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Por Fernanda Pressinott
Atrás de um empréstimo
Fotos: Leonardo
Rodrigues/
Digna Imagem |
| Marilda Fernandes:
na hora do sufoco, marido "dá um jeitinho" |
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Embora já tenha tido o nome incluído no cadastro do
SCPC por ter "emprestado o nome" para um crediário
do vizinho, parece que a dona de casa Cristina Regina Rocha Rodrigues,
41 anos, não teme novos problemas. Tanto que acaba de pedir
um empréstimo pessoal no valor de R$ 300, não para
ela mesma, mas para o sobrinho de 18 anos. "Ele vai pagar,
tenho certeza", acredita, com a mesma confiança da maioria
dos consumidores que emprestam seus nomes e depois os vêem
incluídos no cadastro de maus pagadores.
A dificuldade para conseguir o crédito é normal para
Cristina. "Eles (os estabelecimentos) têm que consultar
tudo mesmo, não é? Se não, como vão
saber se posso pagar?" Ela também "acha justo verificar
se o nome da pessoa consta no SCPC".
No dia desta entrevista, a dona de casa ainda não havia conseguido
o empréstimo para o sobrinho porque tinha muitas contas em
atraso, mas afirmou que iria quitar algumas delas e voltar na loja
para pedir novamente o dinheiro.
Colecionadora de cartões
Parece que faço coleção
de cartões de loja de tantos que eu tenho. A revelação
é de Anielle Oliveira Inocêncio, 20 anos, que mesmo
desempregada, continua comprando no crediário. "Tento
postergar as dívidas até arrumar outro emprego",
conta.
Quanto ao seu nome ser consultado no sistema do SCPC no ato das
compras, ela afirma que ainda não teve problema, mas, "se
não arrumar emprego logo, já já pode acontecer
(do nome estar entre os devedores)".
Apaixonada por carnês
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| Luzinete: 20 carnês
simultâneos |
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A aposentada Luzinete Ana Milanez, 54, é o
que se pode chamar de uma apaixonada por crediário. Ela tem,
neste mês, 20 carnês diferentes para pagar, todos com
mais de oito prestações. "Compro tudo a prazo,
no máximo de prestações que a loja permitir",
diz. Luzinete não se importa nem de pagar mais caro, já
que nas prestações estão embutidos juros. "Vejo
as matérias nos jornais sobre juros, mas não presto
atenção, se não, não compro nada. Prefiro
ter as prestações porque dou um jeito e pago."
Nas compras parceladas entram de comida até roupa para os
filhos e eletrodomésticos. A aposentada tem mais de 15 cartões
private label (com a bandeira das lojas) e afirma que, quando não
consegue pagar tudo, quita o valor mínimo de cada fatura.
"Vou deixando os juros correrem, uma hora a gente acerta tudo."
Mas o costume de comprar a prazo não fez de Luzinete uma
especialista no assunto. Mais de uma vez, ela teve o nome na lista
do SCPC. "Ficou lá um tempão, fazer o quê?
Mas depois consigo tirar o nome e faço novas compras."
Vivendo na corda bamba
Não vejo problema na loja consultar o SCPC, fico até
aliviada porque consigo crédito mais facilmente. A afirmação
é da secretária Marilda Fernandes Pedroso, 50 anos,
que nunca teve seu nome incluído na lista de maus pagadores.
No entanto, ela diz que algumas vezes quase seu CPF foi incluído
no cadastro e isso só não aconteceu porque o marido
"a salvou".
"Meu marido compra tudo a vista, é mais esperto, eu
sei, não paga juros, mas eu não consigo e, às
vezes, quando perco o controle, sou obrigada a apelar para ele",
afirma a secretária.
O costume do marido não faz com que ela acompanhe o comportamento.
Além de cartões de bancos, Marilda mantém na
carteira uma série de cartões de loja e ainda diz
fazer compras com cheques pré-datados. "Só consigo
comprar assim", justifica.
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