Crítica:
Por Lúcia Helena de Camargo
Wall-E é o robô encarregado de limpar a Terra, que num futuro sombrio está desabitada, poluída além dos limites e entulhada de lixo por todos os lados. Seu nome é uma abreviação de Waste Allocation Load Lifter Earth-Class (Localizador e Coletor de Lixo Classe Terrestre). Ele coleta latas, plásticos, papéis e outros detritos, compacta e empilha. No passado, havia outros como ele, mas depois de 700 anos, foi o único que restou. O plano inicial era que a humanidade ficasse longe – a bordo de um cruzeiro espacial – apenas alguns anos, enquanto a sujeira era extinta. Hoje a única companhia do robô é uma barata de estimação. Em tal cenário começa Wall-E, que estréia nesta sexta (27) em 308 salas de cinema do Brasil, sendo dez cópias legendadas.
A animação, primorosa em cada detalhe, foi feita pelos estúdios Pixar, conhecidos de todos que apreciam essa categoria de longas, vide Os Incríveis; Carros; Ratatouille, aqui em associação com a Disney. E tem como roteirista e diretor Andrew Stanton, ganhador do prêmio Oscar com Procurando Nemo.
Não há diálogos em toda a primeira parte do filme. Isso não prejudica em nada a agilidade ou o entendimento. A ação e as expressões foram executadas de maneira tão eficaz que podem ser compreendidas e apreciadas por qualquer humano, dos três aos 300 anos. E ajuda ainda uma acertada escolha de músicas, que inclui La Vie en Rose, na voz de Louis Armstrong.
Wall-E não é apenas um robô cumpridor de tarefas. Ele é simpático, bem-humorado e um pouco atrapalhado. Aproveita a natureza de seu trabalho para colecionar cacarecos que lhe pareçam interessantes. Leva para a casa lâmpadas, caixinhas, brinquedos, isqueiros. Sua solidão é quebrada pela chegada de Eva, uma bela robozinha de "olhos" azuis muito focada no próprio trabalho: encontrar alguma forma de vida orgânica em meio à devastação.
A dupla acaba por protagonizar uma aventura em outra galáxia, no local para onde foram levadas as pessoas que restaram. Todas, digamos, exageradamente nutridas, já que têm como ocupação apenas comer e assistir à TV. Somando a ironia dos autores a imagens nada menos do que perfeitas, Wall-E encanta. As crianças vão achar divertido. Os adultos serão levados a refletir sobre as mazelas da humanidade de maneira inteligente e criativa.