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Por Márcia Rodrigues
Pascal Pavani/AFP |
| Lojistas franceses
já criaram a cultura de apoiar a recuperação
de crédito, para que o consumidor possa continuar
comprando |
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Paulo Pampolim/Digna Imagem
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| Brunno Giancoli acredita
que o consumidor quer pagar as dívidas, mas precisa
de apoio |
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Os juizados especiais contribuíram para que
o cidadão brasileiro começasse a procurar mais a Justiça
para negociar as suas dívidas. Só que o caminho para
estes acordos ainda é muito longo e burocrático. Diferentemente
do que acontece na França, no Brasil, não dá
para reunir todos os credores para refinanciar suas dívidas.
O mais difícil é que a solução também
não vem por meio administrativo, mas por via judicial. E
as ações devem tramitar separadamente para cada credor.
"Ainda bem que hoje já é possível ajuizar
estas ações gratuitamente, sem a presença de
um advogado, nos juizados especiais. Senão o cidadão
ainda teria que arcar com o ônus do honorário advocatício
e das custas processuais", comenta Brunno Pandori Giancoli,
advogado do Instituto Jurídico da Associação
Comercial de São Paulo (ACSP).
Força tarefa
Segundo o advogado, o Procon seria o melhor órgão
para cuidar da negociação de dívidas do consumidor
com seus credores. Mas o Brasil ainda não desenvolveu a cultura
de cooperação do consumo. A única ação
"ainda embrionária" que existe no País é
uma força-tarefa da Associação Comercial para
viabilizar o micro-crédito. Ou seja, permitir que a pessoa
super endividada consiga uma injeção de capital para
se livrar das dívidas.
"A maioria maciça do país quer pagar porque ninguém
gosta de ser visto como devedor. Os fornecedores precisam perceber
que dependem do consumidor para sobreviver e que o melhor a fazer
é apoiá-los para que recupere seu crédito e
volte a comprar", acrescenta.
Um dos estímulos para esta ação da ACSP é
uma lei nova, criada pelo governo do presidente Lula, sobre o mínimo
da cidadania. Ela determina que a pessoa tem um direito mínimo
de educação e saúde. "Com isso pretende-se
fortalecer a importância de se investir no micro-crédito
brasileiro. Afinal, o cidadão precisa ter certa capacidade
de consumo para se alimentar, vestir e fazer a manutenção
da sua saúde."
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