Crítica:
Por Erika Corrêa
As bandas de rock nacional dos anos 80 fizeram história e ficaram na memória de quem viveu essa época. Até hoje, os hits dessa geração são rememorados em tributos dos mais diversos: em shows, em casas noturnas e em programas de TV e rádio.
Um dos grupos de maior sucesso, o Titãs, sobreviveu não só há essa década como ainda está na estrada lançando músicas e se apresentando. O inesperado, agora, é a estréia de um filme sobre a banda, com imagens armazenadas desde a época da sua formação.
No início dos anos 80, o vocalista Branco Mello comprou uma câmera VHS - moderníssima na época - e passou a filmar as turnês do grupo. Os anos se passaram, e Mello continuou suas gravações amadoras, que incluíram imagens dos bastidores dos shows, dos quartos de hotéis, dos ensaios e das viagens da trupe toda: Arnaldo Antunes, Charles Gavin, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto.
Para organizar esse vasto material, em 2002, Mello decidiu convidar o diretor de videoclipes Oscar Rodrigues Alves que, ao seu lado, roterizou e dirigiu o documentário Titãs, a Vida até Parece uma Festa, pronto só sete anos mais tarde.
Além dessas preciosas imagens, que mostram uma garotada arrojada, fazendo música com muita diversão, humor e criatividade, foram somados imagens de programas de auditório, videoclipes e entrevistas das quais os integrantes participaram. “Não contamos a nossa história, a mostramos", declarou Mello.
O resultado é surpreendente e deve agradar não só os saudosos tiozinhos de hoje, como quem se interessar pela vibrante explosão musical dos anos 80. Dentre as cenas estão suas primeiras apresentações no circuito underground de São Paulo, como a estréia oficial no Sesc Pompéia e a performance tosca no Lira Paulistana, em 1982, quando já tocavam a canção “Bichos Escrotos", censurada nas rádios.
A parte mais hilária do documentário está por conta da participação do grupo nos programas de auditório: Chacrinha, Silvio Santos, Hebe Camargo, Bolinha, Raul Gil e o mais contra-senso e engraçado de todos, no quadro Sonho Maluco do Gugu, em 1985, em que eles resgatam uma fã presa em uma teia de aranha de mentira.
Mas o filme também tem os momentos mais difíceis da banda como as saídas de Arnaldo Antunes e Nando Reis e a morte trágica do guitarrista Marcelo Fromer, atropelado por uma moto em 2001, em São Paulo.
E como é um filme de banda de rock não faltou mencionar as drogas. Na parte mais séria, o documentário mostra as prisões de Tony Belloto e Arnaldo Antunes, em 1995, por porte de heroína e de um jeito debochado, mostra a entrevista de um dos integrantes que conta para o repórter que usa óculos escuros no palco para que os fãs não o vejam tão doidão como realmente está! Titãs é história e boa música tocando.