Crítica:
Por Erika Corrêa
Os aterrorizantes massacres estudantis ganham mais uma vez às telas do cinema nas mãos da diretora escocesa Lynne Ramsay, em Precisamos Falar sobre Kevin. Só que desta vez, com uma proposição bem diferente das abordados em Elefante, de Gus Van Sant ou do documentário Tiros em Columbine, de Michael Moore, em que ação e os preparativos da tragédia são o centro da trama..
A história do jovem perturbado é narrada pela sua mãe, que nos revela os detalhes desde o nascimento do menino. As perversões de Kevin, as atitudes bizarras e cruéis desde pequeno, são entrecortadas pelo presente, um cotidiano dilacerado pelo sofrimento da personagem Eva, a mãe. Sua confidência é uma espécie de expurgação da dor e da culpa.
Essa descida ao inferno, tão bem interpretada pela atriz Tilda Swinton, torna o filme pesado e brilhante. Como uma mãe pode aceitar que um filho nasça um psicopata, desprovido de sentimentos e remorsos? Afinal, a cada nova tragédia, os motivos e causas que levam um adolescente a cometer atrocidades desse gênero são sempre questionados, imagine para a progenitora de uma mente doentia.
Precisamos falar sobre Kevin é baseado no best seller homônimo da norte-americana Lionel Shriver, e vendeu mais de 12 milhões de cópias. Apesar do sucesso literário, o tema ainda é tabu nos EUA. Haja vista que o filme ficou injustamente de fora da premiação do Oscar desde ano. Teve uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz, mas Tilda perdeu para Meryl Streep, em A Dama de Ferro.
O papel de Kevin é realizado por três atores diferentes: bem pequenino por Rock Duer, quando criança por Jasper Newell e já jovem pelo ator Ezra Miller. Todas as interpretações espetaculares e assustadoras.