Encenado em 21 países, em nove idiomas diferentes, o musical de Andrew Lloyd Weber já foi visto por 52 milhões de pessoas, em duas décadas. No Brasil, Saulo Vasconcelos é o Fantasma, e as atrizes Sara Sarres e Kiara Sasso
dividem o papel da personagem Christine


TEATRO

O SUPER-FANTASMA

Montagem brasileira de O Fantasma da Ópera custou dez milhões de dólares e já vendeu 30 mil ingressos com antecedência

Por Sérgio Roveri

O mais famoso, o mais longevo e, a partir de agora, também o mais caro dos musicais está em cartaz em São Paulo. Ao custo de dez milhões de dólares e um recorde de 30 mil ingressos já vendidos com antecedência, O Fantasma da Ópera está em cartaz no Teatro Abril, para uma temporada de pelo menos 18 meses e expectativa de público ao redor de 600 mil pessoas. É o maior investimento feito pela produtora CIE Brasil em um produto do show biz, mas cada centavo parece ter sido gasto com a certeza de quem apostou no cavalo vencedor: uma pesquisa realizada no Teatro Abril mostrou que o Fantasma da Ópera despontava como o musical mais aguardado por 85% do público paulistano.

Os números que rondam a produção nacional de O Fantasma da Ópera são tão superlativos que esta reportagem poderia, tranqüilamente, estar abrigada no caderno de economia: até o momento já foram gastos quatro milhões de dólares com transporte de equipamento e cenários, contratação de músicos, atores e dançarinos e as despesas da equipe técnica importada dos Estados Unidos e Europa. A partir do momento em que entrou em cartaz, o custo do espetáculo, a título de manutenção, está sendo da ordem de um milhão de reais por mês. "Tudo para que o público tenha a certeza de que está diante de um espetáculo idêntico ao apresentado na Broadway e em Londres, com a vantagem de ser falado em português", diz Fernando Altério, presidente da CIE Brasil. "O poder de fogo deste musical é tão considerável que apostamos até no crescimento no número de turistas em São Paulo".

Duzentas pessoas, entre técnicos, músicos e atores, estão sendo mobilizadas por sessão para contar a história de um virtuose da música, de rosto deformado e presença ameaçadora, que ronda solitário pelos subterrâneos úmidos da Ópera de Paris, onde purga uma incontrolável paixão por uma simples corista, Christine, a quem deseja transformar em estrela. A jovem cantora, entretanto, mantem-se fiel a Raoul, antigo namorado de infância.

20 anos em cartaz

O musical, composto por Andrew Lloyd Weber, estreou em Londres em 1984 e foi inspirado no romance de mesmo nome, publicado na França, em fascículos, em 1911. O sucesso da produção inglesa motivou a estréia do Fantasma na Broadway, três anos depois. Hoje o espetáculo já foi encenado em 21 países, em nove idiomas diferentes. Estima-se que a peça já tenha sido vista por 52 milhões de pessoas nestas quase duas décadas.

"É claro que, ao longo destes 20 anos, aprendemos muito", diz Arthur Masella, diretor da montagem nacional. "E, com a evolução dos efeitos especiais, eu posso garantir que a produção brasileira está mais calibrada que a americana ou a inglesa. A famosa queda do lustre, por exemplo, que ocorre ao fim do primeiro ato, se dá de forma muito mais ameaçadora aqui do que lá fora". Tanto apuro técnico, no entanto, não foi suficiente para ocultar, ao menos na apresentação destinada aos jornalistas, que em alguns momentos a produção da peça recorre à confortável utilização do playback. "Mas isto é um dos truques do espetáculo. Não há problema em você utilizar alguns segundos de playback numa montagem de mais de duas horas", declarou, irritado, o diretor musical Guy Simpson.

Mais de mil candidatos se apresentaram para as 17 vagas de músicos e as 38 de atores e cantores que compõem o elenco do Fantasma. Os testes, realizados em apenas uma semana, destinaram os principais papéis para Saulo Vasconcelos (Fantasma), Sara Sarres e Kiara Sasso (que dividem o personagem Christine), Nando Prado (Raoul), Edna d’Oliveira (Carlotta Giudicelli) e Homero Velho (Monsieur André).

O Fantasma da Ópera
Teatro Abril, Avenida Brigadeiro Luís Antonio, 411, tel.: (11) 6846-6060. De quarta a sexta, às 21h, sábado às 17h e 21h, domingo às 16h e 20h. Ingressos de R$ 65 a R$ 200.

 

 
PARA DAR VIDA AO MASCARADO

Números do musical são superlativos

- A produção nacional de O Fantasma da Ópera emprega 200 pessoas, entre camareiras, técnicos, peruqueiros, maquinistas, músicos, atores e dançarinos

- A equipe internacional, composta por 20 pessoas, ficou em São Paulo até a estréia do espetáculo

- Figurinos e cenários pesam cem toneladas e vieram de navio de Londres e Madri. Desembarcaram no porto do Rio de Janeiro e foram trazidos para São Paulo em 14 carretas

- O figurino é composto de 160 perucas, 100 chapéus e 100 pares de sapatos feitos sob medida. Mais da metade das perucas são feitas de cabelo natural

- 125 quilos de gelo seco são utilizados em cada sessão para criar o ambiente enfumaçado por onde o fantasma circula

- Há 187 figurinos completos que consumiram, em sua confecção, 1500 metros de renda dourada

- 18 pessoas tomam conta dos figurinos e oito estão encarregadas das perucas

- A peça mais deslumbrante do cenário, o famoso lustre, foi construído em Londres e veio de navio até o porto de Santos. Chegou a São Paulo a bordo de uma carreta especial. Ele pesa 450 quilos, mede 2m10 de altura por 2m20 de largura e 3m60 de comprimento.
É decorado com 59 lâmpadas e 25 mil pedras que imitam cristal

- Neste momento, o musical está em cartaz em Londres, Nova York, Shangai, Budapeste e África do Sul