| Por José Fernandes Sales
O esforço contínuo em conhecer e antecipar as necessidades
dos usuários foi um dos segredos do sucesso desses 50 anos
do Serviço Central de Proteção ao Crédito
(SCPC) da Associação Comercial de São Paulo
(ACSP). Quem revela é o presidente da entidade e da Federação
das Associações Comerciais do Estado de São
Paulo (Facesp), Guilherme Afif Domingos. Nesta entrevista, ele fala
também da trajetória do serviço, de sua gestão
e das perspectivas da economia.
Arquivo DC
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| Guilherme Afif Domingos:
"a principal parceria é com os usuários
que ao longo desses anos têm mantido a fidelidade
ao serviço" |
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Diário do Comércio
– Como o sr. avalia a evolução dos serviços
prestados pelo SCPC ao longo desses 50 anos?
Guilherme Afif Domingos – O SCPC prestou
relevante serviços aos lojistas e instituições
financeiras nesses 50 anos, contribuindo para a expansão
do crédito ao consumidor e, em conseqüência, para
o desenvolvimento da indústria de bens de consumo. A trajetória
ao longo desse tempo mostrou a disposição da entidade
de estar sempre capacitada a atender as demandas de seus usuários,
acompanhando o ritmo das mudanças tecnológicas e das
novas formas de financiamento criadas no período. Sem dúvida,
é uma trajetória de sucesso.
Como o sr. definiria sua
gestão à frente dos serviços prestados pela
ACSP até agora?
Atender as necessidades dos usuários, contribuindo para que
eles possam expandir seus negócios e até antecipar-se
a essas necessidades, foi o objetivo central da minha gestão
no tocante aos serviços da entidade.
E qual o principal desafio
dessa administração?
Está sendo a consolidação da Rede Nacional
de Informações Comerciais (Renic), que dá abrangência
nacional às informações, embora cada um dos
bancos de dados locais ou regionais continue atuando com autonomia.
O que o sr. destacaria
em termos de inovação nos serviços comerciais
nos últimos anos, tanto na área tecnológica
como de processos?
Acompanhar a evolução da tecnologia, tanto de informática
como de comunicação, é um desafio permanente,
que tem sido vencido com fortes investimentos, não apenas
em equipamentos mas também, e sobretudo, no fator humano.
Podemos dizer com orgulho que o SCPC está não apenas
atualizado, mas um passo à frente das necessidades dos usuários.
Quais são os principais
parceiros do SCPC?
A Renic congrega mais de 2 mil serviços de proteção
ao crédito de todo o País e, portanto, são
todos parceiros, embora muitos de forma indireta, mas a principal
parceria é com os usuários que ao longo desses anos
têm mantido a fidelidade ao serviço.
Como a pessoa física
percebe a atuação dos serviços de informações
comerciais hoje em dia?
Acredito que a maioria da população considera o SCPC
um órgão importante para a obtenção
de crédito. Por isso procura manter sempre o "nome limpo".
Em 1922 a ACSP já
defendia a democracia, reivindicava a queda dos juros e melhores
condições de crédito. E hoje, quais são
suas principais demandas?
Menos tributos, menos burocracia e juros mais baixos, mas, sobretudo,
liberdade de empreender.
Para o consumidor final
o crédito continua crescendo e os juros baixando. Para a
pessoa jurídica acontece o contrário, como o sr. analisa
essa situação?
O Brasil atravessa uma crise política cujos desdobramentos
ainda são imprevisíveis. Esperamos que eles fiquem
circunscritos à esfera política, sem contaminar a
economia. A situação econômica brasileira pode
ser considerada razoável com bom desempenho das exportações,
alguma recuperação do consumo e a queda da inflação.
O que a atual situação
representa para a economia como um todo?
Se o Banco Central começar a reduzir a taxa de juros logo,
ainda poderemos ter uma aceleração do consumo no final
do ano, embora o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deva
ser inferior a 2004.
Que contribuição
uma instituição como o SCPC pode dar para mudar o
quadro atual?
A grande alavanca do consumo, especialmente de bens de maior valor,
é o crédito. O SCPC desempenha, portanto, papel importante
para viabilizar os financiamentos. |