Crítica:
Por Lucia Helena de Camargo
Shrek perdeu a selvageria. Está casado, com três filhos pequenos e a barriga um pouco maior. Seu urro já não assusta os aldeões. Para chegar onde está, ele teve que enfrentar um dragão, resgatar a princesa da torre do castelo e salvar o reino dos sogros, devolvendo estabilidade política à região de Tão Tão Distante. Tudo certo, tudo bom e calmo... Mas ele parece insatisfeito com sua vidinha pacata de pai e marido. Na festa de aniversário dos trigêmemos, acontece a explosão. E ele tentará lutar contra esse estado de coisas em Shrek para Sempre 3D.
Quando vai em busca da ferocidade perdida, Shrek encontra o duende Rumplestiltskin disposto a dar uma solução ao problema. O pequeno mágico propõe um negócio aparentemente inofensivo: em troca de um dia na vida pregressa de Shrek, o ogro poderá viver outras 24 horas em um mundo no qual ele ainda é aterrorizante e temido. "É apenas um dia, que mal pode fazer?", pensa. E vai em frente. Só que, para a história ficar mais interessante, o duende decide tomar para si um dia bem particular da infância de Shrek. E o ogro terá que trabalhar duro para tentar recobrar o que tinha antes, pois esta história envereda pelo modelo clássico. E ele fatalmente vai querer de volta sua vidinha "infeliz".
O diretor Mike Mitchell comanda pela primeira vez uma animação. Antes dirigiu filmes sem uma característica marcada: Gigolô por Acidente, Sobrevivendo ao Natal e Super Escola de Heróis. Agora, soube explorar com competência o recurso das três dimensões.
A animação custou US$ 165 milhões. Embora apenas dentro dos EUA, onde estreou em maio, já tenha arrecadado mais de US$ 230 milhões e, portanto, o custo de produção esteja pago, a bilheteria esperada era bem maior.
Quem optar por ver o filme com som original em inglês ouvirá o comediante Mike Myers falando por Shrek. Na versão em português, continua o bom dublador Mauro Ramos. As demais vozes são, em inglês e português: Fiona, Cameron Diaz/Fernanda Crispim; o Burro, Eddie Murphy/Mario Jorge; Gato de Botas, Antonio Banderas/Alexandre Moreno e o vilão Rumpelstiltskin é Ryan Seacrest/Claudio Galvan. A maioria do público verá o filme dublado, já que apenas uma minoria de salas exibirá a animação legendada. A cargo da empresa Double Sound, que tem sede no Rio de Janeiro, a dublagem é eficaz nos diálogos, mas não inclui as canções, que muitas vezes complementam o sentido das cenas. Outro problema é que todos os personagens falam com carregado sotaque carioca.
Anunciado como último filme da franquia, Shrek Para Sempre 3D apresenta, enquanto passam os créditos finais, uma homenagem a personagens marcantes que já apareceram ao longo dos quatro longas anteriores. Fecha-se, assim, o ciclo. Embora mais morno que os demais, a atual aventura do ogro ainda é ótima opção para ver nestas férias de julho. Mas um Shrek 5 poderia passar da conta.
Shrek para Sempre 3D (Shrek Forever After, EUA, 2010, 93 minutos). Direção: Mike Mitchell.