Crítica:
Por Rita Alves

     Silencioso, um tanto árido e misterioso. As características servem para descrever o município de Caçapava do Sul, próximo a fronteira com o Uruguai. Mas também combinam com Bruno Stein, personagem que vive na região de serras e vales e protagoniza o longa Valsa para Bruno Stein, dirigido e roteirizado pelo gaúcho Paulo Nascimento.

O longa é baseado em livro homônimo, escrito por Charles Kiefer, e traz o ator Walmor Chagas na pele do personagem principal. Na tela a impressão que se tem é que a escolha de Walmor para o papel não poderia ter sido melhor. O ator interpreta Bruno Stein, um velho com cerca de 70 anos, que vive em um lugar isolado e cuida da olaria que recebeu de herança. Costuma defini-la como “fábrica de tijolos com arte”, já que o manuseio do barro é constante, e colocar a mão na massa é sempre motivo de prazer para o dono do local.

Mas nem tudo foi sempre tranqüilo na vida dele. Antes de chegar na região serrana, Bruno morava com a família na Alemanha e teve de fugir para o Brasil logo após o fim da Segunda Guerra. A aparência sofrida é quase uma denúncia da amargura. E seu jeito sisudo muitas vezes intimida quem se aproxima.

Até mesmo com os parentes Bruno é reservado. Ele divide a mesma casa com três gerações: Olga (Aracy Esteves), a esposa, Verônica (Fernanda Moro), a neta adolescente e Valéria (Ingra Liberato), a nora. Na olaria os empregados cumprem as regras e mantêm certa distância do patrão, apesar de algumas vezes ele puxar conversa.

Quem transforma a rotina do lugar é o simpático Gabriel (Marcos Verza). Ele chega de carona até a propriedade de Bruno Stein, com o objetivo de conseguir trabalho. O jeito espontâneo do rapaz com nome de anjo conquista o velho. A olaria ganha mais um empregado e coincidentemente a vida de Bruno um novo frescor.

O proprietário da “fábrica de tijolo com arte” se apaixona pela nora. E é correspondido. A carência de Valéria, sempre solitária por causa do marido viajante, e a quase indiferença de Bruno perante a esposa, são fatais para a aproximação dos dois.

A partir de então, a comunicação da dupla acontece muitas vezes somente por meio da troca de olhares. “Às vezes os olhos dizem coisas que a boca não tem coragem de dizer”, sentencia Valéria. Na tela essa comunicação não verbal aliada ao sentimento reprimido é perfeita entre os atores.

A história de culpa e desejo do diretor Paulo Nascimento já foi premiada. Em 2007, o filme Valsa para Bruno Stein levou o prêmio de melhor atriz para Ingra Liberato no 35º Festival de Gramado. Não causará surpresa se o ótimo Walmor Chagas for contemplado com algum troféu pela atuação.

 

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