Crítica:
Por Erika Corrêa

     Há tempos que o cinema nacional não se dedica a filmes direcionados ao público juvenil. Nos anos oitenta, muitos títulos levaram às salas de projeção grupos de garotos e garotos, que se espremiam nas filas de final de semana. Menino do Rio (1981) fez diversas moçoilas suspirarem por André de Biase. Depois vieram produções moderninhas, com rock bacana, como Bete Balanço (1984).

A grande lacuna dos anos noventa se estendeu ao início desse novo século e a referência de produções pra adolescentes voltou-se ao folhetim televisivo, como a ignóbil Malhação, transmitida pela rede Globo, e que leva no próprio nome uma afronta a nossa pujante juventude.

Cessando esse vazio cultural, Pode Crer, o primeiro longa metragem de Arthur Fontes (Surf Adventures), estréia nos cinemas e como diz o próprio diretor, é um filme voltado especialmente para o espectador jovem. A história é leve, sem deixar de abordar temas sérios e verdadeiros.

O mais curioso é que tudo se passa nos cultuados anos oitenta, mais especificamente em 1981, justamente a época de maior lançamento de filmes jovens. O cenário é a uma escola de classe-média da zona sul do Rio de Janeiro. A turma do terceiro ano não anda de celular, não sabe o que é internet e muito menos ipod e orkut. Mas como qualquer outro jovem está preocupada com a carreira que vai seguir, o próximo namorado que vai conquistar e a festa que vai rolar.

Carol (Maria Flor) acaba de chegar da França com os pais que regressam do exílio, com a abertura política. No novo colégio São Jorge vem a se apaixonar por João (Dudu Azevedo) que é líder de uma banda de rock ao lado de outros colegas da escola.

Muitas viravoltas acontecem para que o casal de protagonista fique junto e finalize um happy-end: a menina riquinha que quer sempre atrapalhar, a turma da oposição, as experiências com drogas, e ainda temas mais pesados como o aborto.

Na deliciosa trilha que traz Rita Lee, Tim Maia, Frenéticas, Gilberto Gil e Caetano Veloso, os quarentões que estiverem perdidos na sala, vão delirar, lembrando do seu bom tempo e gargalhar a hora que virem Lulu Santos fazendo uma ponta vestido de padre.

O fusca, a prancha de surfe maior, o globo de luz estroboscópica, nem se sobressaem tanto quanto um Rio de ruas e praias mais tranqüilas. Mas essa nostalgia que só atinge aos mais velhinhos, não compromete em nada o público alvo: a juventude é sempre semelhante.

No elenco ainda atores como Malu Madre, Patrícia Travassos e José de Abreu.

 

© Copyright 2008 Diário do Comércio - Todos os direitos reservados