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O fotógrafo de moda Thomas tira fotos em um parque londrino e, ao revelar o material, percebe a imagem de um corpo escondido sob um arbusto. Enquanto tenta desvendar o crime nos dias que se seguem, ele se vê obrigado a sair do marasmo moral em que vive e a fazer uma reflexão sobre o ambiente que o cerca.

A base para Blow-Up foi um conto do argentino Julio Cortázar, material fértil para as divagações de Michelangelo Antonioni (1912-2007) sobre os mecanismos de comunicação entre as pessoas. A trama tenta demonstrar que a verdade é uma construção compartilhada socialmente. Se há um cadáver mas só o fotógrafo o viu, esta experiência não se estabelece como verdade. A bola de tênis imaginária, porém, fruto de uma convenção grupal, alcança um nível de verdade maior que a testemunhada por ele. A tal ponto que, por pressão social acaba, convencendo o "outsider" de sua existência. “Algumas vezes, a realidade é a mais estranha de todas as fantasias”, resumia o trailer exibido nos cinemas.

Blow-Up combina um tema complexo com um fascinante retrato da Swinging London, que Antonioni teve a sorte de captar no seu auge. Era o momento em que a música era dominada pelo brit-pop, a minissaia acabara de ganhar o mundo e as ruas da capital inglesa eram tomadas por homens de cabelos longos e mulheres liberadas. Este pano de fundo permeia esse estudo do cineasta italiano, em sua primeira experiência fora de seu país-natal.

O filme tem defensores e detratores ferrenhos. O próprio guitarrista Jeff Beck, integrante da banda Yardbirds, que atua na trilha do filme e faz uma breve aparição, teceu comentários ácidos sobre o resultado final. "Na época das filmagens, chegamos a imaginar que estávamos fazendo alguma coisa interessante, mas achei o filme uma baboseira sem fim", comentou ele certa vez, avaliando que os integrantes do grupo foram retratados como tipos caricaturais.
 
Ainda que injusta, a afirmação acaba por remeter a um dos temas da obra - o da apropriação da imagem. Nesse aspecto, a história só ganhou atualidade com o passar do tempo, visto que na sociedade atual é constante o registro da privacidade alheia por onipresentes câmeras, sejam elas voltadas para celebridades, moradores de um condomínio ou transeuntes de um espaço público.  

Antonioni havia ficado impressionado com o desempenho de Terence Stamp em O Colecionador (1965), e pensou em convidá-lo para encarnar o protagonista. Mas Stamp estava engajado no projeto de Teorema, do também italiano Pasolini, e o papel foi para David Hemmings (1941-2004), que já tinha mais de dez anos de carreira e ainda não se destacara. Galã nos anos 60, ele apareceria, disforme, no final da carreira, em Gladiador (2000) e Gangues de Nova York (2003).

Apesar do ritmo lento, dos poucos diálogos e dos extensos planos-seqüência, Blow-Up foi muito bem recebido, especialmente entre os jovens. Ousado para a época, foi o primeiro filme a conter uma cena de nu frontal feminino. A Metro-Goldwyn-Mayer, que distribuiria o filme, chegou a registrá-lo como trabalho da Première Pictures, um estúdio pequeno e não filiado ao comitê de censura, para evitar eventuais cortes.

Influente, o filme virou referência para diversas outras obras, entre elas o suspense Um tiro na noite/Blow-out (1981), de Brian de Palma, e o drama Veludo Azul, de David Lynch. Também chegou a ter sequências citadas em comédias, como Alta Ansiedade (1978), de Mel Brooks. Já uma das peças da trilha de Herbie Hancock foi sampleada em 1990 pelo grupo Dee-Lite na música "Groove is in the heart" de seu álbum de estreia.

Palma de Ouro em Cannes, Blow-Up recebeu indicações aos Oscars de direção e roteiro, ao Globo de Ouro de filme estrangeiro, e foi premiado pelas associações de críticos franceses, italianos e norte-americanos.
 
Galeria de Fotos
 
Ficha Técnica
Título original: Blow-Up
País: Inglaterra/Itália
Ano: 1966
Duração: 110 minutos
Direção: Michelangelo Antonioni
Produção: Carlo Ponti
Elenco: David Hemmings, Sarah Miles, Vanessa Redgrave, Veruschka, Jane Birkin.
Roteiro: Michelangelo Antonioni, baseado no conto Las babas del diablo, de Julio Cortázar
Trilha Sonora: Bernard Herrmann
Fotografia: Carlo Di Palma
Trilha sonora: Herbie Hancock e Yardbirds
 
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