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Marilyn Monroe morreu cedo, aos 36 anos de idade. Em 1962. Mas em todos os anos posteriores ela jamais deixou de ser figura cultuada e comentada. Muitas obras escritas e na tela já tentaram mostrar como viveu. Sete Dias com Marilyn é um recorte de sua vida quando tinha 30 anos e viajou à Inglaterra para estrelar o longa O Príncipe Encantado (The Prince And The Showgirl), ao lado do britânico
Sir Lawrence Olivier.
A base para o roteiro foi o livro de memórias The Prince, the Showgirl and Me (O Príncipe, a Corista e Eu), de Colin Clark, que então com 23 anos e trabalhando na função de assistente de produção, conhece de perto e se encanta por Marilyn.
Eddie Redmayne convence
no papel do jovem.
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| Julia Ormond é Vivien Leigh; Eddie Redmayne, o jovem Colin Clark. E Kenneth Branagh no papel de Sir Lawrence Olivier. |
Michelle Williams, escalada para viver a atriz nas telas, está um passo além. Ela parece ter incorporado a personalidade de Marilyn de tal maneira a abarcar todos os gestos, do leve esgar ao profundo suspiro, passando pela maneira de falar, sorrir, olhar e andar. E ainda canta todas as músicas. Vulnerável, desprotegida e, ao mesmo tempo, sensual e provocadora, vai deixando por onde passa um rastro de homens embasbacados com sua beleza e carisma.
Então casado com a atriz Vivien Leigh (Julia Ormond),
Sir Lawrence (Kenneth Branagh) não foi exceção. Embora extenuado pelos atrasos nas filmagens, vontades e venetas
da diva, ele ficou durante algumas semanas nada menos do que apaixonado por ela,
por seu natural talento e também, claro, pelas curvas inacreditáveis da moça. Branagh, ator com formação shakespereana como Olivier, imprime elegância ao papel.
Uma frase de Collin dita a Marilyn resume a situação na qual se encontram naquele instante as carreiras de ambos: "Sir Lawrence Olivier é um grande ator que quer ser estrela de cinema. Você é a estrela de sucesso que gostaria de se tornar uma grande atriz".
Marilyn tinha um medo patológico de ficar sozinha, de ser abandonada. Passou por três casamentos. Aos 30 anos, já estava no terceiro, com o dramaturgo Arthur Miller (Dougray Scott), que a acompanhou às terras britânicas, mas voltou para os EUA antes do final das filmagens, deixando-a sozinha no país estrangeiro, o que viria a provocar uma crise. Seu primeiro casamento foi aos 21 anos, ainda com o nome de Norma Jeane, com Jimmy Dougherty. O segundo enlace foi com o craque do beisebol Joe DiMaggio.
Ela não conheceu o pai biológico. Mantinha na cabeceira da cama uma fotografia do presidente americano Abraham Lincoln (1809-1865). "Já que não sei quem foi meu pai, ele é uma boa opção, não acha?", diz a Colin em momento melancólico. Levava consigo uma tristeza profunda. Um desencanto com o mundo e com os homens em geral. Famosa, rica, assediada em todos os lugares aonde passava, declarou diversas vezes (a cena está no filme) que queria somente ter alguém para tomar conta dela. Era uma moça infeliz dotada de rosto perfeito e corpo idem,
além de talento instintivo
para atuar.
Paula, a assistente que a acompanha em todos os passos, tenta fornecer a estrutura psicológica. Quando Marilyn
é tomada pela insegurança,
diz: "Concentre-se nas coisas que você gosta: Frank Sinatra e Coca-Cola".
O maior sucesso da carreira de Marilyn viria um pouco depois, com Quanto Mais Quente, Melhor (Some Like It Hot, 1959), de Billy Wilder, com Tony Curtis e Jack Lemmon. A atriz faria ainda Adorável Pecadora (Let's Make Love, (1960), de George Cukor; Os Desajustados (The Misfits, 1961), de John Huston, e Something's Got to Give, 1962), também dirigido por Cukor, com Dean Martin e Cyd Charisse. Ela
não envelheceu. Não deu tempo de chegar a ser realmente respeitada como atriz. Fez comédias ligeiras, algumas memoráveis, mas tanto na época quanto agora costuma ser mais lembrada pelos atributos físicos.
Sete Dias com Marilyn consegue ser um filme que reúne a feliz conjunção de ótimas atuações, timing preciso e locações interessantes (que não chamam mais atenção do que a história em si), para mostrar a atriz no auge da carreira. O elenco conta ainda com Emma Watson (a Hermione da série Harry Potter), que faz a figurinista Lucy, e a ótima Judi Dench, na pele da atriz Sybil Thorndike. Fica a impressão de que a direção de Simon Curtis foi leve, tal a naturalidade com que a trama flui. Talvez não tenha sido assim. A arte de manter tudo simples quase nunca é fácil.
O resultado fala por si.
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Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn, 2011, EUA, Reino Unido. Duração: 1h39). Direção: Simon Curtis.
Com Michelle Williams, Eddie Redmayne, Julia Ormond, Kenneth Branagh, Judi Dench, Dougray Scott, Emma Watson. |
| Factory311 |
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DISCOS
Além de ótima comediante e atriz dramática, Marilyn sabia como ser showgirl e cantora. Sua voz pequena era afinada, trabalhando com nitidez os sons mediais. E mais: Marilyn aprendeu com esperteza a lidar com as palavras, articulando-as com respiração perfeita, adequada à sua leveza vocal, sempre espontânea. Se arriscarmos situá-la num universo de cantoras que se tornaram referência cult, podemos dizer que a arte de Marilyn estabelece contato imediato com a da americana Blosson Dearie (1904-2009). O vocal de Blosson era um instrumento de jazz, com habilidade (e sensibilidade) para dividir as sílabas (João Gilberto é seu fã.) E quem lembra o charme e a sensualidade de Marilyn é a atriz Michelle Pfeiffer no filme Susan e os Baker Boys, quando canta Makin' Whoopee (Gus Kahn e Walter Donaldson) e Lullaby of Birdland (George Shearing).
