ter uma idéia da imensidade do banco de dados do SCPC, considerado o maior da América Latina, até março de 2005, foram processadas 79 milhões de consultas. Em um único mês, mais de 38 milhões foram realizadas por associados. "Nosso recorde de consultas aconteceu no dia 5 de janeiro de 1985, quando foram feitas 4,5 milhões de chamadas. A média diária é de 2 milhões", comenta o superintendente.


Uma vida dedicada aos serviços de crédito

Leonardo Rodrigues/
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Iniciei minha carreira na entidade justamente quando estava sendo gestado o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Eu coordenava os trabalhos de preparação dos arquivos enviados pelas empresas com os nomes dos maus pagadores. Entrei em 1955, como encarregado dos serviços de informações de pessoas jurídicas e saí em 2000, como gerente geral dos serviços de informação.

Naquele tempo, o volume de trabalho era muito grande e o SCPC chegou a ter cerca de 500 funcionários, metade do efetivo da entidade.

Eu destacaria, como uma das características da ACSP, o fato de as pessoas trabalharem por muitos anos nela. Durante esse tempo cheguei a receber algumas propostas de emprego, mas não aceitei.

Antes do SCPC, a concessão de crédito era muito difícil e demorada. Com a centralização das informações sobre os maus pagadores, gerou-se uma outra dinâmica nos serviços e o pagamento parcelado passou a ser aprovado praticamente na hora. Por isso, considero que o SCPC trouxe benefícios tanto para os tomadores de crédito, oferecendo mais agilidade e menos constrangimentos, como para as empresas, que passaram a ter mais segurança e tranqüilidade para vender a prazo.

José Carlos Pinto dos Santos, que trabalhou por 45 anos na ACSP.

     
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