Anatomia de um formigueiro
Deus
ajuda quem cedo madruga. O dito popular nunca foi tão verdadeiro
para o repórter fotográfico Alex Ribeiro, do Diário
do Comércio. Sua missão: retratar como a maior e mais
famosa rua de comércio popular da cidade, a 25 de Março,
desperta e se comporta até por volta do meio-dia. Bem cedinho,
pelas cinco da manhã, ele se dirigiu para seu posto de observação
e, nas nove fotos abaixo, mostrou, com felicidade, que em menos de
6 horas a rua vira um "formigueiro humano".
| 5:40 - As primeiras luzes do outono demoram a
iluminar a cidade. Nada (ou muito pouco) mostra que esta é a
maior rua de comércio popular da América Latina. |
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| 6:00 - De longe, desconfiados, cautelosos, os
primeiros camelôs dão as caras. Ilegalmente. Têm
olhos puxados. A língua é arrevesada. São chineses. |
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| 6:10 - O frio da manhã-madrugada encontra
trabalhadores que saem dos ônibus. Oportunistas, os camelôs
(bem poucos) oferecem luvas de lã. |
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| 6:20 - Já amanheceu e os chineses, agora,
dividem o meio-fio com brasileiros nordestinos, mineiros, poucos
paulistanos. Ocupar as calçadas, nem pensar. |
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| 8:30 - As primeiras barracas de toldo azul são
montadas nas calçadas. São os camelôs legalizados.
As calçadas são deles. Chegam os primeiros fiscais. |
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| 9:30 - Uma hora depois e a 25 começa a
trepidar. Sonoridades diversas vêm dos carros, da ladainha
dos ambulantes, do estalar das caixas. Gente. |
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| 10:30 - A multidão toma corpo. Clientes
da cidade, do interior, de outros estados, de outros países.
Sotaques lusitanos de Angola e Moçambique. |
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| 11:00 - A 25 se agiganta, ganha corpo, volume.
Barracas, carros, compradores, transeuntes, fiscais e policiais formam
uma massa amorfa, barulhenta. |
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| 12:00 - A 25 de Março, totalmente desperta,
explode em vendas. Legais e ilegais. Se homens fossem formigas, a
25 seria seu maior formigueiro. |
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