Crítica:
Por Erika Corrêa
Não
importa se sua infância percorreu
a década de 70, 80 ou mesmo a de
90, Speed Racer fez parte de todas essas
gerações. O desenho animado
criado em 1967, inspirado nos quadrinhos
do japonês Tastuo Yoshida, e levado à televisão
com o nome original Mach Go Go Go, foi
transmitido aqui pela TV Tupi nos anos
setenta, pela rede Record em 80, e até a
geração MTV conferiu os 52
episódios da série dez anos
mais tarde.
Depois de quarenta e um anos do seu lançamento,
a animação ganha agora às
telonas com personagens de carne e osso,
nas mãos dos irmãos Andy e
Larry Wachowski, os mesmos diretores da trilogia
Matrix e deve agradar a nova geração
videogame e, claro, os titios saudosos.
“Ficamos emocionados por ter a oportunidade de apresentar Speed Racer,
clássico do século XX para o novo milênio, e muito orgulhosos
por fazer um filme para a família, que públicos de todas as idades
podem curtir”, comentou o produtor Joel Silver, que também participou
da série Matrix, além de outras como Máquina Mortífera
e Duro de Matar.
A nova versão tem roupagem totalmente digitalizada, os personagens convivem
naturalmente com fundos desenhados e efeitos espetaculares - marca dos diretores
que sempre gostaram de inovações. Assim os carros, nas surreais
pistas de corrida, dão piruetas, voam e sobem penhascos que desafiam a
gravidade. Os diretores contam que pesquisaram alguns esportes radicais, como
skate e snowboarding para projetarem as manobras.
Mesmo assim, esse mundo cheio de tecnologia é calcado em uma historia “família
feliz” e repleta de momentos engraçados. O herói das pistas
Speed Racer, interpretado por Emile Hirsch (Natureza Selvagem e Alpha Dog), luta
para se tornar o melhor corredor da Liga Mundial de Corrida. Todavia, ele jamais
burla as leis de corridas e é fiel à sua equipe independente sem
se vender aos grandes patrocinadores, corruptos e gananciosos.
Ao seu lado, toda a patota do desenho está de volta e o melhor é que
com atores que parecem tirados do quadrinho. Assim é o pai Pops, interpretado
com precisão por John Goodman, a mãe, papel de Susan Sarandon,
a namorada Trixie (Christina Ricci) e o Corredor X (Mathew Fox). Mas quem rouba
as cenas mesmo é o Gorducho (Paulie Litt), que ao lado do seu chipanzé,
são responsáveis pelos momentos mais divertidos.
Para criar a variedade de locações e seqüências de ação,
os Wachowski convocaram a experiência de alguns dos mais inovadores designers,
artistas de efeitos especiais e cinegrafistas digitais no mercado, com muitos
dos quais eles já haviam trabalhado anteriormente.
A pista Casa Cristo 5000, conhecida como rally da morte, e onde o irmão
de Sepeed, Rex Racer, supostamente perdeu a vida, é um dos visuais mais
incrementados do filme. Como a pista atravessa diversos continentes e climas
extremos, foi possível criar cenários de deserto, penhascos glaciais
e cavernas de gelo.
Já o carro de Speed, o Mach 5 e o carro do Corredor X, o Shooting, apesar
de criados digitalmente, foram construídos fisicamente em escala natural
para serem usados em algumas cenas.
Há ainda uma divertida mistura entre as culturas americanas e a oriental.
A família Racer come as clássicas panquecas americanas no café-da-manhã,
mas também sabe lutar muito bem karatê. Speed Racer é uma
diversão, na certa, para os garotos.