Crítica:
Por Erika Corrêa

Durante muito tempo os heróis norte-americanos do cinema tiveram como principais inimigos, os soviéticos. Em um mundo dividido entre capitalismo e comunismo, Hollywood lançou Rambos e outros trogloditas no combate feroz ao exército vermelho mundo afora.

Quando a Guerra Fria terminou, a imaginação cinematográfica prevaleceu e a nova ameaça surgiu do espaço. Monstros alienígenas destruíram cidades inteiras satisfazendo as fantasias megalomaníacas de autodestruição desta cultura.

Mais uma vez o tema se desgastou e a renovação veio após o atentado de 11 de setembro. Foi à vez dos heróis de olhos azuis aniquilarem os barbudos de turbante. E haja filmes com destruições e perseguições em cenários áridos e desérticos.

Movido pela nostalgia ou com falta total de criatividade, o cinema hollywoodiano ressuscita depois de mais de vinte anos seu arquiinimigo e lança mais um thriller de ação, onde os vilões são novamente os russos.

Salt, dirigido pelo australiano Phillip Noyce (O Colecionador de Ossos/1999), traz uma organização russa, repleta de espiões, treinada durante anos para atacar os EUA, no que denominaram o Dia X, e assim dominar a economia mundial.

O herói que defenderá a nação desta vez está incorporado em uma silhueta perfeita, cabelos longos e belos olhos. Trata-se da atriz Angelina Jolie, que age com mais vigor, astúcia e força que o superdotado Ethan Hunt, personagem principal do filme Missão Impossível, interpretado por Tom Cruise. 

Aliás, segundo a produção, o papel de Jolie era para ser de Cruise, que não aceitou o convite, com receio de que a produção ficasse muito semelhante a franquia do MI.

Verdade. Salt é mais um filme de muita ação impossível. A agente Evelyn Salt (Jolie) dá saltos ornamentais de cima de um caminhão em alta velocidade para outro; mata mais de cem agentes da CIA, policiais federais e companhia, participa de perseguições de carro e moto das mais mirabolantes e, ainda, sai na porrada com homens e guardas bem maiores do que ela. Tudo isso sempre com o rosto belo e maquiado voltado para a câmera.

Quem gosta de ação eletrizante, o filme é movimento do começo ao fim. Agora, quanto à história... A agente Salt da CIA é acusada de ser uma espiã russa infiltrada e decide provar sua inocência a qualquer custo. E haja tentativas. Só que essa missão ele deverá concluir no próximo filme da seqüência que virá por ai.

 

 

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