Marilyn? Ela cantou em filmes e gravou discos. Em Os Homens Preferem as Loiras (Gentleman Prefer Blondes, 1953), contracena com Jane Russel (a morena) e sola a divertida Diamonds Are a Girl's Best Friend (Diamantes São os Melhores Amigos de uma Garota), de Styne/Robin. No disco Remember Marilyn, interpreta clássicos como Bye Bye Baby (Styne/Robin). Em Adorável Pecadora (Let's Make Love, 1960), registra uma versão única de My Heart Belongs
to Daddy (Meu Coração
Pertence ao Papai), canção de Cole Porter. Já em Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959). Marilyn exibe tremendo suigue em I Wanna Be Loved By You (Eu Quero Ser Amada por Você... ), de Kalmar/Stothart/Ruby. (MMJ) |
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Veja em DVD
Estrela em comédias clássicas
Para entender completamente
o encantamento provocado pela diva, nada melhor
do que seus filmes. A caixa
de DVDs Coleção: Marilyn contém filmes clássicos: Como Agarrar um Milionário (How to Marry a Millionaire, 1953), de Billy Wilder;
O Pecado Mora ao Lado
(The Seven Year Itch, 1955),
no qual ela aparece na famosíssima cena com o vestido branco esvoaçante sendo levantado pelo vento que vem do subterrâneo; e Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959). A caixa pode ser encontrada por R$ 29,90.
Preciosidades em 12 títulos
A caixa Marilyn Monroe - Coleção Diamante Volume 1 inclui sete DVDs com os filmes Nunca Fui Santa; Torrentes de Paixão; Os Homens Preferem as Loiras; Quanto Mais Quente Melhor; O Rio Das Almas Perdidas; Almas Desesperadas e Marilyn Monroe: o Fim dos Dias. O volume dois vêm com seis discos: O Pecado Mora ao Lado; Como Agarrar um Milionário; O Mundo da Fantasia; Os Desajustados; O Inventor da Mocidade e Adorável Pecadora. R$ 89,90 cada coleção.
Maior deusa de Hollywood
O documentário The Hollywood Collection: Marilyn Monroe traz a história da criança que só queria afeto e aprovação e tornou-se a maior deusa de Hollywood, além dos rumores sórdidos que cercam a vida e sua morte. R$ 29,90.
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Bastidores e disputas na Broadway
O seriado de TV Smash, que chega agora ao sexto episódio, tem como base da trama os bastidores da montagem de um espetáculo da Broadway sobre a vida de Marilyn Monroe.
No grupo de criação do musical estão Julia (Debra Messing) e Tom (Christian Borle). Eles contam com a ajuda da produtora Eileen (Anjelica Huston), que embora descapitalizada tenta conseguir dinheiro para pagar as contas da peça. E na função de diretor embarca o respeitado e arrogante Derek (Jack Davenport). A protagonista escolhida para o papel de Marilyn é Ivy Lynn (Megan Hilty, foto), que disputa os holofotes com Karen Cartwright (Katherine McPhee).
Exibido na programação normal na quarta-feira, às 23h, pelo Universal Channel, a série ganha uma maratona no domingo dia 6 de maio. Serão exibidos os seis primeiros episódios, das 19h à meia-noite.
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Livros
A estrela Marilyn Monroe, morta em 1962, jamais deixou de inspirar autores. Alguns optaram por apenas mostrá-la em todos os ângulos possíveis, como as obras fotográficas editadas pela Taschen e pela Parragon. Outros exploram os meandros obscuros de sua biografia, como o envolvimento com o presidente John Kennedy e também com seu irmão, Bob. E o que teria acontecido pouco antes de sua morte?
Keith Badman tenta explicar.
Os Últimos Anos de Marilyn Monroe - A Verdadeira e Chocante História (Benvira, 472 páginas, R$ 44,90),
de Keith Badman, traz relatos sobre os últimos momentos da vida da atriz, morta por overdose de remédios, em 1962, aos 36 anos de idade.
Norman Mailer, Bert Stern: Marilyn Monroe, de Norman Mailer (Taschen, 278 páginas) traz fotos e vídeos. É material para fãs endinheirados. Foram feitos apenas 1.962 cópias numeradas da obra. Na Livraria da Travessa, custa R$ 2.534. Na Saraiva,
R$ 4.740.
Marilyn e JFK (Objetiva, 216 páginas, R$ 19,90), de François Forestier, funde as biografias da atriz e do presidente americano. O autor procura narrar as histórias dando um clima de filme noir, com detalhes de situações íntimas
e usando humor negro.
Marilyn Monroe (L&PM,
224 páginas, R$ 16), de Anne Plantagenet, mostra a atriz ainda como Norma Jean, mulher morena e gaga. E como ela começou a se transformar
ao descolorir o cabelo
para um anúncio de xampu.
Bilíngue (português e inglês),
o livro Marilyn Monroe (Parragon,
R$ 45), traz a história da
estrela através de fotografias.
Da mesma editora há
Images of Marilyn (R$ 12,90 na promoção
de algumas livrarias virtuais).
A Vida Secreta de Marilyn Monroe (Planeta do Brasil, 464 páginas, R$ 49,90), de J. Randy de Taraborrelli,
explora um documento, até então secreto, no qual o
FBI detalha os casos entre Marilyn e os irmãos Kennedy.
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| Cena do filme Sete Dias com Marilyn |
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