Mais do que clientes, eles são parceiros
Relacionamento de muitos anos entre clientes e Associação Comercial foi essencial para evolução dos serviços de informações comerciais nesses 50 anos

 

 

Por Fernanda Pressinott

Fotos: Patrícia Cruz/Ag. Luz
"Sempre que precisamos de algo nesses 20 anos, estavam à disposição para nos ajudar", diz Mauro Bim
 
Para Celso Amancio, "o caminho é agregar mais valor às consultas"

O Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) evoluiu muito em 50 anos e boa parte desse desenvolvimento pode ser creditado à ajuda de clientes parceiros. Como explica Alexandre Alonso, gerente de marketing da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a entidade sempre tomou o cuidado de ouvir os usuários do sistema, para depois fazer as mudanças que melhor os atendessem.

Por essa facilidade na comunicação, muitos dos clientes do SCPC já o são há muitos anos, caso do Banco Cacique, que usa o sistema de consulta ao crédito há 20 anos. "Nos consideramos parceiros da ACSP porque sempre que precisamos de algo nesses 20 anos, eles estavam à disposição para nos ajudar", comenta o responsável pela área de crédito nacional do Cacique, Mauro Bim.

Segundo ele, a consulta ao serviço "tornou-se uma rotina e nem nós, nem os clientes ficamos constrangidos com a verificação". Bim explica que, há alguns anos, as pessoas ficavam um pouco indignadas pelos estabelecimentos consultarem seus nomes na lista de devedores. Atualmente, o banco faz cerca de 100 mil consultas mensais ao SCPC.


EVOLUÇÃO
Outro banco que também é cliente da ACSP há vários anos – exatos 30 – é o Panamericano. "O serviço já foi bem simples; hoje, evoluiu muito com a integração de dados com outros estados e com a ampliação de informações disponíveis", diz o diretor de crédito e cobrança, Adalberto Savioli.

As consultas ao SCPC são o primeiro passo do banco na concessão de recursos. "Se a resposta for de que nome consta entre os maus pagadores, já negamos o crédito na hora", explica. A consulta só não é feita pela entidade quando o crediário é consignado em folha de pagamento ou envolve algum bem de garantia, como automóvel por exemplo.

O diretor do Panamericano ainda lembra de ressaltar a importância de agregar ainda mais dados às consultas. "A informação nada consta atualmente é apenas o começo. Precisamos de mais dados agregados e a associação está começando a nos oferecer isso com o UseScore, mas acho que poderia ser um valor agregado àqueles que já usam o SCPC", diz. Bim diz considerar imprescindível ter o produto como forma de diminuir os riscos na hora de fazer empréstimos.


GRANDES REDES
Entre os clientes do SCPC não estão apenas bancos e instituições financeiras. Lojas e estabelecimentos comerciais em geral também usam o produto para vender a prazo. Um dos principais clientes da ACSP nesse segmento, a rede Pernambucanas, não deixa de usar o serviço para a concessão de cartões private label. "Esta é a maior arma que temos para reduzir o risco de inadimplência", afirma o gerente de departamento de crédito e prevenção de fraudes da rede, Rogério Alonso Messias. A Pernambucanas faz mais de 500 mil consultas/mês ao SCPC, além de 450 mil mensais ao Usecheque. Lá, mais de 80% das vendas são feitas a prazo.

Segundo Messias, a integração do banco de dados da ACSP com outras entidades do País melhorou enormemente o serviço. "A modelagem, a forma de acesso e a parte técnica também evoluíram nos últimos anos, mas o banco de dados nacional (Renic) foi o que surgiu de mais importante para nós, porque agora, em poucos segundos, temos a informação se o nome do cliente consta ou não na lista de maus pagadores em qualquer cidade do País", diz.


CADASTRO DO BEM
No entanto, o gerente da Pernambucanas acredita que o próximo passo poderá ser o mais importante para a ACSP e para os usuários de seus serviços. Ele se refere ao cadastro positivo, que está em análise pelo governo federal. "Se o projeto for aprovado, criará uma nova forma de conceder crédito, com melhores condições aos bons pagadores e não fazendo com que eles arquem com o risco dos devedores", acredita.

O diretor executivo do Carrefour, Celso Amâncio, tem a mesma opinião e acredita que o cadastro positivo, assim como tudo que agregue mais informações sobre os clientes, é bem vindo na hora de conceder crédito. Atualmente, a rede de supermercados testa o UseScore, que traz informações mais completas das ações dos usuários nos últimos anos e faz uma análise de risco de acordo com esse perfil.

"O caminho é justamente agregar mais valor às consultas porque a simples negativação não serve mais como única informação sobre o cliente", afirma ele. O Carrefour atualmente não nega crédito para quem está com o nome na lista de devedores do SCPC, mas usa a informação para estabelecer limites de compra e para agregar dados as cadastros de seus clientes.

Na opinião de Amancio, seria interessante se a ACSP criasse um produto que pudesse cruzar as informações de histórico de compra e crédito dos clientes, com uma espécie de verificação de documentos. "Temos muitos problemas com endereços falsos, documentação clonada, e seria interessante um sistema que nos permitisse verificar isso também", sugere. Como todos os clientes, sua última sugestão é para que as melhorias sejam implementadas sem que o custo do uso do SCPC aumente.

     
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