Dona dos olhos cor de violeta mais famosos do mundo, Elizabeth Taylor (1932-2011) deixou sua marca no cinema. Com pais americanos, nasceu na Inglaterra, mas quando ela tinha sete anos de idade a família mudou-se para os Estados Unidos, onde estreou no cinema aos dez anos, em There's One Born Every Minute, de 1942. Logo ficaria mundialmente conhecida por Lassie e a Força do Coração (Lassie Come Home, de 1943), longa-metragem em que vive a menina Priscilla, companheira da ilustre cachorra. Três anos depois, em 1946, voltaria à parceria canina em A Coragem de Lassie (Courage of Lassie).
Liz Taylor, como era chamada, estrelou, nos anos de 1950, grandes filmes como Um Lugar ao Sol (A Place in the Sun, 1951), com Montgomery Clift; e Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1956), com Rock Hudson, ambos atores homossexuais de quem viria a tornar-se
amiga íntima.
 |
| Com Richard Burton |
Com A Árvore da Vida (Raintree County, 1957), receberia sua primeira indicação ao Oscar de melhor atriz. Nesse drama de guerra pontuado por romance, ela trabalhou sob a direção de Edward Dmytryk, tendo novamente Montgomery Clift como companheiro de tela. A segunda indicação viria no ano seguinte com Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof, 1958). Sua personagem, Maggie Pollitt, é uma mulher insatisfeita, desprezada pelo marido. São intensas as cenas protagonizadas por ela e Paul Newman, que também recebeu sua primeira indicação ao Oscar pela interpretação de Brick.
O filme De Repente, No Último Verão (Suddenly, Last Summer, 1959) rendeu a Liz sua terceira indicação ao Oscar. E mais uma vez Montgomery Clift como colega, no papel do neurologista Dr. Cukrowicz. Ela vive a perturbada Catherine Holly, sobrinha de Violet Venable (Katherine Hepburn). Na direção está ninguém menos do que Joseph L. Mankiewicz. Um filme memorável, para ser visto ou revisto.
O primeiro prêmio Oscar viria com Disque Butterfield 8 (Butterfield 8, 1960). Dirigida por Daniel Mann, ela encarna Gloria Wondrous, moça que um dia acorda em um luxuoso e desconhecido quarto. Alguém deixou US$ 250 na cabeceira da cama. Ela escreve com batom uma mensagem pouco simpática no espelho e sai, levando consigo o casaco de peles que encontrou no armário. O filme narra a trajetória de uma garota de programas que enfrentará muitos dilemas morais e problemas de ordem social em razão da natureza de seu trabalho.
E Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? (Who's Afraid of Virginia Woolf?), lançado em 1966, lhe daria a segunda estatueta. Na direção estava de Mike Nichols. Ela, magistral no papel da ferina Martha, atua ao lado de Richard Burton, além de George Segal e Sandy Dennis. Dois casais confinados em uma casa em um final de semana trocam confidências, transbordam rancores e o quarteto entra em um bizarro jogo de sedução.
Cinco vezes indicada para o Oscar; ganhou duas, ambas com personagens de mulheres assertivas, por alguns consideradas verdadeiras megeras. E em 1993 ainda foi distinguida pela Academia de Hollywood com o Jean Hersholt Humanitarian Award, por suas ações sociais no combate à aids.
 |
| Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? |
Até o fim da vida, Elizabeth Taylor jamais deixou de ser personalidade que conferia prestígio a qualquer obra. Tanto que nos anos de 1990 representou a si própria em diversas produções, para a TV e o cinema. Entre as mais festejadas estão o desenho animado Os Simpsons, em 1993, e o seriado The Nanny, em 1996. E em 1994 integrou o elenco do filme Os Flintstones.
A causa de sua morte, ocorrida na última quarta-feira, foi "insuficiência cardíaca congestiva", de acordo com as informações do hospital Cedars-Sinai – no qual estava internada há seis semanas. Ela sofria da doença desde 2004. Na prática, o coração da atriz não era capaz de bombear sangue suficiente para suprir as necessidades dos outros órgãos. Se vale a metáfora de que o coração seja o responsável pelos sentimentos, os problemas de saúde acabaram por resumir sua atribulada vida amorosa. Liz Taylor se casou oito vezes. Duas delas com o mesmo homem, Richard Burton. Ambos de personalidades fortes, enfrentaram alcoolismo, traições e conturbadas idas e vindas, até conseguirem encontrar serenidade no segundo casamento. Um apaixonado Burton disse certa vez que os olhos de Liz eram "tão sexies que equivalem a pornografia".