Crítica:
Por Lúcia Helena de Camargo
Gorducho
e comilão, desajeitado, mas bem-humorado.
Assim é Po, o jovem panda que trabalha
como garçom no restaurante especializado
em nodles (macarrão instantâneo)
do pai, mas sonha em tornar-se um lutador
de kung fu: o protagonista de Kung Fu Panda,
que estréia nesta sexta (4) nos
cinemas brasileiros.
Ele aprende
os golpes, lê sobre
lutas e é fã dos mestres da
arte marcial. Um dia acontece na sua cidade
uma
cerimônia em cujo encerramento será conhecido
aquele que, cumprindo uma velha profecia,
será escolhido para tornar-se o defensor
da região contra o vilão Tai
Lung, um leopardo empenhado em destruir tudo
por onde passa. Por uma conjunção
de coincidências, o barrigudo Po é quem
ganha a função e vira o herói
do dia, embora estejam na fila para a "vaga" também
cinco grandes lutadores conhecidos, que não
vão facilitar a vida do panda molenga.
Na
versão
original em inglês,
a voz de Po é feita por Jack Black
(O Amor não Tira Férias; Escola
de Rock), que incorpora toda a irreverência
do urso preto e branco. Na dublagem em português,
o ator Lúcio Mauro Filho (o Arthur,
de A Grande Família) também
não deixa a peteca cair e manda bem
nos diálogos. E a tigresa, personagem
de Angelina Jolie, ficou com Juliana Paes,
protagonista da próxima novela global,
Caminhos da Índia, para manter o caráter
sensual da felina. Os dubladores brasileiros
das demais vozes não foram divulgados
pela distribuidora, pois nenhuma outra celebridade
foi convidada, embora tenham papéis
grandes também o mestre Shifu (Dustin
Hoffman, ótimo, como sempre), o Louva-Deus
(Jackie Chan), a Víbora (Lucy Liu),
o Macaco (Seth Rogen) e a Garça (David
Cross). Esses animais – sabem os lutadores
de kung fu – representam os principais
estilos adotados. E outra voz marcante é de
Ian McShane, como o vilão Tai Lung.
Aplausos
- O
cuidado com todos os detalhes, para não
cometer erros relacionados nem aos preceitos
da arte marcial chinesa
em questão ou à maneira de
locomoção de cada um dos animais
em cena custou à equipe três
anos em pesquisas, para que a animação
ficasse tão real quanto possível.
E o alívio veio depois que uma exibição
em Los Angeles exclusiva para profissionais
ligados ao kung fu foi aplaudida pela platéia.
Outro aspecto essencial para uma animação
vingar é o som. Para a edição
foi chamada a turma que cuidou de King Kong
e O Senhor dos Anéis, entre outros.
E a trilha sonora ficou a cargo de Hans Zimmer
(ganhador do prêmio Oscar por O Rei
Leão) e John Powell, que tem no currículo
Formiguinhaz, A Identidade Bourne e
A Era do Gelo 2.
Autoconfiança
- A história,
no final das contas, traz a mesma mensagem
de sempre: que qualquer pessoa pode ter grandes
objetivos na vida e atingi-los, desde que
acredite em si mesma e não esmoreça. É assim
em Ratattouille, que prega que todos podem
cozinhar, até o ratinho Remi; é assim
em Shrek, que mesmo sendo um ogro conquista
a bela princesa. Em Kung Fu Panda , o panda
passa boa parte da trama inseguro, tentando
entender como seguir os ensinamentos do mestre
Shifu, até perceber que pode fazer
mais do que imagina. Sem cair no lugar-comum.
A Dreamworks
precisa ficar atenta à concorrência,
pois os estúdios Pixar, cuja produção
mais recente é o magnífico
Wall-E (em cartaz nos cinemas), fazem escola.
E ninguém mais quer saber de filminhos
com uma lição de moral piegas.
Assim, humor é essencial para conquistar
a platéia, seja formada por crianças
que rolam de rir na poltrona a cada golpe
no vilão ou adultos que preferem as
piadas envolvendo "citações" de
longas como O Tigre e o Dragão; Herói
e outros no estilo chineses voadores e suas
artes marciais maravilhosas.
Kung Fu Panda é, enfim, diversão
de boa qualidade para a garotada que entra
em férias neste mês de julho.
E os pais não perdem nada ao acompanhar
as crianças à sala de exibição.