Crítica:
Por Erika Corrêa

O renomado diretor Ridley Scott fez filmes memoráveis em sua longa carreira cinematográfica. Difícil não lembrar daquele extraterrestre gosmento que saia de dentro da barriga dos tripulantes da nave espacial Nostromo, em Aliens, O Oitavo Passageiro, de 1979 ou do futurista cenário de uma Los Angeles sombria em Blade Runner, Caçadores de Andróides, de 1982.

Considerado o mais talentoso da família (seu irmão Tony Scott também é cineasta), Ridley ainda fez o delicioso rood movie Thelma e Louise, em 1999 e o blockbuster O Gladiador, em 2000, vencedor de cinco prêmios Oscar, dentre outros sucessos.

Só que de uns tempos para cá, Ridley parece ter enveredado pra o estilo do irmão (diretor de Inimigo do Estado/1998 e Chamas da Vingança/1998). O maior exemplo é sua última produção Rede de Mentiras, um thriller de ação e espionagem cheio de explosões e roteiro fraco.

O elenco com os astros Russell Crowe e Leonardo Di Caprio não torna o filme melhor, exceto para atrair bilheteria. Baseado no romance homônimo do jornalista David Ignatius, Rede de Mentiras é apenas mais um filme sobre o terrorismo e a guerra entre o Ocidente e o Oriente.

Leonardo DiCaprio interpreta o agente da CIA Roger Ferris, que vive no Oriente Médio investigando as ações terroristas da região. Seu chefe, o veterano Ed Hoffman, vivido por Russell Crowe, comanda as operações dos EUA.

A nova missão é capturar um suposto líder da Al Qaeda, que pode estar escondido em Amã, capital da Jordânia. Nessa caça de mocinho (EUA) versus bandido (mulçumanos) os clichês estão todos presentes: tortura, fuga com carros no deserto, relacionamento entre uma islâmica, a atriz iraniana Golshifteh Farahani, e o galã Di Caprio e muito mais.

Leonardo estava ótimo no papel do policial infiltrado na máfia em Os Infiltrados e melhor ainda como um mercenário em Diamante de Sangue, mas apesar da dedicação em aprender árabe para fazer o agente da CIA, seu personagem em Rede de Mentiras não decola.

Pior ainda é Russell que engordou 23 quilos para compor seu personagem a pedido de Scott, e o resultado é um agente com cara de bonachão. Nada próximo a Robert Deniro que engordou 20 quilos e eternizou seu personagem em Touro Indomável ou mesmo o jovem Emile Hirsch que emagreceu 23 para fazer o garoto que morria de inanição em Natureza Selvagem. A dieta de Crowe parece completamente desnecessária para a trama.

Um dos pontos interessantes do enredo é quando se sugere que o boca-boca dos terroristas consegue burlar as investigações montadas com toda a parafernália tecnológica dos EUA. Mas infelizmente também não se sustenta.

Com uma bela locação no Marrocos, o filme pode agradar a quem não criar expectativa de assistir excelentes produções de outrora do diretor e gostar de filmes cheios de ação.

 

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