Navios com velas sujas, bucaneiros barbados, flibusteiros bêbados e sem dentes, tesouros, sangue e algumas trapalhadas. Estão todos de volta em Piratas do Caribe - No Fim do Mundo, que chega nesta sexta (25) em 769 salas de cinema do Brasil, configurando a maior estréia da Disney no País. É ainda mais veloz o ritmo deste terceiro filme, que ao contrário dos anteriores – A Maldição do Pérola Negra e O Baú da Morte – não deixa pontas soltas, fazendo crer que é sério o anúncio de que trata-se mesmo da última parte de uma trilogia.
Desta vez a ação começa em Cingapura. Will Turner (Orlando Bloom), Elizabeth Swann (Keira Knigthley) e o capitão Barbossa (Geoffrey Rush) unem-se e vão até o país asiático em busca de um mapa para localizar Jack Sparrow (Johnny Depp). Os piratas dos sete mares estão sendo caçados e mortos pela tripulação do navio-fantasma Flying Dutchman, agora comandado pelo almirante James Norrington (Jack Davenport), que trabalha sob as ordens do lorde Cuttler Beckett (Tom Hollander), da Companhia das Índias Orientais. Será necessário reunir os nove lordes da Corte da Irmandade para tomar uma resolução sobre como agir em relação ao assunto. Porém, um dos lordes é o desaparecido Sparrow. Assim, o trio precisa da ajuda do debochado capitão do navio Pérola Negra para um objetivo comum: deter a matança dos piratas do redor do mundo. Mas cada um deles esconde outro motivo – secreto e inconfessável – para querer ficar cara a cara com Jack.
Conseguir o mapa não será fácil, já que pirata chinês, o capitão Sao Feng (Chow Yun-Fat), não está ali para facilitar as coisas. Boa razão para o filme embarcar nas seqüências de correrias e lutas de espadas, piratas que se penduram, outros que despencam, tiros, explosões espetaculares. E aqui e ali, e meio à bagunça, uma piada.
O time de atores é muito bom, mas Johnny Depp – tem-se que dizer – é o principal ingrediente que torna o filme tão bom. Seu pirata é um misto de covardia com esperteza, troça, ironia e completa falta de noção da realidade que funciona. Chegou-se a comentar que soava gay a representação de Depp para o pirata, embora os trejeitos de Sparrow fossem resultado apenas do ótimo faro do ator para imprimir esquisitice na medida certa em seus personagens. Quem o viu no delicado Edward Mãos de Tesoura e no intenso Do Inferno, sabe que ele adora viver um sujeito meio estranho. Mas para desanuviar de vez a reputação do pirata e mostrá-lo como um macho em todos os sentidos, aparece enlaçado a alegres mulheres, e uma bela oriental da corte de Sao Feng demonstra lembrar-se dele de maneira algo carinhosa.
Na seção seres asquerosos, reaparece Davy Jones (Bill Nighy), o homem com cara de polvo, e sua tripulação igualmente bizarra. E será revelado o mistério sobre a origem da maldição que aprisionou seu coração em um baú. A participação especial de Keith Richards (foto), da banda Rolling Stones, pode ou não (a critério do espectador) ser classificada na mesma seção. O músico, que declarou recentemente ter aspirado cinzas resultantes da cremação de seu pai, surge como o pai de Jack Sparrow. Um dos argumentos que o levaram a aceitar o papel foi a declaração de Depp sobre ter buscado em Richards inspiração para a composição de seu personagem. São poucas e curtas as cenas, mas ambos formam uma dupla insólita que convence como pai e filho.
O diretor da trilogia é Gore Verbinski, cujo único filme conhecido do público brasileiro feito antes de Piratas é O Chamado (The Ring, 2002, com Naomi Watts).
Na maior parte filmado nas Bahamas, o orçamento de Piratas do Caribe - No Fim do Mundo foi de US$ 200 milhões. E embora o filme saia com 314 cópias dubladas (e 365 legendadas), não é recomendado para menores de 12 anos.
O longa-metragem é mesmo longo. São duas horas e 45 minutos de projeção. Milhares de pessoas trabalharam nele. Portanto, os créditos também demoram bastante para passar. Mas ao final há uma cena extra. Assim, quem não quiser perdê-la que se arme de paciência para esperar passarem os nomes de todos os colaboradores, agradecimentos, informações sobre locações e equipes em cada uma delas.